Atraso

Funcionários denunciam salários atrasados e más condições de repouso no HDT, em Goiânia

De acordo com os trabalhadores, não há previsão para que o pagamento seja efetuado. A reportagem aguarda o posicionamento da unidade de saúde

Saúde

Jessica Santos
Do Mais Goiás | Em: 02/05/2019 às 13:04:52

MP-GO e HDT investigam supostas fraudes em folhas de pontos de médicos (Foto: Divulgação)
MP-GO e HDT investigam supostas fraudes em folhas de pontos de médicos (Foto: Divulgação)

Funcionários do Hospital Estadual de Doenças Tropicais (HDT), em Goiânia, denunciaram à equipe de reportagem do Mais Goiás, na manhã desta quarta-feira (2), que os salários referentes ao mês de março não foram pagos. De acordo com eles, o pagamento, que deveria ser feito até o 5° dia útil de abril, não tem previsão de ser efetuado. Trabalhadores também relatam atraso no pagamento da segunda parcela do 13° salário, além de más condições de repouso no local. Sindicato de trabalhadores da Saúde também registra denúncias correlatas.

Segundo funcionária que preferiu não ser identificada, o atraso tem sido comum nos últimos meses. A mulher conta que o hospital tem efetuado o pagamento entre os dias 15 e 25, após o prazo previsto. No entanto, houve piora com relação a março. Isso porque o mês de abril chegou ao fim e nem todos os funcionários foram pagos. Conforme explica ela, metade dos trabalhadores que ganham menos de R$ 4 mil já receberam. Porém, não há previsão de pagamento para as pessoas que ganham acima deste valor.

“Nós estamos sem receber e a direção simplesmente não fala nada a respeito do assunto. Temos que tratar essa questão com RH, mas já fomos avisados que eles não querem que perguntemos. Ficamos sem saber como proceder. Nossas contas não param. Está tudo atrasado, cartões, cheques e despesas de casa”, disse.

A mulher relata ainda que os funcionários ficaram sem janta nesta quarta-feira (1º). Segundo ela, foi um problema pontual, que nunca ocorreu antes. “A gente entende que imprevistos acontecem. A empresa disse que houve um problema e por isso não tinha comida suficiente para todos. Não deram outra opção. Tivemos que jantar fora sem ter dinheiro, já que não recebemos. A situação está complicada. Precisamos de ajuda”, lamentou.

Além do atraso referente ao mês de março, um outro funcionário que também pediu para não ser identificado contou à reportagem que ainda espera pelo pagamento da segunda parcela do 13°, que deveria ter sido paga em dezembro de 2018. De acordo com ele, não há previsão de recebimento nem justificativa para o atraso. O homem afirma que somente alguns trabalhadores receberam o 13° completo. “Nossa opção é esperar. Não podemos paralisar as atividades sob o risco de dispensa”, comenta.

Más condições

Os funcionários também relataram más condições com relação ao repouso nas enfermarias, emergência e pediatria. Por conta da carga horária de 12h, os trabalhadores se revezam para descansar a noite. Segundo relatos, não há cama para todos e algumas pessoas precisam dormir no chão.

“A opção que temos é colocar um colchão rasgado no chão e deitar. Temos uma carga horária exaustiva e esse descanso não tem sido feito de forma correta. É difícil trabalhar assim, mas não podemos reclamar”, disse outro funcionário.

Sindicato

A presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Saúde no Estado de Goiás (SindSaúde-GO), Flaviana Alves, confirmou à reportagem que a entidade tem recebido denúncias com relação ao atraso. De acordo com ela, a Instituto Sócrates Guanaes (ISG), Organização Social que gere o hospital, alega que o Governo não faz o repasse total e, por isto, o pagamento é feito conforme o fluxo do hospital.

Segundo Flaviana, o Sindicato já formalizou documento e encaminhou à Secretaria de Estado de Saúde de Goiás (SES-GO). “Entendemos que pagamento de funcionário é prioridade. A falta de pagamento pode adoecer os trabalhadores e se isso acontece ele não tem condições de cuidar dos pacientes. A situação deixa claro que este modelo de gerenciamento das OSs não funciona, já que nem as questões salariais são resolvidas”, criticou. A presidente orienta que os funcionários acionem a Justiça para que a gestão seja punida.

Por meio de nota, a SES informou que o assunto deve ser tratado diretamente com a unidade de saúde e com a Organização Social gestora do hospital. Em nota, o HDT, que é gerido pelo Instituto Sócrates Guanaes (ISG), justificou atraso nos repasses do governo estadual. Confira:

“O Hospital Estadual de Doenças Tropicais Dr. Anuar Auad (HDT), gerido pelo Instituto Sócrates Guanaes (ISG) desde junho de 2012, esclarece que, com relação à denúncia de falta de pagamento salarial, devido ao atraso nos repasses, fez-se necessário um fracionamento do pagamento, conforme informado à SES/GO, tendo os colaboradores que compõem a faixa salarial de até R$ 4.000,00 sido pagos no último dia 15 de abril, o que representou 72% de toda a força de trabalho do hospital. Somente no final da última terça-feira, 30 de abril, a Secretaria de Estado da Saúde realizou o complemento do repasse que permitiu o pagamento do restante dos colaboradores. O montante foi creditado nas contas dos funcionários hoje pela manhã, primeiro dia útil após o feriado, em razão do prazo demandado pelas operações bancárias.

Já com relação às condições de repouso dos funcionários nas enfermarias, emergência e pediatria do hospital, esclarece que houve um desgaste prematuro do mobiliário devido à sua utilização, mas que ajustes foram feitos recentemente visando à melhora da estrutura. A unidade ressalta, ainda, que um dos processos de compras de novos equipamentos para a referida área ainda não avançou, pois aguarda a destinação de recursos de investimentos pela SES/GO.”