VIOLÊNCIA

Jovem diz ter sido agredido por racismo e pede ajuda para se recuperar

Segundo Daniel Ribeiro, ele e um amigo, também vítima, apanharam mesmo após terem desmaiado. O caso ocorreu em Goiânia


Francisco Costa
Do Mais Goiás | Em: 18/10/2020 às 11:07:27

Daniel Ribeiro (Foto: Divulgação)
Daniel Ribeiro (Foto: Divulgação)

Daniel Ribeiro, que foi agredido e roubado Aparecida de Goiânia, no último dia 13, pede ajuda para arrecadar dinheiro para um tratamento odontológico – ele perdeu parte dos dentes da boca do lado direito – e para ajudá-lo a recuperar os aparelhos roubados e a bicicleta de um amigo. Daniel está desempregado e a única renda dele vinha dos desenhos e artesanatos. Contudo, durante a agressão ele ficou com machucados na mão direita, o que o impossibilitou de trabalhar. Ele, que é negro, afirma ter sido vítima de racismo.

O jovem estava voltando de uma praça do setor Novo Horizonte, por volta das 20h, com um amigo, Luiz – também negro –, quando ambos foram atacados por um grupo de homens. Em vídeo divulgado nas redes sociais, ele alega que a agressão foi motivada por racismo.

Além de perder dentes e machucar a mão, ele ficou com a mandíbula ferida, onde precisou levar 17 pontos na parte inferior, além de ter hematomas na costela e cintura. Um boletim de ocorrência foi feito, mas ninguém foi preso até o momento, segundo exposto.

No vídeo divulgado nas redes sociais, Daniel diz que conseguiu rastrear o celular, mas nada foi feito. “Parece que não tem justiça pra preto nesse País”, lamenta. Ainda na gravação, publicada no último dia 16, ele expõe: “Parece que a sociedade não gosta de ver preto bem vestido. Bateram na gente até perdermos a consciência. Levaram bicicletas e celulares. Parece que continuaram batendo depois que ficamos desacordados.”

Pedido de ajuda

“Eu demorei para gravar esse vídeo, porque estava com muita vergonha e dificuldade para falar”, diz chorando sem segurar as lágrimas. Emocionado, ele reconhece que é orgulhoso, mas pede ajuda. “Hoje estou quebrando meu orgulho, porque não tenho condição de arcar com todos os danos que me causaram.”

A mensagem de Daniel foi divulga na conta do Twitter moonxgo. Além dos vídeos, ela também divulgou o site da campanha de financiamento coletivo para ajudar os jovens: https://www.vakinha.com.br/vaquinha/ajude-daniel-a-se-recuperar-desse-ato-de-racismo-e-injustica.

“Em uma praça de lazer no setor vizinho, por volta das 20hrs da noite, Daniel estava pedindo um Uber para voltar para casa e seu amigo que estava de bicicleta o acompanhava até o carro chegar. Foi quando, de repente, começaram os ataques e agressões. Os agressores ficaram incomodados devido as vítimas serem negros e estarem bem vestidos e arrumados. Atacaram com golpes na cabeça que levou os dois a ficarem inconscientes. Ainda desmaiados, as agressões continuaram, aparentemente com chutes e pauladas. Daniel tem marcas de que foi arrastado pelo chão”, descreve Selina Ribeiro, autora da campanha que já conseguiu arrecadar mais de R$ 11 mil.

O Mais Goiás ligou para Daniel, mas ele não atendeu. Também foram enviadas mensagem de texto, as quais ainda não tiveram resposta. O portal tenta apurar em qual delegacia ele fez a ocorrência, a fim de questionar, porque não houve busca ao celular, após a vítima rastreá-lo.

Atualização

Daniel não pôde falar com o portal, pois ainda sentia muita dor. Contudo, a irmã dele, Selina Ribeiro informou que cerca de três homens se aproximaram e iniciaram as agressões de forma verbal, no dia do fato. “Chamaram de preto playboy, disseram que preto que não tem que se vestir assim, mas os meninos ignoraram”, detalha o que ouviu do irmão.

Segundo ela, depois disso Daniel escutou o amigo dizer “cuidado” e começaram as agressões. Selina revelou, ainda, que a ocorrência foi feita na 6ª Delegacia de Polícia de Aparecida e, mesmo com a localização do celular rastreado, eles disseram que nada poderia ser feito.

Ela disse, ainda, que os jovens não conseguiram ver com clareza os agressores. O Mais Goiás tenta um posicionamento com a assessoria da Polícia Civil (PC). O espaço segue aberto e a matéria poderá ser atualizada.

*Atualizada às 12h10