Meio ambiente

Gado morto em navio começa a ser retirado de praia do Pará

Centenas de bois mortos foram levados pelas águas do Rio Pará para as margens da praia e ficaram encalhados na areia, provocando mau cheiro e risco para a saúde





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Parte do gado que morreu semana passada, após um navio afundar em Barcarena (PA), começou a ser retirada nesta terça-feira (13) da praia do Distrito de Vila do Conde. Centenas de bois mortos foram levados pelas águas do Rio Pará para as margens da praia e ficaram encalhados na areia, provocando mau cheiro e risco para a saúde, segundo os moradores, que usam máscaras para evitar a contaminação.

O governo do Pará montou uma operação de fiscalização nas estradas, mercados e açougues em busca de carne bovina do navio, que, se consumida, pode gerar danos à saúde. Como também houve vazamento de óleo, o Laboratório Central do estado analisa amostras coletadas do rio para monitorar a qualidade da água.

O navio Haidar naufragou na manhã da terça-feira (6) no Porto de Vila do Conde, em Barcarena, no nordeste do Pará, carregado com cerca de 5 mil cabeças de gado. Três praias de Vila do Conde e o pier onde ocorreu o naufrágio foram interditados e proibidos para qualquer tipo de atividade.

De acordo com a Companhia Docas do Pará (CDP), responsável pela administração do Porto de Vila do Conde, a embarcação transportava cerca de 700 toneladas de combustível. O navio tinha 117 metros de comprimento.

A Capitania dos Portos e a Polícia Civil do Pará investigam as causas do naufrágio. Segundo o governo do Pará, os 28 tripulantes da embarcação estão sob a custódia da Polícia Federal.

Moradora da Vila do Conde, Teresa Sousa, informou que a região está “parada” por causa do mau cheiro. “Está impossível trabalhar, sair de casa. Os  comerciantes fecharam as portas e ninguém foi pescar, com medo de contaminação e por conta do cheiro. Isso é prejuízo para todo mundo, porque aqui vivemos da praia.”

Segundo Teresa, vizinhos relaram enjoos e falta de apetite. O município de Barcarena tem 115 mil moradores e a Vila do Conde, 8 mil.

A prefeitura decretou estado de emergência, considerando que a cidade enfrenta uma das piores tragédias ambientais de sua história. O governo estadual, que fiscaliza pontos de venda de carne na região, informou que uma  “grande quantidade” do produto foi apreendida para ser incinerada.

De acordo com a assessoria do governo, dentre os bois que escaparam do barco, alguns capturados por ribeirinhos, muitos acabaram abatidos nas praias, sem controle sanitário. Além disso, a contaminação pelo óleo derramado da embarcação tornam a carne imprópria para consumo humano.