Caso João de Deus

João de Deus vira réu em denúncia de estupro de vulnerável e violação sexual

Juíza aceita denúncia contra médium de Abadiânia, e processo seguirá em segredo de Justiça; neste processo, quatro vítimas foram citadas


Jairo Menezes
Do Mais Goiás | Em: 09/01/2019 às 18:10:46

João de Deus tem novo habeas corpus negado pela Justiça goiana (Foto: SSP-GO)
João de Deus tem novo habeas corpus negado pela Justiça goiana (Foto: SSP-GO)

A Juíza Rosângela Rodrigues dos Santos, da comarca de Abadiânia, aceitou a denúncia do Ministério Público de Goiás que aponta o médium João Teixeira de Faria, mais conhecido como João de Deus , de 76 anos, como acusado de estupro e violação sexual mediante fraude. As vítimas relataram os crimes ao órgão ministerial, e descreveram que os abusos aconteceram entre abril e outubro de 2018.

Nesta fase do processo, quando a Justiça aceita a denúncia da promotoria, o acusado já passa a ser réu de um processo judicial. Das vítimas, duas descreveram que os abusos aconteceram em atendimentos coletivos. Outras duas vítimas contaram que os crimes foram praticados enquanto estavam em consulta individual com o médium.

Uma das vítimas, inclusive, já é citada em uma acusação feitas anteriormente pelo Ministério Público de Goiás, que já acolheu o depoimento de uma ativista holandesa. Ela faz denúncias de que João de Deus chefiava um esquema de tráfico internacional de bebês. A promotora que integra a força-tarefa para apurar crimes do médium, Patrícia Otoni, informou que nenhuma informação será descartada. “Os fatos narrados serão tratados com a mesma seriedade e celeridade dispensadas aos demais casos já denunciados e em apuração pelo Ministério Público de Goiás”, afirma.

Médium João de Deus (Foto: Cesar Itiberê / Fotos Públicas)

Médium João de Deus (Foto: Cesar Itiberê / Fotos Públicas)

O inquérito da Polícia Civil que apura a posse ilegal de arma de fogo de uso restrito foi concluído e encaminhado para o Ministério Público, para futura denúncia ser oferecida. Os objetos apreendidos pela PC, como notebook e pedras preciosas ainda são periciados pelo Instituto de Criminalística. Ainda não foi divulgado se os laudos têm prazo para serem entregues, mas “serão determinantes para os próximos passos da investigação”, segundo informou a Assessoria de Comunicação da PC.

Nesta quarta-feira (9) João de Deus foi ouvido dentro do Núcleo de Custódia, pela delegada Karla Fernandes, que chefia a força-tarefa da PC. A delegada não atendeu a imprensa durante o dia e, segundo a Assessoria de Comunicação da polícia, deve conceder uma entrevista coletiva na manhã desta quinta-feira (10), na sede da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic), na Cidade Jardim, em Goiânia.