Cartel e monopólio

JBS é alvo de denúncia nos EUA por violar lei antitruste

Criadores locais acusam a empresa de derrubar os preços artificialmente


Artur Dias

Do Mais Goiás | Em: 15/05/2019 às 21:52:52


(Foto: Reprodução)
(Foto: Reprodução)

A JBS é alvo de uma acusação de derrubada de preços artificial nos Estados Unidos. Ela e mais três empresas de empacotamento de carne são acusadas pelos pecuaristas do país de importar gado estrangeiro com prejuízo, fechar abatedouros e reduzir volumes de compra e abate. Essas manobras teriam, de acordo com a acusação, derrubado o preço dos bovinos em 7,9%.

A ação foi protocolada em Chicago pelo Fundo de Ação Legal dos Pecuaristas Unidos da América. Eles alegam que as manobras feitas pela JBS, pela Tyson, Cargill, e National Beef geraram medo nos produtores.

As quatro empresas, que controlavam mais de 80% do mercado americano de gado alimentado em 2017, registraram mais de US$ 48 bilhões em vendas de carne bovina naquele ano fiscal.

De acordo com a denúncia, as manobras realizadas pela JBS e pelas demais violaram a lei antitruste americana, criada para impedir a formação de cartéis e monopólios.

Lá e cá

Essa não é a única denúncia contra a empresa na formação de monopólios. Também em 2017, o município de São Miguel do Araguaia entrou com uma ação contra a JBS de infração da ordem econômica. A prefeitura pediu uma indenização de R$ 1 bilhão por prejuízos à cidade.

Nesse processo, a empresa é acusada de adquirir um frigorífico pelo valor de R$ 20 milhões em São Miguel do Araguaia. Logo após a compra, ela fechou a unidade, o que deixou aos produtores a única opção de vender o gado para um frigorífico da JBS, localizado a 400 km da cidade. O resultado da ação foi um déficit na arrecadação da prefeitura e a demissão de 1500 funcionários

A justiça então determinou a reabertura do frigorífico, por considerar que a inatividade do estabelecimento causou grandes prejuízos locais e tinha o único objetivo de dominar o mercado local. A decisão determinou ainda um prazo de 45 dias para que o frigorífico fosse reaberto, sob pena de multa de R$ 5 milhões, acrescida de R$ 50 mil por dia excedente.

A JBS recorreu alegando haver arbitrariedade e abuso de poder na determinação. Em outubro de 2018, o procurador Eliseu Taveira emitiu parecer que endossou a decisão tomada na primeira instância.

Procurada pelo Mais Goiás para comentar os casos, a JBS respondeu que não comenta processos judiciais em andamento.