Imagens do Mais Goiás que mostram Bolsonaro ensinando criança a fazer gesto de arma repercutem no País

Registros foram feitos pela equipe do portal nesta quinta-feira durante visita do presidenciável à Goiânia. A notícia foi repercutida pelos pelos principais veículos de comunicação do Brasil e viralizou na internet


Jairo Menezes
Do Mais Goiás | Em: 20/07/2018 às 21:50:36

As imagens, captadas pela equipe do Mias Goiás, viralizaram nas redes sociais, sendo compartilhadas até mesmo por outros presidenciáveis (Foto: Mais Goiás)
As imagens, captadas pela equipe do Mias Goiás, viralizaram nas redes sociais, sendo compartilhadas até mesmo por outros presidenciáveis (Foto: Mais Goiás)

Imagens registradas pela equipe do Mais Goiás durante a visita do pré-candidato Jair Bolsonaro (PSL) a Goiânia repercutiram na imprensa nacional. Na quinta-feira (19), em cima de um trio elétrico contratado pelos apoiadores, ele pega uma criança no colo e simboliza, por meio de gestos com os dedos da menina, uma arma. As imagens viralizaram nas redes sociais, sendo compartilhadas até mesmo por outros presidenciáveis.

A ação de Bolsonaro é tida como uma incitação à violência, agravada pelo uso de menor de idade, e até os pais podem responder criminalmente, caso seja comprovada negligência. É o que explica Bárbara Cruvinel, Presidente da Comissão de Direito da Criança e do Adolescente da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Goiás (OAB).

A imagem, que foi divulgada pelos maiores portais da imprensa nacional, mostra o momento em que ele manipula a mão da menina. Não é possível afirmar qual a real intenção do deputado federal quando fez o gesto. As pessoas, apoiadoras, gritavam, entre palavras de ordem: “Mito!”.

Folha de São Paulo, O Globo, Correio Braziliense, Metrópoles, O Estado de São Paulo, Catraca Livre, entre outros veículos, repercutiram a fotografia e o vídeo produzido pela equipe do Mais Goiás. Autoridades, jornalistas e políticos, inclusive presidenciáveis, também compartilharam as imagens e se posicionaram sobre o fato (acompanhe ao final da reportagem).


A presidente da Comissão de Direto da Criança e do Adolescente da OAB-GO, Bárbara Cruvinel, explica ao Mais Goiás que é preciso avaliar se a situação ocorreu em um contexto em que ele induzia ou instigava a criança à prática de crime ou a um ato que vá contra os bons costumes, à moral e segurança. Se comprovado, pode ser considerado um ato criminoso, além de ser uma conduta reprovável.

“O Bolsonaro, ou qualquer outro cidadão que induza ou instigue a criança à prática de atos criminosos ou que ensejam a prática de crime [de incitação à violência], é uma conduta delituosa, imoral e ilegal, que ofende não só à Constituição, mas também o Código Penal, bem como o Estatuto da Criança e do Adolescente”, afirma.

Ela ainda lembra o princípio Constitucional da Proteção Integral à Criança. A presidente explica que, mesmo os pais tendo autorizado a exposição dessa criança, eles poderão responder criminalmente. “Se verificada a omissão dos pais ou responsáveis por essa criança diante da conduta do Bolsonaro, podem ser responsabilizados pelo Estado, caso seja caracterizada a incitação à violência”.

O Mais Goiás também entrou em contato com a presidência da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para comentar as possíveis implicações do ato de Bolsonaro. O presidente Lúcio Flávio não quis se manifestar, afirmando que “o caso está diretamente ligado a um político brasileiro e o país está em processo eleitoral”.

Relembre

Bolsonaro (PSL) foi recebido no saguão aeroporto Santa Genoveva por centenas de apoiadores. Palavras de ordem foram fortemente entoadas por várias pessoas vestidas de preto, jovens batiam continência ao avistar o presidenciável, e ambulantes vendiam camisetas e adesivos do político.

Em coletiva à imprensa goiana, Bolsonaro fez várias afirmações polêmicas. Entre elas, questionou um dos repórteres: “Você sabe se eu sou gay? Eu também não sei se você é. A nossa vida particular não interessa para ninguém”, disse. Afirmou que não é racista, por ter sogro negro, e disse que a solução para estupros é que as mulheres andem com arma na bolsa, ao invés da “cartilha de feminicídio”.

No discurso, o presidenciável fez questão de salientar que aquela ação não era propaganda política, mas um encontro ocasionado pela passagem na capital a caminho de Rio Verde, onde participou de uma feira de agronegócio.

Repercussão