Crime contra saúde pública

Farmácia é interditada por vender medicamentos tarja preta e anabolizantes sem receitas, em Goiânia

Proprietário não foi encontrado no local. Segundo funcionários, ele quem recebia os clientes e realizava as negociações em uma sala secreta no fundo da drogaria


Joao Paulo Alexandre
Do Mais Goiás | Em: 10/01/2018 às 11:45:06

Farmácia estava regularizada para vender e comprar os medicamentos, mas não fazia de forma correta (Foto:PC)
Farmácia estava regularizada para vender e comprar os medicamentos, mas não fazia de forma correta (Foto:PC)

Uma farmácia localizada na Avenida 85, no Setor Sul,  foi interditada na manhã desta quarta-feira (10) por revender remédios de tarja preta e anabolizantes sem prescrição médica. A ação teve a participação da Delegacia de Repressão a Crimes Contra o Consumidor (Decon), Vigilância Sanitária Municipal de Goiânia e Conselho Regional de Farmácia (CRF), com apoio do Centro de Apoio Operacional (CAO) do Consumidor do Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO).

De acordo com o delegado Frederico Maciel, coordenador da ação, o local tinha permissão legalizada para a comercialização de medicamentos. Porém, o local contava com uma sala escondida nos fundos do estabelecimento, onde era realizada a transação com consumidores de forma ilegal. “A sala das negociações ficava atrás de um tapume de madeira e era utilizada com o intuito de burlar as fiscalizações no local”, destaca.

Ainda segundo o delegado, cerca de 100 caixa de medicamentos psicotrópicos (tarja preta) e anabolizantes foram apreendidos. No local, os agentes também localizaram receitas médicas em branco. “Em uma farmácia regular isso não pode acontecer. A receita tem que estar devidamente preenchida com dados do cliente e na responsabilidade de um farmacêutico, profissional que não tinha no local”, comenta Maciel.

Medicamentos tarja preta eram vendidos sem prescrição médica (Foto: PC)

Na hora da busca, haviam quatro funcionários na farmácia. Eles informaram que o proprietário estava viajando e teve a sua identificação preservada pela polícia. Todos foram ouvidos e liberados. “Eles relataram que as práticas aconteciam há quatro anos e que o próprio dono é quem recebia os clientes e realizava as vendas. Após prestarem depoimentos, eles foram liberados já que não têm comprovações de participações dos mesmos no crime”, relata Maciel.

De acordo com o delegado, o dono do estabelecimento poderá responder por crime contra saúde pública e por tráfico de drogas, pela revenda dos psicotrópicos sem receita. Se condenado, poderá pegar até 30 anos de prisão pelos dois crimes.

Local só será reaberto após passar por adequações (Foto: PC)