FolhaPress

Inflação para os mais pobres quase dobra em um ano, diz Ipea

Inflação maior nessa faixa se explica pela alta de preços neste ano estar concentrada nos alimentos

Recebimento de pensão por morte terá novos prazos em 2021; veja
Recebimento de pensão por morte terá novos prazos em 2021; veja

A taxa de inflação para as pessoas de renda muito baixa aumentou 85% em novembro deste ano em relação ao mesmo mês do ano passado, passando de 0,54% para 1,0%, de acordo com o Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda.

O aumento na taxa do grupo de renda alta foi menos acentuado (48%), de 0,43% para 0,63%.

O Ipea considera na faixa de renda muito baixa famílias com renda domiciliar mensal menor que R$ 1.650,50. Para essas pessoas, a inflação acumulada em 12 meses está em 5,80%.

A inflação maior nessa faixa se explica pela alta de preços neste ano estar concentrada nos alimentos.

Em novembro, 75% da inflação do segmento mais pobre da população veio da alta do grupo alimentação e bebidas, impactada pelos reajustes de produtos como arroz, batata, carnes e do óleo de soja.

Esse grupo tem peso de 28% no orçamento dessa faixa de renda, praticamente o dobro do peso na cesta de consumo dos mais ricos.

Na renda alta, entre aquelas com ganho maior que R$ 16.509,66, o indicador em 12 meses até novembro está em 2,69%. Esse é o único segmento da população que registrou desaceleração da inflação de outubro (0,82%) para novembro (0,63%).

“Neste ano, o cenário inflacionário combinou forte aceleração de preços de alimentos com uma alta desaceleração da inflação de serviços, o que explica o diferencial da inflação entre as faixas de renda mais baixa e mais alta”, diz o Ipea.

“Dessa forma, de janeiro a novembro, enquanto a faixa de renda muito baixa registrou uma taxa de inflação acumulada de 4,6%, a variação apresentada na classe mais alta foi de 1,7%.”

A inflação oficial, medida pelo IPCA, registrou alta de 0,89% em novembro em relação ao mês anterior, segundo o IBGE, maior alta para novembro desde 2015.

Os preços de insumos que servem de base para a cadeia produtiva brasileira registram a maior alta desde o início do Plano Real até outubro, segundo a FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).