Pautas

Goiânia pode ganhar feriado pelo Dia da Consciência Negra

Em visita ao prefeito, a mãe da vereadora Marielle Franco, Marinete da Silva, e o presidente da Câmara, Romário Policarpo, conversaram com Iris acerca desta possibilidade e sobre homenagem à parlamentar carioca


Francisco Costa
Do Mais Goiás | Em: 20/11/2019 às 18:56:23

Romário, Iris e Marinete, mãe de Marielle (Foto: Divulgação)
Romário, Iris e Marinete, mãe de Marielle (Foto: Divulgação)

Marinete da Silva, mãe de Marielle Franco, esteve nesta quarta-feira (20), Dia da Consciência Negra, em Goiânia. Junto com o presidente da Câmara de Goiânia, Romário Policarpo (Patriota), ela esteve reunida com o prefeito Iris Rezende (MDB). No encontro, a mãe da ex-vereadora do Rio de Janeiro e o vereador goiano solicitaram que a data se torne feriado na capital e, ainda, para que o próximo Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) a ser inaugurado na cidade receba o nome da vereadora do Rio, assassinada em 14 de março de 2018.

Segundo Romário, que já prepara os projetos para apresentar na Câmara nesta quinta-feira (21), o prefeito Iris foi receptivo às demandas e se comprometeu com as duas. “Pelo que ela fez e representa na luta das minorias”, defendeu a homenagem.

Apesar do pedido de Policarpo pelo reconhecimento do feriado, o presidente da Casa de Leis não vê razão para celebrar o Dia da Consciência Negra. “Não tem que comemorar porcaria nenhuma. Temos um governo federal que tenta colocar que todos são iguais, mesmo sabendo que não é.”

Anteriormente, em entrevista ao Mais Goiás, Romário também criticou as falas do vereador Oseias Varão, que “desacreditou” dados do IBGE que apontam que negros têm 2,7 mais chances de ser vítima do que brancos. Além disso, a pesquisa revela que, entre 2012 e 2017, foram registradas 255 mil mortes de negros por assassinato.

Prefeitura de Goiânia

Em nota ao Mais Goiás, a Prefeitura confirmou que vai instituir o feriado em comemoração ao Dia da Consciência Negra. “A decisão foi tomada pelo prefeito Iris Rezende em reunião com o presidente da Câmara, Romário Policarpo, Marinete Silva, mãe da ex-vereadora pelo Rio de Janeiro, Marielle Franco, o secretário municipal de Direitos Humanos, Filemon Pereira, e representantes do Movimento Negro Unificado.”

Segundo a assessoria, Iris declarou: “Pode apresentar o projeto, vereador, que ele será sancionado. A população negra de Goiânia, Goiás e do Brasil merece o nosso trabalho e o nosso reconhecimento.”

Apesar da demanda, o texto não confirmou sobre a homenagem a Marille com o nome em um Cmei. Porém, foi informada a possibilidade de implantação de um Museu da Consciência Negra na capital.

Marielle Franco pode ser homenageada em Goiânia com nome em Cmei

Marielle Franco pode ser homenageada em Goiânia com nome em Cmei (Foto: Reprodução)

Marielle Franco

A vereadora Marielle Franco foi assassinada no dia 14 de março de 2018, junto com o motorista Anderson Gomes. Atualmente, respondem pelos crimes os ex-policiais Ronnie Lessa (reformado) e Élcio Queiroz (expulso da Polícia Militar do Rio de Janeiro), presos no dia 12 de março deste ano.

Recentemente, foi divulgado que porteiro do condomínio Vivendas da Barra citou o nome do presidente Jair Bolsonaro (PSL) no inquérito sobre o assassinato da vereadora. Ele atribuiu ao “Seu Jair” da casa 58, de Bolsonaro, a autorização para a entrada do ex-policial militar Élcio de Queiroz.

Porém, Élcio, acusado de dirigir o carro usado no assassinato de Marielle e Anderson, foi à casa de um vizinho do presidente, o policial aposentado Ronnie Lessa. Ele é o acusado dos disparos. Segundo o porteiro, a pessoa que teria atendido pela residência 58 sabia onde o visitante ia: para o número 65/66.

Deputado federal à época, Bolsonaro estava na Câmara naquela data. A perícia do Ministério Público do Rio (MPRJ), que foi questionada por especialistas ouvidos pelo jornal Estado de S. Paulo, apontou que foi Lessa quem autorizou a entrada de Élcio.

Segundo a reportagem, o MPRJ, não revelou se algum arquivo foi apagado ou renomeado antes de ser entregue.