Agropecuária

Goiás tem capacidade para irrigar 5 milhões de hectares, diz presidente da Faeg

Segundo José Mário Schreiner, presidente da Faeg, o Estado já é referência na área de irrigação, como é o caso de Cristalina, mas pode avançar ainda mais


Thiago Burigato
Do Mais Goiás | Em: 01/09/2017 às 11:05:48


Goiás tem potencial para crescer ainda mais e chegar a 5 milhões de hectares irrigados. A afirmação é do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner, que fez a abertura do 2º Seminário de Irrigação de Goiás. Com o tema ‘Irrigação: eficiência e sustentabilidade na agropecuária’, o evento ocorre nos dias 31 de agosto e 1º de setembro, na sede da Faeg, em Goiânia, e reúne produtores rurais, técnicos, entidades ligadas ao setor, além de sociedade. Diversos assuntos estão sendo debatidos por especialistas do setor. A realização é da Faeg, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural em Goiás (Senar Goiás) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Goiás (Sebrae Goiás).

Segundo José Mário Schreiner, o estado já é referência na área de irrigação, como é o caso de Cristalina, mas pode avançar ainda mais, inclusive em regiões como o Vale do Araguaia. “Temos regiões bem desenvolvidas no estado que irrigam de forma sustentável”, afirma. Porém, reforça o presidente, existem desafios a serem vencidos neste segmento, principalmente ligados às questões ambientais, de infraestrutura, como a falta de acesso à energia elétrica nas propriedades rurais. “Com a privatização da Celg, esperamos poder resolver essa situação e colocar a irrigação, efetivamente, no lugar que merece”, destaca.

Situação

De acordo a consultora técnica da Faeg, Jordana Sara, Goiás irriga cerca 180 mil hectares, sendo 70% por pivô central. Entre os municípios que mais irrigam estão Cristalina, Paraúna, Campo Alegre, Água Fria, Jussara, Rio Verde, Luziânia, Morrinhos, Cabeceiras, Ipameri e Formosa. Ela explica que a soma destas áreas representa 61% da área irrigada no estado. “A irrigação é responsável pelo aumento da produtividade em até quatro vezes, sem a necessidade de abertura de novas áreas, reduzindo muito a pressão sobre remanescente nativos”, comenta.

Segundo Jordana, áreas irrigadas são verdadeiras caixas d’água, já que possuem sua ‘capacidade de campo’ abastecidas. “É muito comum durante épocas de seca, quando o nível dos cursos d’água naturalmente são mais baixos, devido redução da vazão, isso não ser evidenciado em áreas com barragens e áreas irrigadas, já que durante a seca a grande caixa d’água abastece esses cursos d'água de forma subterrânea”, explica.

Em relação à segurança alimentar, o mundo precisará aumentar 70% sua produção para garantir uma certa segurança alimentar para a população mundial. Isso porque o Brasil é apontado como responsável por 60% deste aumento. “Não existem alternativas para garantir a segurança alimentar que não a utilização de novas tecnologias. Mas a irrigação é a grande esperança e alternativa para garantir a segurança alimentar a população mundial”, pontua a consultora.

Agricultura irrigada

“Apostar na irrigação é fundamental para o desenvolvimento do agronegócio brasileiro”, afirma o pesquisador e supervisor do Núcleo de Articulação Internacional da Embrapa Cerrados, Lineu Rodrigues. Ele ministrou palestra nesta quinta-feira, 31 de agosto, no Seminário. Lineu ressalta que o sistema de irrigação no Brasil ainda é fragilizado. “É importante que os agricultores se mobilizem, se organizem em associações, cooperativas e participem efetivamente dos comitês e conselhos de forma a influenciar nas decisões que interferem no desenvolvimento da irrigação”, diz.

Outro ponto é sobre a importância da informação em relação ao uso da água na agricultura irrigada, e abordando novas metodologias para melhorar a estimativa da quantidade de água utilizada. Para o palestrante, a agricultura irrigada enfrenta atualmente importantes desafios institucionais, políticos e técnicos. “É preciso uma unidade capaz de coordenar o processo de integração entre as instituições governamentais, entre as instituições governamentais e não governamentais. Esse esforço, entretanto, só será possível e efetivo se houver um real envolvimento dos usuários”, observa.