BALANÇO SEMANAL

Goiás registra 6.750 casos de coronavírus em uma semana

Aumento foi de 50% no período. Número de óbitos saiu de 264 para 384, alta de 45,45%. Apesar dos números, contexto é de liberação das atividades econômicas na capital


Artur Dias
Do Mais Goiás | Em: 26/06/2020 às 10:40:34


O estado de Goiás registrou 6.750 casos de coronavírus em uma semana, de acordo com os dados fornecidos pela Secretaria de Estado de Saúde (SES)*. Nesta quinta-feira (25), foram registradas 20.116 confirmações, contra 13.366 do dia 18 de junho. O aumento no período foi de 50,50%.

Os números mostram que a doença se espalhou com menor velocidade no território goiano com relação à semana anterior. No último levantamento semanal feito pelo Mais Goiás, que apurou dados publicados entre os dias 11 e 18 de junho, o crescimento foi de 73,67%. O aumento também é menor do que o apurado entre os dias 4 e 11 de junho (53,21%) e do que o levantado entre os dias 28 de maio e 4 de junho (62,71%).

O número de mortes por Covid-19 continua subindo em um percentual menor do que o de casos. Foram registrados 120 óbitos no período e o total chegou a 384, o que representa um aumento de 45,45%. O resultado foi maior do que nas duas semanas anteriores, quando foram registrados 39,68% (entre os dias 11 e 18 de junho) e 15,24% (entre os dias 4 e 11 de junho).

Três maiores municípios

Entre as três maiores cidades do estado, Aparecida de Goiânia registrou o maior aumento.  O número de casos saiu de 1.252 para 1.973, um crescimento de 57,58% no período. Proporcionalmente, a alta foi menor do que a notada no período anterior, quando o acréscimo foi de 65,38%. No período, ocorreram 14 novos óbitos e o total agora é de 37 vítimas fatais na cidade.

Em Anápolis, foram confirmados 154 novos casos, o que representa um aumento de 36,86%. Na semana anterior, o crescimento foi de 91,92%. Já entre os dias 4 e 11 de junho, o acréscimo apurado foi de 45,25%. De acordo com a SES, o número de casos era de 6 e agora é de 5**.

Já na capital, foram confirmados 1.545 novos casos da doença em uma semana, um crescimento de 35,13%. O aumento foi menor do que na semana anterior, que registrou 58,44% entre os dias 11 e 18 de junho, mas foi maior do que o apurado entre os dias 4 e 11 de junho (34,69%).

O total de óbitos apurado na cidade até quinta (25) foi de 138. Foram 39 mortes no período, o que representa um aumento de 39,39%. Este percentual foi maior do que o percebido na semana anterior, quando atingiu 20,73%.

Goiânia continua a ser o epicentro da doença, concentrando 29,53% dos casos do estado. Entretanto o percentual de casos da capital com relação a Goiás vem caindo. Na semana anterior, o índice era de 32,89%.

Coronavírus no Entorno do DF

A região do Entorno de Brasília apresentou um percentual de crescimento abaixo da média estadual. Em uma semana, o número de casos saiu de 2.302 para 3.180, o que representa um aumento de 38,14%. A quantia é menor do que a registrada na semana anterior, de 49,18% no período. Foram confirmadas também 23 mortes na semana, um crescimento de 34,32%.

A doença já chegou em todos os 19 municípios da microrregião. O maior número de casos foi registrado em Águas Lindas de Goiás. Lá foram confirmados 156 casos em uma semana o total agora é de 617. Em seguida vem Luziânia (494) Valparaíso de Goiás (487), Planaltina de Goiás (292) e Santo Antônio do Descoberto (291).

Isolamento social

O índice de isolamento social em Goiás voltou a diminuir nessa semana, saindo de 35,5% para 35,2%, de acordo com o monitoramento da empresa de georreferenciamento In Loco. O estado possui o segundo pior índice de isolamento social do país, perdendo apenas para o estado do Tocantins: 33,6%. A média nacional é de 38,3% e o recomendado pelas autoridades de saúde é de 70%.

Flexibilização na capital

Apesar do aumento de casos e do baixo índice de isolamento social, o prefeito Íris Rezende (MDB) publicou um decreto no dia 19 de junho que autorizou o funcionamento das atividades econômicos.  Entre outras coisas, o documento permite o funcionamento de shopping centers, galerias, centros comerciais e congêneres. Está liberado também o funcionamento com atendimento presencial do comércio varejista e atacadista e para os serviços e profissionais liberais.

