Do Mais Goiás

Greve dos Caminhoneiros provoca falta de gás de cozinha no Estado

Conforme Sindipetro, 90% dos trabalhadores das distribuidoras de gás estão parados pois não há trabalho a ser feito

O oitavo dia de paralisação dos caminhoneiros trouxe como consequência o desabastecimento de gás de cozinha em todo o Estado. Conforme o presidente da Sindicato das Empresas Revendedoras de Gás da Região Centro Oeste, Zenildo Dias, não há botijões em nenhum dos 246 municípios de Goiás e não há previsão de reabastecimento.

Zenildo explica que nos próximos dias pretende se reunir com o Governo de Goiás para negociar que os caminhões com GLP sejam liberados nas rodovias. O presidente do sindicato esclarece que as autocargas com o produto precisam passar por Itumbiara, onde há bloqueios de pista feitos pelos caminhoneiros.

Proprietário de distribuidora de gás de cozinha do Jardim América, em Goiânia, José Henrique Cançado acredita que os prejuízos podem chegar a R$ 30 mil. Desde sábado (26) pela manhã o estabelecimento de José está sem botijões de gás. Ele relata que nesta segunda-feira (28) mandou um de seus caminhões para buscar 60 botijões de gás P-45, utilizado em restaurantes e lanchonetes, mas não conseguiu nenhum.

José relata que os clientes habituais da distribuidora já deixaram botijões encomendados para quando o abastecimento for retomado. Ele acredita que só vai conseguir regularizar as entregas dentro de uma semana. “A notícia que tivemos é que os caminhões estão parados em Itumbiara. Então estamos de braços cruzados porque. Nós vendemos nosso gás a R$ 75 a cerca de R$ 90, mas ficamos sabendo que tem lugares vendendo a R$ 150”, argumenta.

O proprietário de distribuidora acredita que a partir desta terça-feira (29) vai conseguir abastecer alguns bujões de gás junto às fornecedoras, no entanto ele estima que não vai suprir a demanada. Dos 300 botijões necessários para o dia, José acredita que vai obter no máximo 100. Ele pontua que se não conseguir o produto ainda esta semana, o prejuízo pode ser maior ainda.

Além do prejuízo, o desabastecimento de gás de cozinha deixou boa parte dos 600 trabalhadores das distribuidoras de Goiás de braços cruzados.  Conforme o Sindicato dos Trabalhadores no Comércio de Minérios e Derivados de Petróleo do Estado de Goiás (Sindipetro), entidade que representa os trabalhadores, 90% dos funcionários estão parados por falta de serviço.

“Os trabalhadores chegam nas distribuidoras e são informados de que não há gás para ser envazado, pois não está chegando, por isso eles voltam para casa. Nós estimamos que depois que chegar eles precisem trabalhar entre 10 e 15 dias direto para regularizar a situação”, explica o diretor do órgão Daniel Melo.

O Procon Goiás esteve nesta segunda-feira (28) em diversas distribuidoras de gás de cozinha de Goiânia, investigando se há prática de preços abusivos. Por nota, o órgão informou que “os estabelecimentos devem manter a margem de lucro praticada anteriormente à paralisação dos caminhoneiros. Se for constatada elevação de preços sem justificativa, as empresas serão autuadas”.

Resposta

Por nota, o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Natural Liquefeito (Sindigás) informou que não falta gás, a causa do desabastecimento foi a dificuldade dos caminhões levarem o produto às distribuidoras. Confira na íntegra:

O Sindigás informa que algumas praças ainda possuem um estoque mínimo de GLP, apesar da situação caótica do abastecimento do produto em todo o Brasil. Por ele ser armazenável, tem a vantagem de permitir ao consumidor contar com uma reserva, em média, de até 22 dias. Grevistas e forças policiais estão permitindo apenas a passagem de caminhões com GLP granel para abastecer serviços essenciais, como hospitais, creches, escolas e presídios. Porém, caminhões com botijões de 13kg, 20kg, 45kg vazios ou cheios com nota fiscal a caminho das revendas não são reconhecidos pelos grevistas como abastecimento de um serviço essencial, o que é um equívoco, pois o produto nessas embalagens também pode ser destinado ao abastecimento de serviços essenciais. O setor de GLP trabalha com uma logística reversa, na qual é imprescindível o retorno dos botijões vazios às bases para serem engarrafados. O Sindigás reitera que há gás nas bases. O problema no abastecimento deve-se às dificuldades de escoamento do produto pelas rodovias do país. É necessário que grevistas e as autoridades que atuam nesse momento de crise, como Polícia Rodoviária Federal, ANP, Exército, entre outros atores, compreendam que o GLP é um produto essencial para o bem-estar da população e que permitam o trânsito das carretas a granel e dos caminhões com os botijões, sejam vazios ou cheios.