Francisco Costa
Do Mais Goiás

Grupos de Goiânia fazem manifestação e cobram justiça para Mariana Ferrer

Ato em defesa de influencer e contra o empresário André Camargo Aranha também propõe debater a cultura do estupro no Brasil; no domingo ocorrerá uma nova manifestação

Grupos de Goiânia se reúnem por justiça a Mariana Ferrer
Grupos de Goiânia se reúnem por justiça a Mariana Ferrer

O projeto Contra a Cultura do Estupro e os blocos Mulheres Goianas e Não é Não realizam, nesta quinta (5), em frente ao Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), um protesto pedindo justiça para influencer Mariana Ferrer e punição para empresário André de Camargo Aranha, que foi acusado de estuprar a jovem. O evento teve início às 17h e ainda não terminou.

Destaca-se que, em setembro, Aranha foi absolvido pelo juiz Rudson Marcos, da 3ª Vara Criminal de Florianópolis, que entendeu não haver provas suficientes para a condenação. O caso ganhou repercussão na última terça-feira (3) após trechos da audiência serem divulgados pelo The Intercept Brasil. As cenas mostram Cláudio Gastão da Rosa Filho, advogado de Aranha, humilhando Mariana. Depois de mostrar fotos dela e classificar como “ginecológicas”, ele repreende o choro e o pedido de respeito dela: “Não adianta vir com esse teu choro dissimulado, falso e essa lábia de crocodilo.”

Com as filmagens, a OAB, o CNJ e até o ministro Gilmar Mendes se manifestaram contra o comportamento do advogado. “As cenas da audiência de Mariana Ferrer são estarrecedoras. O sistema de Justiça deve ser instrumento de acolhimento, jamais de tortura e humilhação. Os órgãos de correição devem apurar a responsabilidade dos agentes envolvidos, inclusive daqueles que se omitiram”, disse o membro do Supremo Tribunal Federal (STF).

Ato

O ato desta quinta, vale destacar, respeitou o protocolo sanitário da Covid-19. O grupo também abriu uma petição na internet e recolhe assinaturas para pedir justiça. Segundo Jessika Costa, uma das organizadoras do evento e participante dos grupos citados, cerca de 70 pessoas participam do ato. “A maioria mulher.” Segundo ela o evento é por Mariana, mas também para debater a cultura do estupro no Brasil.

“Queremos que o Estado e a OAB debatam, criem políticas públicas. São 8 mulheres estupradas por dia. E só estou falando dos casos que foram feitos boletins de ocorrência. A sociedade não pode ficar cega. Precisa falar.” Sobre Mariana, a organizadora diz que ela está sofrendo, mas há uma nação com ela e a justiça será feita. “O judiciário precisa rever essa situação. Criaram uma jurisprudência que é um desfavor enorme para as mulheres para resguardar pessoas com direito e poder”, lamentou.

Vale destacar, no próximo domingo (8) ocorrerá um novo ato por Mari Ferrer. O evento, segundo Jessika, contará com esses e mais grupos. O encontro acontece às 9h, na Praça Cívica, em frente o museu. “Este é um problema de todas as mulheres. Elas precisam ir para a rua e os homens precisam abraçar essa causa”, pediu.

Caso

O caso aconteceu em dezembro de 2018. Mariana começou a divulgar o ocorrido, após perder a esperança que a justiça resolveria a situação, dada a posição do agressor na sociedade. No Instagram ela denunciou, à época: “15 de dezembro de 2018, Florianópolis, Santa Catarina. Não é nada fácil ter que vir aqui relatar isso. Minha virgindade foi roubada de mim junto com meus sonhos. Fui dopada e estuprada por um estranho em um beach club dito seguro e bem conceituado da cidade.”

De 43 anos, André é filho do advogado que representou a TV Globo, Luiz de Camargo Aranha. Ele já teve fotos ao lado de Gabriel Jesus, Ronaldo Nazário e Roberto Marinho Neto. Em 2019, ele foi indiciado pela Polícia Civil por estupro de vulnerável e os exames demonstraram conjunção carnal – introdução completa ou incompleta do pênis na vagina, além de ruptura do hímen de Mariana. Na calcinha dela, foi encontrado sêmen. Inicialmente, André dizia que nunca houve contato físico.