LEVANTAMENTO

Goiás precisará de 11 mil leitos caso adesão ao isolamento siga baixa

Estudo ressalta que, no pior dos cenários, mais de mil pessoas podem morrer até o final de junho em Goiás


Joao Paulo Alexandre
Do Mais Goiás | Em: 08/05/2020 às 22:27:54

(Foto: SES/ Goiás)
(Foto: SES/ Goiás)

Estudo realizado pela Universidade Federal de Goiás (UFG) mostra que vai ser preciso abrir mais 11 mil leitos hospitalares no Estado até junho (sendo 400 de UTI) se a adesão popular isolamento continuar baixa. Atualmente, Goiás registra índice menor que 40%. Até o fim do mês que vem, a projeção da UFG é de que morram 1.151 pessoas em função do coronavírus.

Para chegar a esta projeção, os pesquisadores estudaram dois cenários: um com um alto índice de adesão ao isolamento – realizado entre os dias 21 a 27 de abril – e outro com baixa adesão – de 14 a 27 de abril. De acordo com o professor Thiago Rangel, o estudo levou em consideração a estrutura de saúde nos 246 municípios; a velocidade de transmissão do vírus; tempo de incubação do vírus até que os sintomas se manifestem; prazo médio que um paciente internado leva para se curar; período em que um paciente fica na UTI; e a probabilidade de morrer.

No melhor cenário, será necessária a abertura de 440 leitos até o final de maio e 3950 até o fim de junho. No pior cenário, o Estado pode ter que criar 511 leitos até o final deste mês e 11.060 leitos até o próximo mês.

Avanço da necessidade de leitos caso o isolamento social se mantenha em baixa (Foto: UFG)

De acordo com o estudo, a adesão ao isolamento cai 2,5% por dia em Goiás. “Significa mais gente nas ruas. Não podemos esquecer que a pandemia avança conforme o comportamento da população muda. Também cabe ressaltar que as medidas do passado interferem no futuro”, diz Thiago.

O professor explica que a relação entre a queda na adesão ao isolamento e o aumento de casos confirmados se nota em um intervalo de dez a 15 dias. Desta forma, o impacto se observa da seguinte forma: em dez dias, nos boletins; em 20 dias, nos hospitais; e 30 dias, nos cemitérios.

“As pessoas falam muito da dengue, pro exemplo, e que ela continua matando. Mas vale ressaltar que com a dengue a gente já aprendeu a conviver e que a curva da morte se mantém neutra. O que não acontece com a Covid-19 e que é totalmente nova em todos os sentidos”, diz Thiago.

O professor afirma que a população resiste em enxergar a pandemia como uma catástrofe, “a não ser que as pessoas leiam um livro de História”. O pouco grau de instrução dos brasileiros, na opinião dele, agrava o problema. “Essa situação, por incrível que pareça é novidade para muita gente. Outro fator que afeta a situação socieconômica. A pessoa que fica presa dentro de casa se preocupa com as contas e com o que vai comer. Isso é ofensivo para a pessoa”, diz.

Atual situação

Vale lembrar que Goiás chegou a ser o estado com maior adesão da população ao isolamento social, com índice próximo a 60%. Agora, é o segundo estado com menor índice adesão, perdendo apenas para o Tocantins.

O Mais Goiás também foi atrás do quantitativo de UTIs disponíveis. De acordo com a Associação dos Hospitais Privados de Alta Complexidade do Estado de Goiás (Ahpaceg), entre os associados há 1,6 mil leitos – entre enfermarias e apartamentos e mais 500 de UTIs, o que totaliza 2,1 mil. Desse total, 100 leitos de UTI e cerca de 120 dos comuns são destinos aos doentes da Covid-19.

Já a Secretaria de Estado de Saúde (SES) informa que são 243 leitos dedicados a pacientes com coronavírus. Destes, 118 estão em implantação. Eles serão ativados de acordo com a demanda. Dos leitos já ativos são: 45 UTIs (15 em Anápolis e 30 em Goiânia) e 80 leitos de enfermaria (18 em Anápolis e  62 em Goiânia), somando um total de 125.

A pasta destaca que, do total de 45 leitos de UTI dedicados para Covid-19 já ativos, 26 estão disponíveis (57,78%) e 19 ocupadas (42,22%).Do total de 80 leitos de enfermaria, 51 estão disponíveis (63,75%) e 29 ocupadas (36,25%)  até esta sexta-feira. A estimativa é que mais 960 leitos sejam abertos, em todo Estado, em unidades divididas em Jataí, São Luis dos Montes Belos, Formosa, Luziânia, Águas Lindas, Porangatu, Anápolis e Itumbiara. Esses leitos serão em hospitais estadualizados, modulares e com convênio com prefeituras.