Fernández aumenta salários na Argentina

O presidente, que assumiu o cargo no dia 10 de dezembro, adotou um pacote de medidas econômicas e impositivas de emergência


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Do FolhaPress | Em: 04/01/2020 às 14:40:32

Férnandez, presidente da Argentina (Foto: REUTERS/Agustin Marcarian | Via Agência Brasil)
Férnandez, presidente da Argentina (Foto: REUTERS/Agustin Marcarian | Via Agência Brasil)

O governo argentino anunciou nesta sexta-feira (3) um reajuste salarial de 4.000 pesos (o equivalente a cerca de R$ 270) para os trabalhadores do setor privado, diante da perda do poder aquisitivo provocada pela inflação, que se segue a uma profunda crise econômica que atinge o país.

“Os 4.000 [pesos] são um reajuste salarial, não um bônus, nem um pagamento extraordinário”, disse em entrevista à imprensa o ministro do Trabalho, Claudio Moroni.

Para os trabalhadores do setor público se aplicará um esquema similar, que será anunciado na próxima semana, acrescentou Moroni.

Sobre o reajuste para o setor privado, o ministro destacou que o “aumento será igual e uniforme para todas as escalas”.

Primeiro será dado um reajuste de 3.000 pesos, em vigor a partir de janeiro. Os outros mil pesos restantes entrarão em vigor nos salários referentes a fevereiro, totalizando os 4.000 pesos de aumento, detalhou o ministro.

Com um salário mínimo de 16.875 pesos mensais (pouco mais de R$ 1.140), os sindicatos esperavam um reajuste mais significativo após um ano de inflação galopante.

Estima-se que a inflação tenha fechado 2019 a 55%. Para efeitos de comparação, o IPCA, a inflação oficial brasileira, deve fechar 2019 em torno de 4%, segundo as últimas projeções do mercado.

O governo argentino espera que o reajuste salarial tenha “um efeito dinamizador na demanda”, e isentou as pequenas e médias empresas do pagamento das contribuições relacionadas ao reajuste pelo prazo de três meses.

O presidente Alberto Fernández, que assumiu o cargo no dia 10 de dezembro, adotou um pacote de medidas econômicas e impositivas de emergência para tentar superar a pior crise econômica na Argentina em quase 20 anos.
Fernández também enfrenta o desafio de equilibrar as exigências sindicais às necessidades de um setor produtivo
golpeado por uma recessão que já dura mais de um ano.

A equipe econômica do governo negocia com FMI (Fundo Monetário Internacional) e detentores de títulos privados em busca de um acordo para redução da dívida antes dos vencimentos relativamente grandes previstos para o segundo trimestre deste ano.

Na quinta-feira (2), Fernández afirmou que um pacto social firmado pelo governo com empresários e sindicalistas envia uma “mensagem contundente” aos credores de que a economia do país deve ser reativada para que o país possa pagar sua dívida.

“A Argentina deve crescer primeiro e depois cumprir suas obrigações”, afirmou Fernández em entrevista à Rádio 10. “Essa foi uma mensagem muito contundente para o Fundo e para os credores.”

Há duas semanas, o governo garantiu o apoio de empresários e sindicatos ao “Compromisso Argentino pelo Desenvolvimento e à Solidariedade”, uma declaração de intenção de remover a Argentina da recessão e da alta inflação.

O documento diz que a vontade de pagar requer condições compatíveis com a atenção da dívida social e o crescimento da economia. “Sem isso, seria impossível cumprir as obrigações assumidas pelo país”.

O FMI tem dito que compartilha os objetivos de Fernández, mas precisa conhecer seus planos econômicos antes de discutir uma reestruturação da dívida.

Na entrevista à Rádio 10, o presidente disse esperar a chegada de uma missão do FMI à Argentina, embora não tenha indicado uma data precisa.

Enquanto negocia com os credores, o ministro da Economia, Martín Guzmán, honrou os pagamentos de títulos internacionais que expiraram no final de dezembro.

No entanto, também adiou vencimentos locais que já haviam sido adiados pelo governo do ex-presidente Mauricio Macri.