Agência O Globo

Governadores do Nordeste estudam concentrar primeiras doses da Sputnik em poucas cidades

De acordo com Wellington Dias, ideia no primeiro momento é usar vacina em uma cidade de cada estado

Governadores do Nordeste estudam concentrar primeiras doses da Sputnik em poucas cidades
Governadores do Nordeste estudam concentrar primeiras doses da Sputnik em poucas cidades (Foto: Marco Verch)

O governador do Piauí, Wellington Dias (PT), afirmou neste sábado que os governadores do Nordeste estudam aplicar as primeiras doses da vacina Sputnik V — aprovada na sexta-feira, com condicionantes, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) — em uma cidade de cada estado. A ideia é reproduzir um experimento realizado na cidade de Serrana (SP), pelo Instituto Butantan, para avaliar a eficácia da CoronaVac.

A proposta foi discutida em uma reunião realizada na manhã deste sábado. Wellington Dias é o coordenador para vacinação do Fórum Nacional de Governadores, além do presidente do Consórcio Nordeste, que reúne governantes da região.

— A ideia que a gente discutiu hoje é de, provavelmente, escolher cidades. Piauí, por esse 1%, duas doses, vai receber 64 mil doses. Vamos escolher uma cidade que tenha mais ou menos 32 mil pessoas para vacinar. Vamos aplicar a primeira e a segunda dose, como foi feito em Serrana, acompanhado pelo Butanta. E assim, cada um dos estados. É mais ou menos essa a ideia — explicou em Dias, ao participar de transmissão do grupo de advogados Prerrogativas.

Na sexta-feira, a Anvisa autorizou a importação excepcional e temporária de doses da Sputnik V feita pelos estados da Bahia, Maranhão, Sergipe, Ceará, Pernambuco e Piauí, além da vacina indiana Covaxin. A decisão vale apenas para lotes específicos de imunizantes trazidos de fora e não configura autorização de uso emergencial pela agência.

Segundo a Anvisa, poderão ser importadas inicialmente 4 milhões de doses da Covaxin e outras 928 mil da Sputnik V. Após o uso das doses autorizadas, a agência vai analisar os dados de monitoramento do uso da vacina para poder avaliar os próximos quantitativos a serem importados.

O cálculo, informou a agência, foi feito da seguinte forma: no caso da Covaxin, o uso será restrito a 1% da população brasileira, considerando as duas doses. E, em relação à Sputnik, será referente a 1% da população de cada um dos seis estados solicitantes.

Estudo bem-sucedido
O estudo realizado em Serrana mostrou que a pandemia do coronavírus pode ser controlada se 75% da população for imunizada.A cidade, de 45 mil habitantes, foi escolhida para a iniciativa porque tinha um alto índice de contágio. Além disso, o projeto também mostrou que a CoronaVac é efetiva contra a variante P1, considerada mais contagiosa.

Um experimento semelhante está sendo realizado na cidade de Botucatu, também em São Paulo, mas com a vacina da AstraZeneca.