Economia

Ibovespa cai 1,98% com influência de Petrobras após suspensão de reajuste

A semana já vinha sendo marcada por elevada cautela no mercado, por conta de ruídos no cenário político em torno da reforma da Previdência


Estadao Conteúdo
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Do Estadao Conteúdo | Em: 12/04/2019 às 19:17:32


(Foto: Reprodução)
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Fortemente influenciado pelas ações da Petrobras, o Índice Bovespa teve nesta sexta-feira, 12, sua quarta queda consecutiva. O recuo da empresa em aplicar reajuste de 5,7% no preço do óleo diesel, com influência do presidente Jair Bolsonaro, trouxe forte clima de desconfiança no mercado e os papéis terminaram o dia com perdas expressivas. Com volume financeiro superior à média dos últimos dias (R$ 20,2 bilhões), o Ibovespa terminou o pregão aos 92.875,00 pontos, em queda de 1,98%. No acumulado da semana, a perda foi de 4,36%.

A semana já vinha sendo marcada por elevada cautela no mercado, por conta de ruídos no cenário político em torno da reforma da Previdência. Segundo diversos analistas ouvidos pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, nos últimos dias, o noticiário político reforçou a percepção de que a tramitação da reforma será mais demorada, o que levou o mercado a ajustar posições considerando a aprovação da proposta no segundo semestre. E como mais tempo implica mais riscos, a ordem foi reduzir a exposição ao risco.

O episódio da Petrobras acabou por agravar o clima que já era de indisposição do investidor. A notícia de que a estatal adiou o reajuste de 5,7% do diesel “por alguns dias”, após contato do presidente Jair Bolsonaro, foi lida como um sinal claro de ingerência política nos preços da estatal. No início da tarde, Bolsonaro disse que ficou surpreso com o reajuste e admitiu que telefonou para Roberto Castello Branco, que posteriormente confirmou o contato. Bolsonaro ressaltou que não é intervencionista e que não vai praticar a “política que fizeram no passado”, mas que os caminhoneiros precisam ser tratados com “carinho e consideração”. Bolsonaro afirmou ainda que a Petrobras terá de convencê-lo sobre o ajuste de 5,7%, uma vez que a inflação projetada para o ano é inferior a 5%. Ao final do dia, Petrobras ON e PN registraram perdas de 8,54% e 7,75%, respectivamente. Em valor de mercado, a estatal perdeu R$ 32,3 bilhões.

“Os sinais de ingerência política na Petrobras foram um balde de água fria para o investidor que está atento ao plano de desinvestimento da empresa. O evento tem efeito direto sobre a credibilidade da empresa e cria dúvidas quanto à atratividade das subsidiárias que a companhia pretende vender. Esse pode ter sido um evento pontual, mas trouxe à tona temores do passado”, disse Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença Corretora. As ações da BR Distribuidora caíram 4,10%

O “efeito Petrobras” acertou em cheio as ações de outras empresas estatais, também pelo temor de perda de atratividade nas privatizações. Banco do Brasil ON fechou em queda de 3,17% e Eletrobras ON e PNB perderam 5,24% e 4,97%, respectivamente. Nos piores momentos do dia, o Ibovespa chegou a cair 2,36%, aos 92 516,32 pontos.