Homem que recebeu descarga elétrica aguarda cirurgia de emergência há 5 dias em um hospital de Goiânia

Família relata que o homem está a três dias sem se alimentar devido a dieta pré-operatória, porém a data da cirurgia ainda não foi marcada.

Homem que recebeu descarga elétrica aguarda cirurgia de emergência há 5 dias em um hospital de Goiânia (Foto: Reprodução/Pixabay)
Homem que recebeu descarga elétrica aguarda cirurgia de emergência há 5 dias em um hospital de Goiânia (Foto: Reprodução/Pixabay)

Um homem aguarda uma cirurgia de emergência há cinco dias no Hospital Estadual de Urgências Governador Otavio Lages de Siqueira (Hugol), em Goiânia. A pedido da família, o Mais Goiás não divulgará a identidade da vítima. Ele é marceneiro, tem41 anos e recebeu uma descarga elétrica de 220 volts no domingo (10), quando encostou em um fio de energia desencapado Ele tentava retirar um refletor da residência onde morava.

A esposa, de 27 anos, disse que a família havia resolvido se mudar para uma residência maior porque os materiais e equipamentos de marcenaria ocupam bastante espaço. Na noite de domingo, o homem, acompanhado do filho de 10 anos, retornou à antiga residência para retirar um refletor de luz instalado em um poste.

O acidente

Ao tentar remover o refletor, ele não percebeu que havia um fio desencapado e recebeu uma descarga elétrica de 220 volts. Com medo de o filho também ser atingido, o homem arremessou o fio para longe, o que o fez receber outra descarga elétrica, dessa vez mais forte, ao ponto de queimar as pontas dos dedos e quebrar o braço direito em três partes. Mesmo ferido, o homem retornou para casa.

“Por medo do meu filho triscar nele e receber a descarga elétrica também, ele conseguiu a tirar o fio da mão dele e recebeu algo que fez ele quebrar o braço em três lugares. Quando meu filho viu o que aconteceu com o pai dele, ele tirou a camisetinha dele, mesmo chovendo demais, e fez tipo uma tipoia para o pai dele colocar o braço” relatou a esposa ao Mais Goiás.

“Ele tava preocupado comigo, mas a minha preocupação tava nele. A gente conseguiu entrar no carro e eu fui orando até chegar em casa. Na hora, meu papai tava tão do choque que ele ficou pulando e tentando entrar embaixo do carro” relatou o filho que presenciou o acidente.

Busca por tratamento médico

Na manhã de segunda-feira (11), o homem solicitou uma corrida por aplicativo para ir ao hospital em Trindade, cidade onde a família reside atualmente. Depois de vários cancelamentos por parte dos motoristas, ele conseguiu ir ao hospital da cidade. De lá, foi transferido para o Hugol, em Goiânia. A esposa estava em Mato Grosso a trabalho e retornou a Goiás assim que soube do acidente.

Por volta de 13h, o homem chegou ao Hugol, onde ficou dois dias no corredor do hospital com fortes dores no braço, sem tomar banho, medicado com morfina (para amenizar as dores) e em jejum pré-operatório. Além disso, o hospital não permitiu a presença de um acompanhante.

Na tarde de terça-feira (12), o homem foi transferido para um quarto, onde continua a aguardar a cirurgia – que é considerada de emergência. De acordo com mensagens do próprio paciente para a família, a pele na região da fratura está escurecendo, a infecção interna está aumentando e as dores estão indo em direção ao peito e aos pulmões.

“Meu marido trabalha com os braços, ele precisa dos braços dele. Como que uma pessoa que trabalha com isso fica quatro, quase cinco dias com o braço fraturado, sem fazer uma cirurgia? O braço dele este todo roxo e ele diz que sente um osso mexendo no outro. E se acontecer alguma coisa, como que meu marido vai fazer pra trabalhar?” questiona a esposa.

A família relata ainda que o homem não está recendo os cuidados mínimos, como auxílio para tomar banho ou para se alimentar, mesmo impossibilitado de movimentar o braço. Ele teria entrado na sala de cirurgia às 5h da manhã na terça-feira (12), mas a operação foi cancelada por causa do feriado de Nossa Senhora da Aparecida.

Quem é o paciente?

O homem é casado, pai de duas crianças pequenas e responsável por cuidar da mãe, uma idosa de 76 anos que possui problemas de varizes e dificuldade para se locomover. Além disso, é a maior fonte de renda da família.

Ele trabalhava como supervisor de empresas, mas foi demitido no início da pandemia. No auge da transmissão da Covid-19, a família contraiu o vírus, mas foi medicada e sobreviveu.

Sem conseguir um emprego, o homem decidiu montar o próprio negócio com a esposa. Então começaram a fabricar moveis de pallet. Aos poucos conquistaram clientes e o ofício virou o sustento da família.

A família mora de aluguel e tem planos de conquistar uma casa própria. “O que faz ele ficar mais doente do que já tá, é que a gente tinha muitas encomendas, muito trabalho que a gente tinha que entregar e agora não tem como mais” afirmou a esposa.

Posição do hospital

O Mais Goiás recebeu um áudio onde o médico relata que está aguardando um outro médico para realizar a cirurgia: “O doutor que resolve isso aí só vem terça e quarta no hospital, mas a gente não quer esperar até terça, a gente quer arrumar mais um Doutor para ele fazer excepcionalmente seu caso, para resolver logo. Se for fazer isso é amanhã, no final do dia, início da noite, mas a gente ainda está organizando.”

A reportagem tentou contato com o Hugol para solicitar um posicionamento do hospital, mas não houve retorno.