Educação

Goiás pode copiar modelo norte-americano para escolas estaduais

O governador Marconi Perillo se mostrou bastante entusiasmado com a experiência que surgiu nos Estados Unidos na década de 90




As “Charter Schools” norte-americanas podem ser o modelo de implantação das Organizações Sociais (OS) na rede estadual de en sino em Goiás. Após o quinto fórum do projeto Agenda Goiás, do qual o governo é parceiro, realizado em Catalão no último dia 3 de setembro, o governador Marconi Perillo se mostrou bastante entusiasmado com a experiência que surgiu nos Estados Unidos na década de 90. “Assim como deu certo na Saúde, a gestão das escolas estaduais por OS também dará muito certo”, antecipou Marconi.

Para o governador, a parceria público-privada (PPP) na Educação poderá, inclusive, contribuir para aumentar os salários dos professores. Além disso, ele acredita que o ensino em tempo integral também é um modelo a ser seguido pela rede estadual de ensino. “Escola de tempo integral é o caminho. Já está provado pelos indicadores, mas é preciso de dinheiro”, alertou.

Um dos palestrantes do projeto Agenda Goiás de Catalão, o senador (PDT-DF), engenheiro, economista, educador e professor universitário Cristovam Buarque avalizou a vontade de Goiás de continuar inovando quando o assunto é educação. “Público não é sinônimo de estatal. Não importa a origem do financiamento se a o aluno não precisar pagar para frequentar uma escola que ofereça um ensino de qualidade”, disse.

Para Cristovam, o Brasil tem que tentar novas experiências. “O modelo atual não serve mais. Precisamos transformar nossas escolas de carroças a naves espaciais e entrar do outro lado da fronteira da inovação. Mas nada disso vai adiantar sem educação de base de qualidade. Salvo exceções, um jovem que não termina um ensino médio com qualidade é um potencial interrompido. A desigualdade no acesso à educação não é desigualdade, é imoralidade”, afirmou Cristovam.

Salto
Goiás ocupa hoje a 1ª colocação no ranking nacional do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) no Ensino Médio. Mesmo assim, para o secretário de Gestão e Planejamento Thiago Peixoto, não é hora de acomodar. “Estamos no topo, mas se queremos continuar avançando precisamos discutir novos modelos de educação”, avaliou. Goiás vivenciou um salto educacional entre 2011 e 2013, justamente quando Thiago esteve à frente da Secretaria de Educação.

Para Thiago, o Brasil ainda tem um modelo educacional que engessa. “Temos professores altamente qualificados, alunos com potencial enorme e disposição em aprender, mas um sistema que atrapalha tanto o professor a ensinar quanto o aluno a aprender. Quando se aposta em modelos diferentes o resultado aparece. Temos que apostar que é possível algo novo”, ressaltou.

Eficiência
A consultora na área educacional Wanessa Ferreira, que participou da implantação do Pacto Pela Educação – a reforma educacional goiana que teve Thiago Peixoto à frente – e também foi uma das palestrantes do evento de Catalão, explicou que o modelo das “Charter Schools” significa escolas públicas com maior autonomia, menos burocracia e mais eficiência da gestão administrativa.

Segundo Wanessa, a responsabilidade é compartilhada entre o setor público e privado. “Com esse modelo, o mesmo recurso é usado de forma mais eficiente, com mais inovação”, destacou. E, para ela, práticas de sucesso merecem destaque. “As ‘Charter Schools’ criam uma cultura inspiradora de alta expectativa com a definição de um currículo rigoroso e a ampliação da carga horária de aula, com personalização do ensino por meio de grupos de monitoria, por exemplo”, ressaltou.

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