Mercado atacadista

“Hoje nós somos a bola da vez”, diz tesoureiro da recém-criada Associação Empresarial da Região da 44

Apresentada publicamente na manhã desta quinta-feira (15), AER44 atuará para buscar melhorias para a infraestrutura, mobilidade e segurança aos empresários, funcionários e compradores




A região da Rua 44, no Setor Norte Ferroviário, reúne 19.560 pontos comerciais, 84 galerias, shoppings e 38 hotéis com 5 mil leitos que geram 150 mil empregos diretos e atrai por mês 260 ônibus com compradores de outras cidades, Estados e Regiões do Brasil.

Os números da entidade são de que a maior parte dos compradores são do Centro-Oeste, com quase 52% dos clientes, seguidos de aproximadamente 23% vindos do Sudeste, cerca de 18% do Norte, algo em torno de 6% do Nordeste e pouco mais de 1% do Sul do País.

De olho na ligação entre esses empresários e o poder público para encontrar soluções para os gargalos de infraestrutura, trânsito, estacionamento, mobilidade e segurança desse polo atacadista de confecção, a Associação Empresarial da Região da 44 (AER44) foi lançada em café da manhã desta quinta-feira (15) no Hotel Soft In Mega Moda com uma posse pública de sua diretoria.

Jairo Gomes, presidente da AER44, afirmou que uma região que tem um tíquete médio de gastos dos compradores entre R$ 5 mil e R$ 8 mil precisa de uma entidade organizada que facilite a buscar as melhorias necessárias para a região junto ao poder público. “Ao longo desses 16 anos a região cresceu muito rápido. Precisamos falar com as autoridades para cobrar algumas atitudes necessárias, tanto por parte da prefeitura quanto do governo do Estado.”

Reivindicações
A movimentação de R$ 570 milhões mensais em vendas, com uma média de R$ 30 mil por ponto comercial da região, fez com que fosse necessária a negociação com a prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e Habitação (Seplanh), para solucionar alguns problemas, com o combate ao comércio ilegal realizado por ambulantes e camelôs. “Aqui a fiscalização estava abandonada”, afirmou Jairo Gomes.

Segundo o presidente da AER44, esse problema foi solucionado por meio de uma parceria com a Seplanh. Outra situação que incomodava os lojistas da Região da Rua 44 era a falta de segurança. “Nós empresários conseguimos colocar aqui uma companhia da Polícia. A Polícia Militar tinha problemas financeiros. Nós fizemos o espaço físico, doamos para a Polícia e eles atuam aqui.”

De acordo com Jairo, a construção do BRT nas proximidades da rodoviária de Goiânia piorou o trânsito da região, que já era ruim. “Vamos sentar com a SMT (Secretaria Municipal de Trânsito, Transportes e Mobilidade) e fazer o gestor público da SMT entender que precisa melhorar o trânsito aqui. E nós entendemos que o empresário precisa ajudar o poder público. E é por isso que essa associação existe”, destacou.

Obras
Mesmo com os problemas causados pelo trânsito com as obras de construção do BRT, os membros da AER44 apontaram que ele será um eixo de ligação à Rua 44 e suas lojas da cadeia de confecções do Estado vendidas ali. O empresário Carlos Luciano citou a ampliação da Avenida Leste-Oeste de Senador Canedo até Trindade e a conclusão do BRT como ampliação das vias que darão acesso ao comércio atacadista da região.

Já o tesoureiro da entidade, o empresário Chrystiano Cruvinel Câmara, enfatizou que esse polo do comércio da confecção fica ao lado da rodoviária e a cinco minutos do aeroporto, além de estar no centro do Brasil, o que seria uma vantagem diante de outros centros lojistas do setor, como o Brás, em São Paulo. “Hoje todo comerciante lá já sabe da Região da 44. Alguns até estão se mudando para cá”, destacou Chrystiano.

