Justiça desestruturada

Julgamento dos acusados de matar Valério Luiz não acontece por “falta de estrutura”, diz juiz

Informação foi publicada em despacho assinado no dia 1º de abril. Filho diz que vai procurar soluções junto ao TJ-GO


Artur Dias
Do Mais Goiás | Em: 03/04/2019 às 21:08:29

Após adiamento por falta de estrutura, julgamento de acusados pela morte de Valério Luiz é marcado 
 (Foto: Reprodução)
Após adiamento por falta de estrutura, julgamento de acusados pela morte de Valério Luiz é marcado (Foto: Reprodução)

O julgamento dos cinco acusados de matar o radialista Valério Luiz não tem data para acontecer. A informação veio em um despacho assinado pelo juiz Jesseir Coelho de Alcântara. No documento, assinado na última segunda-feira (1º), ele afirma não ter condições para marcar uma data por falta de estrutura da comarca.

O despacho elenca que a segurança do local frágil (como a falta de sala reservada para os réus, falta de porta detectora de metais). Ele cita também falta de cadeiras adequadas para os jurados, precariedade de dormitórios para os jurados, entre outros problemas.

A assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), por meio de nota, afirmou que foi aprovada a construção de um novo prédio pra as varas criminais. Além disso, ressalta também que o local onde acontecem as sessões foi adaptado para que as atividades sejam realizadas até o fim das obras.

Por fim, o TJ-GO afirmou que que, até o momento, não foi formalizado nenhum pedido de providências para os problemas citados.

Demora

Valério Luiz, de 49 anos, foi morto no dia 5 de julho de 2012, no momento em que deixava seu trabalho. Segundo informações da Polícia Militar, uma moto se aproximou do carro em que o radialista estava e disparou seis tiros contra ele.

Dois anos depois da sua morte, a justiça determinou que os acusados pela fossem levados a julgamento pelo Tribunal do Júri. Entre os réus estão, o tabelião Maurício Sampaio, os policiais militares Ademá Figueredo Aguiar Filho e Djalma Gomes da Silva, o motorista Urbano de Carvalho Malta e o açougueiro Marcus Vinícius Pereira Xavier, o Marquinhos.

Por causa da demora, familiares e amigos do jornalista e cronista esportivo realizaram uma passeata pedindo celeridade no julgamento dos acusados pelo crime em 2017, no aniversário de cinco anos da morte dele.

“O Estado falhou comigo”

Em nota publicada nas redes sociais, o filho de Valério Luiz relembrou todo o caso e afirmou que irá procurar o diretor do Foro e o presidente do TJ-GO para encontrar soluções. “Não hesitarei em recorrer ao CNJ e até a instâncias de jurisdição internacional se necessário. Já é passada a hora”.

Valério Luiz Filho: “Às vezes sinto que minha vida está marcada para o absurdo”. (Foto: Reprodução/Facebook)

Valério Luiz Filho disse também que houve apoio de viaturas policiais na trama que resultou na morte do pai e que ele vai se aliar aos agentes públicos que “cumpriram seu papel com retidão”.

“As autoridades e o Estado já falharam comigo várias vezes. Basta lembrar que no próprio assassinato houve o apoio de viaturas policiais. Não entrei numa descrença completa porque muitos policiais, delegados, promotores e juízes cumpriram seu papel com retidão e percebi que precisamos nos aliar a estes e dar-lhes pelo menos uma chance de atuar”, disse o filho da vítima.