Do Mais Goiás

Justiça goiana manda soltar megatraficante Leonardo Dias Mendonça

Juiz Oscar de Oliveira Sá Neto determinou que traficante, preso desde 2002, use tornozeleira eletrônica para “procurar emprego e/ou trabalho lícito”

O megatraficante Leonardo Dias Mendonça, apontado pelas autoridades internacionais como o maior traficante de cocaína do Brasil em 2000, ganhará a liberdade nos próximos dias. A decisão, concedida nesta quinta-feira (02), é do juiz Oscar de Oliveira Sá Neto, da 7ª Vara Criminal e de Execuções Penais de Goiânia. O magistrado seguiu determinação anterior, de conceder progressão de pena, deferida pela juíza Sulenita Soares Correia, e determinou que o “Barão do Tráfico”, como é conhecido no meio criminoso, use tornozeleira eletrônica.

Concedida nesta segunda-feira (30), a determinarção anterior concedeu a progressão de 79 anos e sete meses de reclusão. O preso teria cumprido um terço da pena e estava com comportamento considerado “bom” desde 2013. “Ressalto que, enquanto o apenado Leonardo Dias Mendonça não apresentar o comprovante de exercício de atividade laboral licita (trabalho honesto), que deverá ser fiscalizado e confirmado pela Direção da Unidade Prisional, deverá recolher, diariamente, nas dependências da Colônia Agroindustrial do Regime Semiaberto, conforme abaixo estabelecido”, decidiu o juiz Oscar de Oliveira Sá Neto.

“Oficie-se a Direção da Colônia Agroindustrial do Regime Semiaberto, comunicando a presente deliberação, para recebimento do apenado e para sua inclusão no regime semiaberto, no prazo máximo de 10 (dez) dias, nos termos da Portaria Normativa nº 05/2018, da 2ª VEP (que manda observar outras prisões), de 5.2.2018, ficando o apenado obrigado a cumprir as condições”, diz a sentença.

O preso tem de cumprir 14 restrições, entre elas, trabalhar durante o dia. Enquanto não comprovar que trabalha, Leonardo Dias Mendonça terá direito a sair das dependências do presídio das 5 horas da manhã, até 20 horas, de segunda-feira a sexta-feira, quando deverá retornar para dormir no presídio. Ele poderá sair para “procurar emprego e/ou trabalho lícito”, escreve o magistrado.

“Somente poderá circular durante o período diurno pelas seguintes cidades (área de inclusão): Goiânia, Aparecida de Goiânia, Goianira, Senador Canedo, Trindade, já que se tratam de cidades com áreas urbanas interligadas com a capital,” pondera Oscar Sá Neto. A autorização também limita que Leonardo não pode portar qualquer tipo de arma e ele fica proibido de frequentar bares, boates e casas de tolerância. Mas a determinação judicial ainda concede ao preso, caso comprove que trabalha licitamente, o direito de dormir em casa, em endereço que deve ser comprovado à Justiça.

Na segunda-feira, a juíza Sulenita Soares Correia, em substituição na 1ª Vara de Execuções Penais, concedeu ao preso o direito de progressão de pena. Com isso, o preso teria autorização para ir ao regime semiaberto — trabalhar de dia e dormir no presídio à noite.

HISTÓRICO
Leonardo Dias Mendonça, de 55 anos, foi apontado pela Polícia Federal e pela Justiça americana como o principal traficante de drogas do Brasil para os Estados Unidos e Europa. Nascido em Minas Gerais e criado em Goiás, é dono de fazendas, de rede de lojas, postos de gasolina no Pará, de milhares de cabeças de gado, terras, aviões, barcos, carros, motos e casas. Sua fortuna é estimada pela polícia brasileira em R$ 500 milhões.

De humilde office-boy, em Goiânia, que entregava correspondência de moto, Mendonça virou o homem forte das drogas no País. Começou a negociar cocaína em Itaituba e Marabá, no Pará. Ele é apaixonado por vaquejada; gosta de pilotar aviões e diz para todos que sempre escapou dos processos na Justiça por causa de suas amizades. Acusado de tráfico internacional pelos Estados Unidos, faz a ligação do tráfico brasileiro com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) de quem compra cocaína de “excelente qualidade” para distribuir no Brasil, Europa e Estados Unidos. Mendonça é investigado pela polícia brasileira há anos.

“Perto dele, Fernandinho Beira-Mar é bagrinho”, resumiu o delegado federal Mauro Spósito, em reportagem de 2002 do jornal O Estado de São Paulo. A autoridade participou das apurações sobre os negócios de Mendonça desde 1995. Spósito afirmou que o forte de Beira-Mar é abastecer favelas do Rio e de outras cidades. “Mendonça lida só com o mercado internacional”, descreveu em entrevista ao jornal paulistano.

O poder de influência de Mendonça cruza fronteiras. Ele é apontado como amigo do ex-presidente surinamês Delano Bouterse, deposto do cargo por corrupção. Desde 1999, quando a PF intensificou o cerco a Mendonça e seus sócios, aviões registrados em seu nome foram apreendidos com cocaína.

Ele responde a processos por tráfico em Goiás, Pará, Maranhão e Mato Grosso. Em novembro de 1999, foi preso em Goiânia, passou um ano e dez meses na cadeia e saiu por decisão da Justiça Federal. Foi citado no relatório da CPI do Narcotráfico, no início dos anos 2000, como o principal traficante do País e negou o envolvimento com as drogas. (com Estadão)