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Macron leva tapa no rosto durante visita a cidade francesa; vídeo

Presidente cumprimentava moradores quando foi agredido, aos gritos de 'abaixo o Macronismo'; dois homens foram detidos

Presidente da França, Emmanuel Macron (Foto: Divulgação)
Presidente cumprimentava moradores quando foi agredido, aos gritos de 'abaixo o Macronismo'; dois homens foram detidos (Foto: Divulgação)

O presidente da França, Emmanuel Macron, levou um tapa no rosto por volta das 13h15 (horário local, 8h15 no Brasil) desta terça (8), durante visita a Tain-l’Hermitage, na região do Drôme, no sudeste do país.

Vídeos do incidente publicados em rede social mostram Macron se aproximando para cumprimentar moradores que estão atrás de uma barreira de metal.

Ele encosta a mão no braço esquerdo de um homem que, em seguida, segura o braço do presidente e o esbofeteia com força, com a mão direita. Apesar da agressão, Macron voltou a cumprimentar pessoas ao lado, depois de brevemente afastado por sua equipe.

Embora as imagens mostrem claramente o tapa, uma equipe de comunicação da Presidência no local afirmou que o golpe não acertou e foi aparado por seguranças. “Um homem tentou bater no presidente. Não temos mais comentários a fazer nesta fase ”, disse um funcionário da Presidência.

No vídeo, ouvem-se também os gritos “abaixo o Macronismo” e “Montjoie Saint Denis!”, lema monarquista usado como grito de guerra a partir do reinado de Luis 6º e adotado pela Ação Francesa, que prega a restauração da monarquia. Em 2019, três membros da organização foram condenados por jogar uma torna na cara de um político, também gritando o slogan de guerra.

Não há confirmação, porém, de que o agressor faça parte do grupo. Além dele, outro homem foi detido para interrogatório, mas a polícia não revelou seus nomes nem sua motivação. De acordo com a mídia local, ambos têm 28 anos.

Segundo a prefeitura de Valence, Macron se aproximou dos moradores porque foi chamado por eles, quando saía de uma visita a uma escola de hotelaria.

O líder francês, que deve concorrer à reeleição no próximo ano, está percorrendo o país no que o governo chama de “viagem pela França dos territórios”. Às vésperas de uma nova fase do desconfinamento, na qual restaurantes poderão voltar a servir seus clientes em espaços internos, Macron focou a viagem a Drôme em gastronomia. Depois do incidente, almoçou com empresários do setor na cidade de Valence.

O tapa no presidente foi criticado por políticas à esquerda e à direita na França. A líder de ultradireita Marine Le Pen, principal rival de Macron nas próximas eleições, afirmou que “esse tipo de comportamento é inaceitável e profundamente condenável numa democracia”.

Le Pen, que tem tentado “desdemonizar” seu partido Reunião Nacional do rótulo de extremista e posicioná-lo como “nacionalista” em oposição aos “globalistas”, aproveitou para reforçar essa estratégia. “É inadmissível agredir fisicamente líderes políticos, mas ainda mais o presidente da República”, afirmou.
“Quem dá um tapa no presidente está esbofeteando a República”, afirmou também o líder da bancada republicana, Damien Abad.
Antes de ser agredido, Macron havia feito uma declaração defendendo o fim da violência e do ódio na política, segundo o jornal Le Monde. Na democracia, as oposições podem se expressar livremente, na rua, na imprensa, na televisão. E é então expressa em intervalos regulares nas urnas. A contrapartida disso é o fim da violência e do ódio. Se o ódio e a violência voltam, eles enfraquecem apenas uma coisa: a democracia. Por isso, peço a todos que sejam respeitosos e calmos”, disse ele na visita à escola de gastronomia.
As agressões mais recentes ao presidente haviam ocorrido no final de 2018, durante protestos dos coletes amarelos —movimento iniciado após tentativa de elevar impostos sobre combustíveis. Na ocasião, um carro em que ele estava foi bloqueado por manifestantes.