Cidades

Goianos trabalham na identificação de vítimas, em Brumadinho

Profissionais foram enviados a Minas Gerais para ajudar nas buscas, resgates e identificação dos corpos. Bombeiros já retornaram à capital, mas auxilliares de autopsia continuam no local do desastre


Jairo Menezes

Do Mais Goiás | Em: 05/02/2019 às 06:30:18


Goianos ajudam em trabalhos de resgate, identificação e localização de vítimas em Brumadinho (Foto: Ricardo Stuckert / Fotos Públicas)
Goianos ajudam em trabalhos de resgate, identificação e localização de vítimas em Brumadinho (Foto: Ricardo Stuckert / Fotos Públicas)

Pelo menos 14 servidores da Segurança Pública de Goiás e seis cães ajudaram nos trabalhos de buscas e identificação de vítimas em um dos maiores desastres do Brasil. Seis Bombeiros Militares e seus cães de resgate foram enviados a Brumadinho (MG) e já retornaram à Goiânia. Sete auxiliares de autópsia e um odontólogo legal continuam em solo mineiro.

Os auxiliares de autópsia Rafael Bueno Menezes, Jane Maria Cardoso, Carla Monic de Sousa, Rodrigo Boaventura, Rafael Ferraz Araújo e Elmo Dihl Oliveira têm vasta experiência na área e são capacitados para atuação na preparação de cadáveres das mais diversas situações em Goiás.

Um dos auxiliares de autópsia mais experientes de Goiás, Daniel de Carvalho Toledo, de 39 anos, tem 14 anos de trabalho na Superintendência da Polícia Técnico Científica de Goiás (SPTC) e atuou em tragédias que ficaram marcadas na história de Goiás. “Atuar nesta situação, aqui em Brumadinho, é exaustivo, porque estamos trabalhando apenas com intervalo para alimentação. A força que temos é saber que estas famílias têm no nosso trabalho o conforto, para enterrar seus parentes”, disse, em entrevista exclusiva ao Mais Goiás.

Outro destaque da equipe é o odontólogo forense, Solon Diego Santos Carvalho Mendes, que é especializado e uma das referências no País em trabalhos com identificações de pessoas por meio da arcada dentária. É também um policial com amplo conhecimento no sistema Passdata, usado pela Polícia Federal (PF).

Os profissionais já estavam no hotel e falavam com a reportagem do Mais Goiás quando foram chamados na noite desta segunda-feira (4/2) para a realização de mais três necropsias de cadáveres. As três vítimas foram encontradas no final da tarde e chegavam de helicóptero na cidade. Pelo estado de decomposição, os exames e a preparação dos corpos exigia um trabalho intenso. Eles, que teriam e já se preparavam para uma noite de descanso, não pensaram duas vezes e retornaram ao Instituto Médico Legal para realizar os procedimentos.

Experiência

Entres as atuações mais desafiadoras do pessoal da SPTC, se destacam a identificação dos corpos das vítimas da maior tragédia registrada pela Polícia Civil do Estado, em maio de 2012, quando o helicóptero da corporação caiu na zona rural de Piranhas, a 274 quilômetros de Goiânia, em linha reta, após uma viagem para reconstituição de uma chacina em Doverlândia.

Morreram os delegados Osvalmir Carrasco e Bruno Rosa Carneiro, que pilotavam o helicóptero, Antônio Gonçalves, Vinícius Batista Silva e Jorge Moreira; os peritos Marcel de Paula Oliveira e Fabiano de Paula Silva; e também o assassino confesso da chacina, Aparecido de Souza Alves.

Os corpos ficaram mutilados e, para fazer a identificação, os peritos criminais, médicos legistas, auxiliares de autópsia, odontógos forenses no Estado tiveram um exaustivo trabalho de apuração e separação dos restos mortais, para conclusão em tempo recorde dos trabalhos e liberação dos corpos.

Retiraram pedaços de gente pendurados

Rebelião de 1º de Janeiro de 2018 no semiaberto em Aparecida de Goiânia: 9 mortos (Foto: Reprodução)

Rebelião de 1º de Janeiro de 2018 no semiaberto em Aparecida de Goiânia: 9 mortos (Foto: Reprodução)

Outra situação que trouxe reconhecimento para o trabalho dos goianos foi registrada no primeiro dia de janeiro de 2018. Era a tarde do dia que terminou em carnificina. Presos de uma das alas invadiram a área rival, na Colônia Agroindustrial de Aparecida de Goiânia, a área ocupada por detentos do regime semiaberto. Nove morreram e pelo menos 22 ficaram feridos.

Entre os corpos, haviam decapitados, desviscerados, carbonizados e a identificação aconteceu por meio de DNA, papiloscopia (impressões digitais) e arcada dentária. O trabalho dos auxiliares de autópsia ainda foi de encontrar vísceras espalhadas, inclusive, nas cercas em cima dos muros.