Do Mais Goiás

Família denuncia venda de suposto remédio clandestino por médica de Goiânia

Alergista receitou produto a criança de sete anos, que apresentou piora no quadro de saúde. Cremego fala em infração ética

Uma família residente em Caldas Novas denunciou a venda de suposto remédio clandestino comercializado por uma médica alergista em um consultório de Goiânia. (Foto: reprodução)
Uma família residente em Caldas Novas denunciou a venda de suposto remédio clandestino comercializado por uma médica alergista em um consultório de Goiânia. (Foto: reprodução)

Uma família residente em Caldas Novas denunciou a venda de suposto remédio clandestino comercializado por uma médica alergista em um consultório de Goiânia. A medicação, vendida por R$ 600 sem bula ou indicação de princípio ativo, foi receitada a uma criança de 7 anos, segundo parentes. Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) diz que venda é uma infração ética passível de advertência e até de cassação do registro profissional.

Junior Andrade é tio do menino e conta que a criança foi levada ao consultório pelos avós maternos há cerca de 10 dias com crise alérgica. No local, o garoto, que possui plano de saúde particular, foi submetido a um exame cobrado a parte pela médica. De acordo com o homem, a justificativa dada pela profissional foi de que o sistema do plano estava com problema e, por isto, a cobrança era necessária.

Após realizar o exame e entrevista com a criança, a médica, conforme relata o tio, receitou um remédio para o tratamento da alergia. A venda da medicação foi feita pela alergista no próprio consultório. “A médica alegou que somente ela tinha esse medicamento porque era importado. O que causou estranheza foi a receita superficial dada por ela, além, é claro, de não conter nenhuma informação sobre a composição do remédio. Também não tinha caixa ou bula. Foi entregue apenas um vidrinho”, disse.

Depois de ficar sabendo da indicação da alergista, Junior conta que tentou entrar em contato com a médica para saber informações do remédio. A solicitação, no entanto, não teve retorno. Ele alega que a secretária da profissional se recusou a enviar detalhes sobre o medicamento.

A criança, de acordo com o relato do tio, chegou a fazer o uso do remédio por cerca de uma semana. O menino não apresentou melhora e a família diz que percebeu certa piora do quadro. “Ela alegou também que era um remédio de uso contínuo, que deve ser adquirido mensalmente. Mesmo utilizando a medicação, meu sobrinho continua tossindo e com bastante coriza”.

(Foto: reprodução)

Sem resposta

Junior afirma que, apesar das inúmeras tentativas de conversa, não obteve retorno da médica. “A alergista só fala por meio da secretária e ela não tem nos dado resposta. Estamos sem posição nenhuma. Queremos saber do que é composto o remédio porque pode ser que seja apenas água com açúcar. Precisamos de um posicionamento”, reivindicou.

O Mais Goiás tentou contato com o consultório em que a médica atua por volta das 12h20 e foi informado de que a mulher faz atendimentos no local apenas no turno matutino. O portal aguarda retorno da profissional. O espaço está aberto para manifestação.

(Foto: reprodução)

Infração ética

Em nota, o Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) disse que a venda de remédios por médicos em consultórios constitui infração ética. A entidade cita que o artigo 68 do Código de Ética Médica veda aos profissionais “exercer a profissão com interação ou dependência de farmácia, indústria farmacêutica, óptica ou qualquer organização destinada à fabricação, manipulação, promoção ou comercialização de produtos de prescrição médica, qualquer que seja sua natureza”.

A infração, conforme o Conselho, é passível de penas que podem variar desde advertência confidencial à cassação. “Denúncias devem ser encaminhadas pelos pacientes ao Cremego para a apuração e a adoção das medidas cabíveis”, pontua.

Para o diretor da Vigilância Sanitária de Goiânia, Dagoberto Costa, é comum alergistas pedirem aos pacientes testarem determinados alérgenos. Os remédios, porém, precisam ser manipulados. “Temos que ver se foi isso ou se a médica manipulou. Ela não pode manipular”

Dagoberto afirma que é preciso ir ao local para verificar se ainda há amostras e investigar, para desdobrar a fiscalização.