EFEITOS DO CORONAVÍRUS

Lojistas da 44 reclamam de burocracia para solicitar linha de crédito

Apesar disso, Goiás Fomento garante que processo é necessário por exigência do Banco Central


Joao Paulo Alexandre
Do Mais Goiás | Em: 03/04/2020 às 19:21:56

Lojistas da 44 reclamam de burocracia para solicitar linha de crédito (Foto: Divulgação / AER44)
Lojistas da 44 reclamam de burocracia para solicitar linha de crédito (Foto: Divulgação / AER44)

Lojistas da região da Rua 44 reclamam de algumas exigências e burocracias para a solicitação de linha de crédito para micro e pequenas empresas ofertadas via Goiás Fomento. De acordo com alguns comerciantes, estão sendo solicitados avalistas com renda mensal que seja três vezes maior que a parcela ou imóvel quitado.  As linhas de crédito foram um meio que o governo estadual encontrou para ajudar pequenos empresários que sofrem com o impacto da quarenta decretada pelo Executivo devido à pandemia do coronavírus.

Vele lembrar que, no mês passado, o Governo, por meio do Goiás Fomento e do Banco do Brasil, anunciou a liberação de R$ 500 milhões de empréstimos a esse grupo. O financiamento seria feito em cinco linhas diferentes: Goiás Fomento Turismo Capital de Giro, Microcrédito Produtivo Pessoa Jurídica (PJ), Microcrédito Produtivo Pessoa Física (PF), CredFomentoe FCO Capital de Giro Dissociado, para MEI, micro, pequenas e médias empresa.

Prática

Tarcísio Silva, que tem uma loja na região, conta que tentou empréstimo de R$ 30 mil, mas desistiu perante as exigências. Ainda destaca que, durante a solicitação, é feita consulta nos órgãos de proteção ao crédito, como SPC e Serasa, além de análise do Sistema de Informações de Créditos (SCR) do Banco Central, tanto do contratante quanto do avalista.

“Do jeito que eles estão fazendo, mais de 90% dos lojista aqui, da região, não vão conseguir ter acesso a esse crédito. Eles pedem avalistas com renda mensal que seja três vezes maior que o valor da parcela, ou precisa ter imóvel quitado, e não aceitam automóvel como garantia. Conseguir um avalista já é difícil, nessas condições, então…”, pontua.

Junto com a esposa, Franco Cristofare administra três lojas na região. O empresário também ressalta a burocracia perante a solicitação da ajuda e acredita que, por se tratar de um crédito emergencial, deveria ser mais fácil a contemplação. “Você precisa passar por uma uma triagem, preencher e assinar uns cinco formulários, levantar vários documentos seus e dos avalistas, e mesmo quando você consegue tudo, eles dizem que o processo leva, no mínimo, 20 dias para ser concluído”, ressalta.

Precisa de ajuda

O presidente da AER 44 (Associação Empresarial da Região da 44), Jairo Gomes, destaca que a região é o maior pólo de criação de empregos da cidade e que sobrevive pelas vendas que lá acontecem. Ele destaca que a região abraçou o primeiro decreto e abraçará o segundo, mas pede para o governo olhar com atenção, pois, segundo ele, o local pode quebrar sem essa ajuda.

“A região foi parceira quando o governo exigiu essa grande parcela de sacrifício. Ficar 15 dias fechado pode levar muitos das micro e pequenos empresas que temos à falência, por isso esperamos que o governo compense esses pequenos empreendedores de alguma forma. A grande maioria precisará recuperar o seu capital de giro para se manter funcionando, e isso precisa ser agora, até para se prevenir de um impacto ainda maior que pode haver lá na frente”, pontua.

Além disso, ele destaca que os feirantes, que atuam na Feira Hippie e Feira da Madrugada, também sofrem com o impacto da quarentena. Ele ressalta que alguns relatam passar necessidades, já que o sustento vem das vendas realizadas no local. Isso ainda é agravado pela restrição social que ocorreu em uma época de grande movimentação na região.

“Depois do período de fim de ano, que de fato traz um movimento muito grande, os dois primeiros meses do ano são tradicionalmente de poucas vendas, e março seria quando o fluxo de turistas voltaria à normalidade. Quem conseguiu acumular uma boa ‘gordura’ no fim do ano já gastou nos meses de janeiro e fevereiro para ter um mínimo de fluxo”, explica.

Outro lado

O Goiás Fomento declara que firmou contrato com 80 correspondentes de crédito que operarão a partir da próxima semana. O objetivo é ampliar os canais de atendimentos às empresas que solicitarão o auxílio. Além disso, o programa enfatiza que busca habilitação junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) para a linha de crédito, a fim de ajudar no pagamento da folha do pessoal.

Além disso, a Goiás Fomento declara que, em conjunto com a Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços (SIC) e a Secretaria de Desenvolvimento e Informação (SEDI), disponibilizará o fundo de aval – um seguro de crédito para quem não tem avalista. Com isso, a expectativa é pela facilitação de acesso ao financiamento.

Desde que foi liberado o valor, no último dia 23 de março, o programa ressalta que houve uma grande procura por empreendedores. Além disso, o presidente do Goiás Fomento, Rivael Aguiar, expõe que cerca de 300 propostas estão sendo analisada “com a celeridade que o momento exige.”

Rivael pediu, ainda, que as lideranças das classes dos setores de indústrias, prestação de serviços e comércios participem desse momento. “Isso pode ser feito com orientações aos associados sobre como proceder para pleitear empréstimo, assim como providenciar os documentos necessários e realizar os procedimentos exigidos. A Goiás Fomento, por ser uma instituição financeira, deve seguir o que é exigido legalmente pelo Banco Central”, ressalta.

Outro ponto ressaltado pelo presidente é que, a partir da próxima segunda-feira (6), o Goiás Fomento disponibilizará, no site do programa, uma ferramente para agilizar o preenchimento de propostas e envio de documentos para os recursos do FCO – Banco do Brasil. Ele destaca, também, que essa verba será destinada para capital de giro, no sentido de socorrer as micros e pequenas empresas.