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Jovair Arantes refuta ideia de se tornar ministro e diz estar focado na Presidência da Câmara

Ele defendeu que o ex-deputado federal por Goiás Sandro Mabel seria um bom nome para ocupar a Secretaria de Governo




Jovair Arantes (PTB) não está muito interessado na Secretaria de Governo, vaga desde a saída de Geddel Vieira Lima na última sexta-feira (25), após vir à tona um escândalo de tráfico de influência. O deputado federal afirmou, em entrevista ao Mais Goiás nesta segunda-feira (28), concedida durante a inauguração da reforma da agência de atendimento ao trabalhador da Superintendência do Ministério do Trabalho em Goiás, que seu projeto é o de assumir a presidência da Câmara Federal no início do ano que vem.

“Ser ministro nos honraria. Honraria a todos nós de Goiás ter um ministro em qualquer gestão que seja profícua no sentido de resolver problemas, de ajudar a solucionar matérias importantes. Goiás estaria no centro da discussão em um ponto de vista positivo”, diz o deputado. “Mas nós temos feito um trabalho no sentido de tentar a Presidência da Câmara em fevereiro.”

No entendimento do deputado, aquele que vier a assumir a secretaria deve ter uma boa interlocução dentro do próprio Executivo. Um nome que se enquadraria nesse critério, diz Jovair, seria o do ex-deputado federal por Goiás Sandro Mabel.

O interesse do petebista está em “fazer uma nova forma de administração” na Câmara Federal, que ele defende como o “grande parachoque” sobre a discussão de temas importantes para a nação. “O importante é não dar vasão para que a especulação seja maior que a razão – isso em qualquer situação de administração — e fazer com que a Câmara volte a ter uma sintonia mais fina com a sociedade. Qualquer tema, seja ácido ou menos ácido, vai sempre cair na Câmara e as discussões serão sempre muito interessantes”, diz.

Jovair era um dos aliados do ex-presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB), cassado em setembro deste ano depois de ser apontado como receptor de propina oriunda de contratos da Petrobras com fornecedores. Na ocasião da votação em que o futuro do peemedebista foi definido na Câmara, Jovair preferiu se abster e explicou seus motivos ao Mais Goiás à época.

Combate à Corrupção

O deputado também comentou sobre as polêmicas a respeito de propostas que visam ao combate a ilicitudes cometidas por agentes públicos, como, por exemplo, as Dez Medidas Contra a Corrupção. A proposta, de autoria do Ministério Público Federal (MPF) é, a exemplo do que foi o Ficha Limpa, um projeto de iniciativa popular que precisa passar pelos trâmites convencionais do Congresso. Para ele, há muito acirramento nas discussões, o que pode ser prejudicial ao País.

“Entendo que as medidas são boas, importantes para o Brasil, que temos que votá-las – e votaremos – mas eu acredito que este não é o momento adequado. Está causando uma cisão muito forte entre o setor jurídico e da sociedade em geral. Isso não é conveniente para o momento que estamos vivendo, com os problemas que temos de Lava Jato e outras crises”, declarou.

Segundo ele, o ideal seria que a proposta parasse de ser discutida neste momento (logo após sua aprovação em comissão especial) para que volte a ser alvo de debates quando a Operação Lava Jato não for mais o centro das discussões. “A discussão está muito acirrada. Em casos assim, você pode produzir leis importantes que podem no futuro causar prejuízos no ponto de vista jurídico para outros setores da sociedade”, afirma. “Esse é o momento de parar, respirar e votar de acordo com os interesses da sociedade brasileira.”

Para o deputado, a paciência é a chave para minorar problemas endêmicos do País, como a corrupção. As propostas atuais são uma oportunidade para atender aos interesses da sociedade, mas a que a pressa pode se tornar um obstáculo no futuro, diz.

Da mesma maneira, ele defende a calma também deve prevalecer para fazer uma faxina no atual governo de Michel Temer (PMDB), que se vê cada vez mais envolvido em crises – inclusive com a cogitação de um novo impeachment – desde o caso Geddel. “Não é com uma varinha de condão que você bate e resolve. Nós temos que agir com segurança, com tranquilidade, com respeito para ir extirpando os problemas que existem, Geddel teve problema? Teve. Dá para ficar? Não. Foi embora? Foi. Vai com Deus”, pontua. “A vantagem da democracia é essa. Os podres se expõem aos olhos da sociedade e a limpeza vai sendo feita com o tempo.”