Violência

Homem negro morre após ser espancado por seguranças em Porto Alegre; vídeo

Caso aconteceu dentro de supermercado, às vésperas do Dia da Consciência Negra. Carrefour reúne uma série de casos de violência


FolhaPress
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Do FolhaPress | Em: 20/11/2020 às 08:58:15

Homem aparece sendo espancado por seguranças do Carrefour no RS (Imagem: Reprodução/Twitter)
Homem aparece sendo espancado por seguranças do Carrefour no RS (Imagem: Reprodução/Twitter)

Um homem negro de 40 anos morreu na noite de ontem após ser agredido no supermercado Carrefour, na zona Norte de Porto Alegre, às vésperas do feriado da Consciência Negra. A vítima, identificada como João Alberto Silveira Freitas, teria discutido com a caixa do estabelecimento e foi conduzido pelo segurança da loja até o estacionamento, no andar inferior. Um cliente, policial militar temporário, acompanhou o deslocamento, que acabou no espancamento de Freitas. O segurança e o PM temporário foram presos, suspeitos de homicídio doloso.

Durante o percurso, acompanhado por uma funcionária do Carrefour, Freitas teria desferido um soco contra o PM, segundo afirmou a trabalhadora, em depoimento à polícia. “A partir disso começou o tumulto, e os dois agrediram ele na tentativa de contê-lo. Eles (o PM e o segurança) chegaram a subir em cima do corpo dele, colocaram perna no pescoço ou no tórax”, disse o delegado plantonista Leandro Bodoia. A cena vem sendo comparada nas redes sociais ao que aconteceu com George Floyd, que morreu sufocado por policiais nos Estados Unidos.

Vídeos que mostram o espancamento e a tentativa de socorristas de salvarem o homem circulam nas redes sociais desde a noite de ontem. As imagens mostram Freitas recebendo de um dos homens vários socos na região do rosto, enquanto o outro tenta segurá-lo. Uma mulher que estava usando proteção facial é vista perto deles, assistindo às agressões. Funcionários do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) chegaram a se deslocar até o local, fizeram massagem cardíaca, mas ele acabou não resistindo.

Ainda não se sabe a causa da morte de Freitas, o que deve ser apontado em laudo pericial. A esposa dele o acompanhava e já foi ouvida, mas disse que não presenciou as agressões. A mulher relatou que estava longe dele quando houve o desentendimento no caixa. “Ele (Freitas) chegou a fazer sinal para ela, mas achou que era brincadeira, nada de mais”, afirmou o delegado.

O PM temporário e o segurança foram levados à delegacia, mas permaneceram em silêncio durante depoimentos. Os dois estavam acompanhados de uma advogada e permanecem presos.

A polícia agora aguarda o laudo pericial e mais imagens de câmera para esclarecer o caso. A investigação segue agora com a 2ª DHPP (Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa).

Carrefour rompe contrato com empresa de segurança

Após o caso vir à tona, o Carrefour decidiu romper o contrato com a empresa de segurança e fechará a loja. Em nota, o mercado afirmou que “adotará as medidas cabíveis para responsabilizar os envolvidos neste ato criminoso”.

“O funcionário que estava no comando da loja no momento do incidente será desligado. Em respeito à vítima, a loja será fechada. Entraremos em contato com a família do senhor João Alberto para dar o suporte necessário”, disse a empresa em nota.

O Carrefour, ainda em nota, disse “lamentar profundamente o caso” e afirmou que iniciou uma “rigorosa apuração interna”.

“Para nós, nenhum tipo de violência e intolerância é admissível, e não aceitamos que situações como estas aconteçam. Estamos profundamente consternados com tudo que aconteceu e acompanharemos os desdobramentos do caso, oferecendo todo suporte para as autoridades locais.”

Carrefour teve morte de cachorro e corpo coberto por guarda-chuvas

O Carrefour reúne uma série de casos de violência. No final de 2018, um cachorro foi morto por um segurança após ser agredido por uma barra de metal em Osasco, na Grande São Paulo.

Em agosto deste ano, um homem teve um mal súbito e acabou morrendo no interior da loja no Recife. Para manter o local em funcionamento, funcionários bloquearam o acesso visual ao corpo de Moisés com tapumes e guarda-sóis. O caso gerou revolta na internet.