Agricultura

Governo libera registro de 31 novos agrotóxicos; todos são considerados perigosos ao meio ambiente

Entre os novos produtos que chegam ao mercado, 13 são altamente ou extremamente tóxicos


Thais Lobo
Do Mais Goiás | Em: 21/05/2019 às 15:15:30

Duzentos trabalhadores das regiões Sul e Sudoeste de Goiás tiveram materiais colhidos para participar da pesquisa (Foto: Michel Filho / Agência O Globo)
Duzentos trabalhadores das regiões Sul e Sudoeste de Goiás tiveram materiais colhidos para participar da pesquisa (Foto: Michel Filho / Agência O Globo)

O Ministério da Agricultura(Mapa) divulgou esta terça-feira a liberação do registro de 31 novos agrotóxicos no país. Desde o início do ano, foram 169 — o equivalente a mais de um por dia.

Dos novos produtos, oito são classificados como extremamente tóxicos; cinco estão na categoria de altamente tóxicos; 13, medianamente; e cinco, pouco tóxicos.

Em relação à periculosidade ambiental, 17 são vistos como perigosos ao meio ambiente; 13, como muito perigosos, e um como altamente perigoso.

Para um agrotóxico ser liberado no país, é preciso que ele passe pelo crivo do Ministério da Agricultura (responsável pela ciência agrônoma), Ibama (que estuda o impacto ambiental) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária ( Anvisa , que analisa os impactos à saúde).

Segundo levantamento do GLOBO, realizado com base em dados do Ministério da Saúde , as notificações por intoxicação por agrotóxico dobraram desde 2009, passando de 7.001 para 14.664 no ano passado. No entanto, segundo a Organização Mundial de Saúde, estima-se que este índice pode ser até 50 vezes maior.

Para Alan Tygel, membro da Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e Pela Vida, o governo federal está colocando “todos os seus esforços” para acelerar a liberação de novos agrotóxicos.

— Trata-se de uma promessa de campanha, porque a indústira se queixava que a entrada desses produtos no mercado exigia um processo muito longo, que durava até oito anos — explica. — O problema é que o ministério faria melhor se investisse em outras áreas, como a produção orgânica e pesquisas científicas.