De acordo com o tesoureiro da AER44, a bola da vez do mercado atacadista da confecção é a Região da Rua 44. “Nós temos, além da localização centralizada no País, um grande potencial de distribuição. O maior polo de moda do Centro-Oeste é aqui”, declarou.

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Goiânia (CDL Goiânia), Geovar Pereira, disse que o pequeno e micro empresários não conseguem lutar sozinhos por suas causas, que eles precisam se unir em sindicatos e associações para ter força junto às autoridades. “A gente tem que fomentar a regularização desses feirantes e lojistas com a desburocratização e a redução de juros cobrados do pequeno empreendedor.”

Feira Hippie
Jairo lembrou que se não fosse a Feira Hippie, que em 1995 recebeu o título de maior feira aberta da América Latina, nada disso seria possível. “Nós precisamos lembrar que essa é uma relação muito bacana. No passado, quando se iniciaram as primeiras galerias, não era boa essa relação. Mas fizemos os empresários e os feirantes entenderem que isso aqui só cresceu por conta da feira. A feira é mãe disso tudo aqui.”

De acordo com o presidente da associação, os empresários querem ajudar a feira a se revitalizar e encontrar o formato da mudança que os feirantes querem fazer na Feira Hippie. “E nós, como associação comercial, estamos dispostos a ajudar o poder público a revitalizar aquela praça (Praça do Trabalhador)”, explicou Jairo.

Apoio
Walter de Oliveira Borges, presidente da Associação dos Feirantes da Feira Hippie de Goiânia (Asfehippie), parabenizou a criação da AER44 e disse que a nova entidade vai ajudar a Feira Hippie a crescer e melhorar com o desenvolvimento e cuidado da Região da Rua 44. “Espero que a gente forme uma parceria a partir de hoje para unidos vencer qualquer problemas que viermos a enfrentar”, afirmou.

O presidente da Asfehippie destacou que os problemas enfrentados pelos feirantes são parecidos com os dos lojistas. “Nós temos problemas com os invasores (sem autorização para atuar na feira), temos o problema da falta de estacionamento, precisamos buscar melhorias para o entorno.” Walter, que é conhecido como “Senhor Watinho”, disse que não há qualquer desavença ou problema entre os feirantes e os comerciantes da Rua 44.

De acordo com o presidente da Asfehippie, hoje a Feira Hippie tem 7.260 feirantes, com cerca de dois a três funcionários por banca. “Não é a mesma coisa dos outros anos em decorrência dessa crise. Mas a feira movimenta muito dinheiro. A gente não tem controle da movimentação de cada feira. Mas deve dar em torno de R$ 300 mil para mais por fim de semana.”

Resposta da prefeitura
O titular da Seplanh, Sebastião Leite, afirmou que é a favor do que está estabelecido na legislação. “Não é possível que o comércio legalizado concorra com aqueles que estão à margem da lei.” Para Juruna, a Feira Hippie é a grande joia da cidade. “O poder público precisa acreditar na geração de emprego e renda”, disse o secretário, que se disse amigo do presidente da AER44 há mais de 30 anos.

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista no Estado de Goiás (Sindilojas), José Carlos Palma Ribeiro, defendeu que o Legislativo da capital precisa “conhecer melhor as necessidades da Região”. “Só essa Região aqui tem capacidade de ter um terço da Câmara”, afirmou.

Participaram da solenidade o presidente do Sindicato das Indústrias de Confecções de Roupas em Geral de Goiânia (Sinroupas), Edilson Borges de Sousa, o chefe de gabinete da Secretaria Estadual de Desenvolvimento, lojistas e feirantes.

O representante do governo estadual destacou o trabalho da Agência Goiana de Fomento (Goiás Fomento), que oferece crédito subsidiado ao micro e pequeno empreendedor com juros de 0,8% ao mês, com seis meses de carência e prazo total de 36 meses para quitar o valor. Luiz Otávio disse que o governo está atento e pretende ajudar no que for possível o desenvolvimento do comércio na Região da Rua 44.