Viagem

João de Deus deixa presídio para participar de audiência em Abadiânia

Médium deixou a unidade prisional na manhã desta terça-feira (2). João de Deus está preso desde dezembro do ano passado e é réu por abusos sexuais


Joao Paulo Alexandre
Do Mais Goiás | Em: 02/07/2019 às 10:37:50

Médium está detido desde dezembro de 2018 (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil).
Médium está detido desde dezembro de 2018 (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil).

O médium João Teixeira de Farias, 77 anos, deixou o Núcleo de Custódia de Aparecida de Goiânia, na manhã desta terça-feira (2), para participar de uma audiência no Fórum de Abadiânia. Conhecido como João de Deus, ele está detido desde dezembro do ano passado e é réu por abusos sexuais. Ele nega os crimes.

Por meio de nota, a Diretoria-Geral de Administração Penitenciária (DGAP) confirmou que o médium deixou o presídio. Entretanto, não informou em qual horário, se estava escoltado ou acompanhado por alguém por serem questões “restritas a segurança penitenciária”.

O Mais Goiás entrou em contato com os advogados que compõem a defesa do médium e aguarda um retorno.

RELEMBRE O CASO

João de Deus foi preso no dia 16 de dezembro de 2018 acusado de abusos sexuais durante atendimentos espirituais. Na manhã do último dia 5 de junho, o Ministério Público de Goiás (MP-GO) apresentou ao Judiciário a décima denúncia contra o médium. Desta vez, por violação sexual mediante fraude contra dez vítimas. De acordo com o documento, as práticas teriam acontecido durante atendimento coletivo na Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia, no local conhecido como “Sala de Entidade”, enquanto as vítimas passavam pela fila de atendimento. A defesa do médium afirma que ainda não teve acesso à denúncia.

Em maio, a força-tarefa do Ministério Público de Goiás (MP-GO) criada para investigar crimes sexuais supostamente praticados pelo médium apresentou a nona denúncia, em que ele é acusado de praticar estupro contra seis mulheres em condição de vulnerabilidade. Os crimes teriam ocorrido em sala privativa de atendimento individual, em Abadiânia, no Entorno do Distrito Federal. Além dos crimes sexuais, ele é investigado por posse ilegal de armas de fogo e munição, falsidade ideológica, corrupção de testemunha e coação.

Após passar mal dentro da unidade prisional, o médium passou 74 dias internados no Instituto de Neurologia, em Goiânia, em decorrência de decisão do STJ de que o médium fosse tratado em uma unidade hospitalar particular sob escolta policial. Primeiramente, em março deste ano, João de Deus ficou internado para tratar de um aneurisma da aorta abdominal que, segundo o cardiologista Alberto Las Casas Júnior, poderia lhe causar “morte súbita”. À época, ele também foi diagnosticado com pressão alta e indícios de trombose.

Em abril, o STJ prorrogou por mais dez dias a intenção do líder religioso. Desta vez, para se tratar de uma pneumonia. Em maio, a corte estendeu por mais 30 dias a internação, que teve fim na último dia 3 de junho. No dia seguinte, o STJ negou dois habeas corpus a ele e, com isso, João de Deus deveria retornar à prisão. A defesa do médium alegou, por meio de nota, que recorrerá da decisão junto ao Supremo Tribunal Federal (STF).

“Não é concebível que em pleno século XXI o sistema penal persista na prática de prender preventivamente desprezando a utilização de medidas alternativas como a prisão domiciliar e o uso da tornozeleira eletrônica, que neutralizariam qualquer perigo que o senhor João de Deus pudesse representar. Afora isso, tratando-se de uma pessoa idosa e portadora de doença vascular, além de um aneurisma na orta abdominal, é uma verdadeira crueldade o reencarceramento”, lê-se no texto.