Ton Paulo
Do Mais Goiás

Itapuranga terá que indenizar homem dispensado de hospital com larva no ouvido

Homem procurou Hospital Municipal de Itapuranga relatando dor e extremo desconforto no ouvido, mas foi mandado para casa sem tratamento

A Justiça condenou a prefeitura de Itapuranga, em Goiás, a indenizar em R$ 10 mil um homem que procurou o hospital do município com larvas no ouvido mas, mesmo sentindo muita dor, foi mandado de volta para casa. Para o juiz do caso, houve negligência no atendimento.

O caso aconteceu no dia 12 de fevereiro do ano passado. Conforme as informações do processo, o homem procurou o Hospital Municipal de Itapuranga alegando fortes dores no ouvido direito e “desconfortos agonizantes e intensos dentro da cabeça, como se estivesse algo mexendo no ouvido”. Porém, na unidade de saúde, o médico plantonista receitou um tratamento à base de benzetacil e dipirona para o tratamento e, sem solicitar qualquer exame, o mandou para casa.

Ainda de acordo com os autos, ainda com muita dor (o que o impediu de dormir à noite), o homem foi a uma farmácia no dia seguinte. Ao descrever os sintomas, ele foi orientado a voltar ao hospital, mas insistiu para que o farmacêutico o examinasse. Foi quando descobriu que havia uma infestação de larvas em seu ouvido.

O homem, então, procurou a rede particular de saúde, onde teve uma espécie de mosca morta, em decomposição, extraída do ouvido.

Atendimento negligente

Para o magistrado que julgou o caso, Denis Lima Bonfim, o problema identificado no homem pelos funcionários da farmácia poderia ter sido facilmente diagnosticado “em 12 horas antes”, no hospital. Bonfim avaliou que a conduta do médico foi “reprovável”, uma vez que, além de não pedir qualquer exame, liberou o paciente para casa sem determinação de retorno médico.

O juiz entendeu, por fim, ter havido negligência no atendimento ao paciente e condenando o Município de Itapuranga ao pagamento de indenização por danos morais de R$ 10 mil, além do pagamento de danos materiais de R$ 180,00, gerados pelos gastos com a limpeza e desinfecção da área afetada.

Ao Mais Goiás, o procurador do Município de Itapuranga, João Torres, informou que a prefeitura ainda não foi intimada da decisão, mas que deve recorrer dela.