Crime hediondo

Juiz decreta prisão de policial por faltar duas vezes a júri popular, em Goiânia

Conforme o TJGO, o policial civil Aloísio Araújo é acusado de matar a esposa a tiros após briga; crime ocorreu em 2013


Thaynara Cunha
Do Mais Goiás | Em: 15/03/2019 às 17:05:51

Juiz Jesseir Coelho, da comarca de Goiânia, decretou a prisão preventiva do réu (Foto: Reprodução / Rota Jurídica)
Juiz Jesseir Coelho, da comarca de Goiânia, decretou a prisão preventiva do réu (Foto: Reprodução / Rota Jurídica)

O Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) decretou, nesta quinta-feira (14), a prisão preventiva do policial civil Aloísio Araújo de Paula Frazão, de 54 anos, após ele faltar pela segunda vez à sessão do júri popular. O agente é acusado de matar a tiros a companheira, Renata Georgiana Souza Leite, de 32 anos, em maio de 2013. Prisão foi decretada pelo juiz Jesseir Coelho de Alcântara, da 3ª Vara dos Crimes Dolosos Contra a Vida, da comarca de Goiânia.

Conforme o TJGO, Aloísio deveria ter comparecido às 8h30, no Fórum Cível Heitor Moraes Fleury, no Park Lozandes, mas isso não ocorreu. A Justiça teria intimado o réu várias vezes e, também, contatado a Corregedoria da Polícia Civil (PC) para que ele fosse alertado da data da sessão de julgamento. Contudo, Aloísio alegou estar doente e não compareceu.

Segundo o mandado de prisão preventiva, o agente teria reunido atestados médicos para alegar a impossibilidade de cumprir suas funções em um período de três dias a contar a partir da última quarta-feira (13). Aloísio teria feito o mesmo em situações anteriores.

“O Poder Judiciário não pode ficar refém de uma pessoa acusada de um crime e que quer comparecer frente à Justiça somente quando entender necessário, principalmente sendo ele um policial civil”, justifica.

Em nota enviada ao Mais Goiás, a PC informou que a Corregedoria da instituição realiza diligências desde ontem (14/03) para dar cumprimento ao mandado de prisão do policial Aloísio Araújo de Paula Frazão. A corporação não sabe onde o réu está.

Histórico

Em 30 de agosto de 2018, o então advogado de Aloísio teria renunciado defender o réu e decidido abandonar a causa. A Justiça determinou que fosse nomeado outro defensor no prazo de três dias. No dia 1º de outubro, o réu teria sido informado do fato e deveria comparecer a uma sessão do júri em 10 de dezembro.

Porém, como não Aloísio não tomou medidas, o magistrado decidiu nomear outro advogado para o réu e remarcar a sessão do júri para a última quinta-feira, 14 de março de 2019.

Relembre o caso

O crime ocorreu no dia 5 de maio de 2013, por volta de 20h, na residência do casal, localizada na Rua Salvador, do Parque Amazonas, em Goiânia. Aloísio e a esposa, Renata, teriam retornado para o apartamento onde viviam após passarem um tempo em um bar ingerindo bebidas alcoólicas. Ao chegarem em casa, começaram a discutir sobre a separação e o fim do relacionamento.

Durante a briga, Aloísio pegou uma arma de fogo e efetuou um disparo contra Renata. A esposa não resistiu aos ferimentos e morreu no local. Após o crime, o acusado fugiu.

Conforme o TJGO, a investigação concluiu que o casal vivia um relacionamento conturbado há mais de um ano e teriam se separado diversas vezes.  Como o crime ocorreu antes da criação da Lei do feminicídio, Aloísio será julgado por homicídio qualificado por motivo fútil.

*Thaynara da Cunha é integrante do programa de estágio do convênio entre Ciee e Mais Goiás, sob orientação de Thaís Lobo