A decisão foi alvo de um disputa judicial. Em decisão liminar, o juiz plantonista Claudiney Alves de Melo suspendeu o decreto. Ele argumentou que o texto “não pautou-se por elementos de ordem científica” e não foi submetido ao Centro de Operações de Emergência em Saúde (COE), instituído no âmbito da Secretaria Estadual de Saúde, como deveria ter sido. A necessidade de fundamentação em elementos científicos está prevista na lei 13.979/2020.

A prefeitura recorreu da decisão no dia 22 de junho e, no mesmo dia, o desembargador Luiz Eduardo de Souza suspendeu os efeitos da liminar. O magistrado considerou inválido o argumento de que a prefeitura deveria ter colhido a autorização do Comitê Operacional de Emergência (COE) da Saúde, que funciona no âmbito da Secretaria de Saúde, antes de liberar o funcionamento destes segmentos econômicos. O desembargador afirma que o COE tem “mero caráter opinativo”, não autorizativo.

Os efeitos da nova norma foram sentidos no movimento das ruas. Na região da 44, vendedores ambulantes lotaram ruas na manhã de quarta-feira (24). Em um vídeo enviado por um leitor ao Mais Goiás, é possível ver várias pessoas, a maioria sem máscara, segurando sacolas com mercadorias. Movimento semelhante também foi percebido na quinta-feira (25):

 

Ver essa foto no Instagram

 

Uma publicação compartilhada por Mais Goiás (@maisgoias) em

 

Ver essa foto no Instagram

 

Agora: vendedores ambulantes lotam as ruas da região da 44 nessa manhã.

Uma publicação compartilhada por Mais Goiás (@maisgoias) em

Segundo a assessoria da Associação Empresarial da Região 44 (AER-44), as lojas da região permaneceram sem funcionar desde que o decreto estadual que determinou o fechamento do comércio entrou em vigor, no dia 17 de março. Apesar disso, os vendedores ambulantes continuaram com suas atividades no local, mesmo diante da restrição.

De acordo com representante de feirantes e ambulantes da região, Bia de Paula, lojistas também compõem a multidão percebida nesta quarta-feira. “Estão atuando na frente das lojas, já que não podem abrir as portas ainda. Precisam pagar aluguel nas galerias e por isso recorreram a essa alternativa”, sublinha.

“Antes da pandemia, não havia filas de UTI no estado”

O aumento de casos e a demanda por leitos nos hospitais tem preocupado as autoridades estaduais de saúde. Em audiência virtual com os deputados que fazem parte da Comissão de Finanças da Assembleia Legislativa de Goiás, o secretário estadual de Saúde, Ismael Alexandrino, afirmou que o próximo mês de pandemia tende a ser crítico, com a escalada do número de casos.

“Acabamos de entrar nos 30 dias mais críticos da pandemia”, disse Ismael. “O comportamento populacional se espelha muito no comportamento das autoridades. Independentemente de decretos, precisamos dar bons exemplos. Se precisamos quebrar o isolamento, que o façamos de forma responsável”.

Ismael disse que aumentou no número de UTIs oferecidas pelo Estado em relação ao mesmo período do ano passado. O secretário apresentou também um mapa que mostra uma variação de 269 leitos, em 2019, para 576 esse ano. Segundo ele, em breve serão entregues mais 10 unidades em Itumbiara e 11 em São Luiz de Montes Belos. “Antes da pandemia, não havia mais filas de UTI no estado”, comentou o secretário.

*Os dados foram colhidos no painel digital da SES ao longo da semana. Como as informações são atualizadas a cada 30 minutos, a reportagem coletou os números, dia a dia, às 16 horas. Os dados do governo do estado podem divergir das informações divulgadas pelas prefeituras de cada cidade.

**De acordo com a SES, os dados podem ser alterados para mais ou para menos de acordo com a “investigação das Vigilâncias Epidemiológicas Municipais e atualização das fichas de notificações pelos municípios nos sistemas oficiais. Diante de eventuais inconsistências nos números, estes serão atualizados a partir das correções feitas pelas cidades nos sistemas de notificação”.