Do Mais Goiás

Maior inflação de Goiânia em 20 anos foi puxada por combustível e energia

"O impacto disso é que já não se troca de marcas nas gôndolas, mas chegamos ao ponto de ter que escolher o que levamos para a mesa", diz economista

Caiado e outros governadores assinam nota em que dizem que ICMS não é culpado por preço do combustível
Caiado e outros governadores assinam nota em que dizem que ICMS não é culpado por preço do combustível (Foto: Jucimar Sousa - Mais Goiás)

A maior inflação de Goiânia em 20 anos foi puxada pelo combustível e energia elétrica. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que subiu 1,05% na capital em agosto, é o maior desde o mesmo mês de 2000. Segundo o IBGE, os combustíveis subiram cerca de 3,84%, enquanto a energia 1,57% no período.

O IBGE informou que, ao analisar os itens com maiores pesos na cesta de compras das famílias com rendimentos entre 1 e 40 salários-mínimos em Goiânia, “destacam-se as variações mensais dos itens veículo próprio (1,81%), combustíveis de veículos (3,84%) e energia elétrica residencial (1,57%)”.

No ranking das capitais, a variação da inflação de Goiânia ficou em quarta lugar, atrás de Brasília (1,40%); Vitória (1,30%) e Curitiba (1,21%). Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de Goiânia, obtido a partir dos Índices de Preços ao Consumidor regionais e que tem como objetivo oferecer a variação dos preços no mercado varejista, registrou alta de 1,08% em agosto de 2021, a maior variação positiva desde o início de 2021, acumulando alta de 5,12% no ano.

Inflação do combustível e outros grupos

Só a gasolina ficou 3,6% mais cara, acumulando reajuste no ano de quase 33%. O etanol, que subiu 5,5% em agosto, tem alta anual de 40,6%. Vale lembrar, em julho o índice foi de 0,66%.

Além do combustível e da energia, o IBGE informou que outros grupos também tiveram destaque. Foram eles: transportes (2,40%); Habitação (1,25%); alimentação e bebidas (1,16%) – com altas nos subgrupos das frutas (5,08%), aves e ovos (4,00%), óleos e gorduras (2,61%), cereais, leguminosas e oleaginosas (2,31%), leites e derivados (1,60%) e nas carnes (1,07%).

Economista

Ao Mais Goiás, a economista com mestrado e doutorado na área, Andréia Magalhães, avaliou os números e disse que isso significa que perdemos consideravelmente o poder de compra. “Já não temos mais as mesmas condições financeiras de tempos pré-pandemicos.”

Além disso, segundo ela, existe a questão da “temperatura e clima“, que juntos e em desordem são molas propulsoras somadas ao aumento de combustível e energia elétrica. “E, com isso, ocorre a inflação de demanda e inflação de oferta, que diminuem a nossa capacidade de compra dos itens do setor primário.”

Com isso, ela antecipa que a mesa do consumidor mais humilde financeiramente ficará mais desabastecida e menos farta. “O impacto disso é que já não se troca de marcas nas gôndolas, mas chegamos ao ponto de ter que escolher o que levamos para a mesa.”

E ainda: “A síntese disso tudo é que teremos famílias empobrecidas, rendas que não atenderão às demandas delas, perda no poder do real, inflação com tendência ainda a subir e preços não estabilizados por enquanto.”

Inflação nacional

Ainda segundo o IBGE, a inflação teve alta de 0,87% em agosto deste ano em nível nacional, a maior para o mês desde o ano 2000. “Com isso, o indicador acumula altas de 5,67% no ano e de 9,68% nos últimos 12 meses, acima do registrado nos 12 meses imediatamente anteriores (8,99%). Em agosto do ano passado, a variação mensal foi de 0,24%”, concluiu.