Sonho realizado

Gari com deficiência visual é aprovado no Enem e vai cursar História na UFG

Rogério perdeu a visão há três anos e estudava em apostilas de braile, além das leituras feitas pela filha, de 17 anos


Fabricio Moretti
Do Mais Goiás | Em: 06/02/2019 às 16:24:07

O gari Rogério trabalha na Comurg e estudará História na UFG (Foto: Luciano Magalhães Diniz / Prefeitura de Goiânia)
O gari Rogério trabalha na Comurg e estudará História na UFG (Foto: Luciano Magalhães Diniz / Prefeitura de Goiânia)

O gari Rogério Gomes da Silva, de 37 anos, foi aprovado para o curso de bacharel em História da Universidade Federal de Goiás (UFG). Ele perdeu 100% da visão há três anos, mas a limitação não o impediu de ir atrás do objetivo. A matrícula no curso foi feita na última segunda-feira (4).

Rogério sonhava em ser professor, e agora está ansioso para a nova etapa da vida. “Desde muito novo venho ultrapassando barreiras e isso foi fruto do meu esforço. Vendo as dificuldades do dia-a-dia, a única solução é estudar”, afirmou.

O futuro historiador passou por dificuldades para concluir o ensino médio, em 2016, e desde então vem se preparando para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Com o apoio da família, aliou o trabalho com os estudos e conseguiu ser aprovado no vestibular. Os estudos eram feitos em apostilas em braille e leituras feitas pela filha de 17 anos.

Ele descobriu o glaucoma – alteração do nervo óptico que leva a um dano irreversível das fibras nervosas e a perda da visão – aos 13 anos de idade.

Profissão

Rogério trabalha no Viveiro Redenção, no setor Pedro Ludovico, e compõe a equipe que faz corte e coloca terra nas embalagens recicláveis usadas na produção de mudas. Ele foi aprovado no concurso público da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) em 2006, época em que ele tinha cerca de 10% da visão.

Para os colegas de trabalho, Rogério é comprometido e determinado. O presidente da Comurg, Aristóteles de Paula, afirma que o esforço dele comprova que quando há força de vontade, não há limitações. “Estamos felizes com a aprovação, pois isso demonstra não haver limites para quem tem um sonho”, diz.