MONITORAMENTO POR SATÉLITE

Goiás tem aumento de 69% em queimadas na região Sudoeste

A tendência em agosto é risco de moderado a alto para queimadas em todo o estado. Segundo central metereológica, grande maioria dos focos é fruto de ação humana


Eduardo Pinheiro
Do Mais Goiás | Em: 04/08/2020 às 11:48:45

Bombeiros controlam queimada em Goiás (Foto: Governo de Goiás)
Bombeiros controlam queimada em Goiás (Foto: Governo de Goiás)

A combinação de 70 dias sem chuvas – em algumas regiões de Goiás – e baixa umidade relativa do ar, tem feito o número de queimadas aumentar no estado, conforme boletim divulgado pela Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) na manhã desta terça-feira (4). Somente no mês de julho, o monitoramento realizado por satélite detectou 402 focos — um decréscimo tímido em relação ao mesmo mês de 2019, quando foram registrados 403 pontos de incêndio. A tendência em agosto é de elevação do risco de queimadas, do moderado para o alto, em todo o território goiano, mas casos detectados na região Sudoeste chamam atenção, com aumento de 69% em relação ao mesmo período de 2019.

Isso porque a região formada pelos municípios de Rio Verde, Jataí, Mineiros, Chapadão do Ceú e Santa Helena de Goiás, entre outros — é a que mais teve focos de incêndio em julho (veja o mapa). Foram 120 focos registrados no mês passado. No mesmo período de 2019 foram 71. Somente no período entre 27 de julho e 2 de agosto de 2020 o monitoramento identificou 80 focos de queimadas na região.

Entre os dias 20 e 26 de julho, Cavalcante, na região da Chapada dos Veadeiros registrou nove focos de incêndio. Foi por lá que houve ação direta do governo do estado contra o desmatamento. Já na semana seguinte, entre 27 de julho e 2 de agosto, Chapadão do Céu teve o maior número de focos, chegando a sete.

Tempo

O tempo influencia no aumento do número de queimadas no estado. Segundo levantamento do Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas do Estado de Goiás (Cihmego), há predomínio de massa de ar seco na região central do país, o que deixa Goiás com índices menores que 30% de umidade relativa, sobretudo no período da tarde. Além disso, não há previsão para chuva na próxima semana e a tendência é de que siga assim por um período mais longo.

Conforme lembra o gerente do Cihmego, André Amorim, o estado passa pelo quarto período de estiagem, que deve seguir até outubro. Isso faz com que a vegetação fique seca e propicie aumento dos casos de queimada. “Infelizmente, é muito raro um fogo espontâneo, ou seja, aquele que se inicia pela seca e alta temperatura. Nossos apontamentos mostram que são focos de queimada provocados por ação humana, que fazem mal à saúde, mas também à economia”, avalia.

Risco

O boletim também aponta para o risco de queimadas nas próximas semanas em Goiás. Em todo o estado, o prognóstico é de risco moderado a alto, sobretudo em todo Norte e Oeste goianos — com exceção da Cidade de Goiás, onde é moderado — e na região Sudoeste — exceto para a zona Noroeste entre os municípios de Doverlândia e Santa Rita do Araguaia, em que o risco é moderado.

Os parques estaduais também têm risco considerado de moderado a alto em todo o estado. Na semana de 20 a 26 de julho de 2020, por exemplo, a Área de Proteção Ambiental do Pouso Alto, na Chapada dos Veadeiros, registrou 23 focos.

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