GARFO QUENTE

Lesões apontam suposta tortura a menino morto pelo padrasto em Rio Verde

De acordo com o delegado Danilo Fabiano, as marcas são antigas, mas demonstram lesões características de tortura


Jessica Santos
Do Mais Goiás | Em: 03/09/2020 às 12:39:03

Uma perícia realizada pelo IML identificou lesões antigas no corpo do menino de 2 anos espancado e morto pelo padrasto, em Rio Verde. (Foto: reprodução/TV Anhanguera)
Uma perícia realizada pelo IML identificou lesões antigas no corpo do menino de 2 anos espancado e morto pelo padrasto, em Rio Verde. (Foto: reprodução/TV Anhanguera)

Uma perícia realizada pelo Instituto Médico Legal (IML) identificou lesões antigas que apontam suposta tortura ao menino de 2 anos espancado e morto pelo padrasto, em Rio Verde. O crime ocorreu na noite da última segunda-feira (31) e teria sido cometido porque a vítima chorava e chamava pela mãe. O homem confessou o assassinato e foi preso. A mãe está detida por omissão. As informações são do delegado responsável pelo caso, Danilo Fabiano Carvalho.

Em entrevista ao Mais Goiás, o investigador contou que foram detectadas marcas de agressões feitas anteriormente, bem como uma lesão causada por queimadura feita com um garfo quente. O item, segundo ele, foi encontrado na casa da vítima durante diligências feitas no imóvel.

De acordo com ele, os hematomas antigos não foram a causa da morte, mas demonstram lesões características de tortura. “O médico legista constatou que a causa do óbito foi uma lesão na região abdominal, que provocou um sangramento interno”, salientou.

Danilo conta, ainda, que testemunhas relataram que o garoto era agredido constantemente. Conforme explicou o delegado, o Conselho Tutelar chegou a ir até a residência da criança por duas vezes após denúncias anônimas. “A mãe falava que não tinha nada de errado e que as denúncias eram fantasiosas, mas os vizinhos falaram que ouviam as agressões”, disse.

Reconstituições

Danilo Fabiano conta que o caso ainda está em fase de investigação e apura dois fatos. O primeiro refere-se à responsabilidade criminal do assassinato e o segundo gira em torno da omissão da mãe da vítima, que, segundo o investigador, sabia da violência e não tomou providências para cessar as agressões.

Até agora, duas reconstituições do crime foram realizadas. Na terça-feira (1), com a presença do padrasto, e na quarta-feira (2), com a presença da mãe da criança.

O delegado informou também que as investigações devem ser concluídas na próxima semana. A Polícia segue ouvindo vizinhos e familiares para finalizar as apurações.

O Mais Goiás busca contato com a defesa dos suspeitos. O espaço segue aberto para manifestação.

Relembre

O crime ocorreu na última segunda-feira (31) quando o menino e o padrasto ficaram em casa sozinhos. À Polícia Militar (PM), o homem afirmou que ficou nervoso com o choro da criança e desferiu chineladas e socos contra o garoto. Ele relatou que tentou dar banho na vítima para tentar reanimá-la, mas sem sucesso.

Então, ele colocou o menino em um colchão e voltou a fazer os afazeres. À mãe da vítima, o suspeito disse que a criança havia caído no banheiro. Após entrevista aos militares, o homem confessou o crime.