Liminar na Justiça

“Maconha legal é a segurança de ter minha família bem e com qualidade de vida”, diz empresário

Decisão garante à família Suzin o plantio e o porte de maconha medicinal para tratamento de pai e filho em Goiás


Eduardo Pinheiro
Do Mais Goiás | Em: 15/01/2020 às 12:14:54

Liminar garante à família Suzin o plantio de maconha medicinal para tratamento de pai e filho (Foto: Reprodução)
Liminar garante à família Suzin o plantio de maconha medicinal para tratamento de pai e filho (Foto: Reprodução)

“Agora eu tenho segurança para me tratar e tratar meu pai”, diz o empresário Filipe Barsan Suzin sobre a liminar que garantiu habeas corpus preventivo que dá a ele e ao pai, Ivo Suzin, o acesso à maconha medicinal em Goiás. A decisão garante que eles não sejam presos, investigados ou tenham as plantas apreendidas pela polícia.

A decisão da Justiça Federal de Goiás, da última segunda-feira (13),  garante também o cultivo, o uso e porte de cannabis (maconha), sementes e derivados por Ivo e Filipe. Os dois podem também cultivar a planta em casa, além de importar sementes, apenas na quantidade suficiente para plantio na residência deles.

O pedido ainda libera o transporte e remessa de plantas e flores para teste de quantificação, análise de canabinoides, extração do óleo medicinal, aos órgãos, entidades e instituições de apoio e pesquisa e universidades. 

O salvo conduto, no entanto, não autoriza os pacientes a venderem ou cederem a planta cannabis, sementes ou derivados para consumo ou comercialização de outras pessoas.

Vitória

Filipe diz sentir um pouco de dificuldade em explicar a alegria que sentiu ao receber a notícia da decisão judicial na manhã de terça-feira (14). Ele afirma que ficou o dia todo “processando” a informação, mas que a partir de agora poderá se dedicar de forma mais tranquila em melhorar a qualidade de vida dele e do pai.

O pai, seu Ivo, tem alzheimer e faz uso da planta medicinal há pelo menos um ano. Segundo a família, o tratamento trouxe de volta a lucidez dele, o que melhorou a vida de todos na residência dos Suzin. Filipe é paciente de leucemia e também utiliza a maconha para tratamento de efeitos colaterais.

“Essa vitória representa segurança e qualidade de vida para a minha família. Agora posso ir atrás de ajuda e conhecimento sem medo, pois garante que posso remeter as plantas para estudo e pesquisar a melhores a serem usadas no tratamento. Abre muitas portas para  a medicina”, reforça Filipe.

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Nem sei por onde começar, mas hoje 14 de janeiro com toda a certeza um dos dias mais marcantes da nossa familia! Dia que tivemos pela justiça nosso direito impagável de ter nossa medicina cultivada dentro de casa, sem medo, sem riscos, remédio direto do jardim!! Quando tempo de luta, aflição, medo de perder nossas plantas e perder tudo que se foi construído esse ano, perder a qualidade de vida, mas GRAÇAS A DEUS, Graças a meus competentes advogados Dr. @jamilissy @yuritejota Danúbio, colaborações da @redereforma E outros grandes profissionais da área, assim como muita gratidão ao amigo e médico Dr. @jcnormanha não tenho palavras para agradecer, em nome da minha família nossa eterna Gratidão por fazerem minha família continuar com segurança tendo qualidade de vida! VOCÊS MUDARAM A NOSSAS VIDAS! 🙏❤ ▫️ E que mais e mais permissões acontecem nesse ano de 2020! ▫️ É agradecer muito a todos que sempre torceram, lutaram, apoiaram a causa, torceram, participaram, Gratidão imensa a todos pelas boas energias e que 2020 seja um ano de muita medicina e muitas maravilhosas colheitas para todos nós! 🙏

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Decisão

De acordo com o advogado da família e diretor da Agape, Yuri Ben Hur Rocha Tejota, a decisão judicial representa um marco pra Goiás. Ele diz se tratar do primeiro habeas corpus de cultivo de cannabis em Goiás. “Como é uma decisão que atinge somente a família Suzin, alguns podem pensar que somente eles são os beneficiados, mas sei que essa vitória representa uma luz de esperança pros goianienses que pretendem buscar o mesmo direito que o Filipe na justiça federal”, avalia.