EUA: júri não acusa policial que matou negro e causa revolta

A cidade de Ferguson teve noite violenta por confrontos entre manifestantes e policiais; decisão judicial revoltou multidão


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A polícia de Ferguson foi alvo de tiros de manifestantes revoltados com a decisão da justiça de não indiciar o policial branco que matou um jovem negro desarmado em agosto, informou o chefe de polícia de St. Louis.

John Belmar descreveu uma noite de fúria e extrema violência, mas afirmou que ninguém foi morto. Doze prédios ainda estavam em chamas, horas depois do anúncio do promotor, e 29 pessoas foram detidas.

A decisão, aguardada por centenas de pessoas nas ruas de Ferguson, provocou novos distúrbios na cidade, já sacudida por protestos em agosto passado.

O policial Darren Wilson não será acusado judicialmente pela morte do jovem negro Michael Brown, que estava desarmado quando foi baleado em agosto na cidade de Ferguson, Missouri. O anúncio foi feito na segunda-feira pelo promotor Robert McCulloch.

O promotor foi o encarregado de anunciar a decisão de um grande júri, que deliberou durante três meses sobre a morte de Michael Brown, que recebeu seis tiros do policial Wilson.

“Darren Wilson não será acusado em conexão à morte de Michael Brown ocorrida em 9 de agosto em Ferguson”, afirmou McCulloch.

Segundo ele, o júri trabalhou “intensamente” durante os últimos meses e encontrou inconsistências no depoimento das testemunhas que incriminavam Wilson.

“Não há dúvida de que Darren Wilson matou. Darren Wilson foi o agressor inicial. Mas foi autorizado a usar força letal em autodefesa”, afirmou McCulloch.

Logo após o anúncio, por volta das 2h GMT (0h em Brasília), manifestantes passaram a atirar objetos contra os policiais, aos gritos de “sem justiça não há paz”. Os agentes reagiram lançando bombas de gás lacrimogêneo para dispersar a multidão, constatou a AFP.

Em nota enviada à imprensa, a família de Brown afirmou que ficou “profundamente desapontada que o assassino de seu filho não enfrentará a consequência de suas ações”.

“Estamos profundamente decepcionados de que o assassino do nosso filho não tenha que sofrer as consequências de seus atos”, declarou a família de Brown, pedindo “respeitosamente que qualquer manifestação seja pacífica”.

“Juntem-se a nós em nossa campanha para que todo policial nas ruas desse país use uma câmera acoplada a seu corpo. Nós respeitosamente pedimos que vocês, por favor, protestem pacificamente. Responder violência com violência não é a reação mais apropriada”, informou o comunicado. “Não vamos fazer apenas barulho; vamos fazer a diferença”, acrescentou a nota.

A morte do jovem provocou uma onda de protestos, muitas vezes violentos, em meio a críticas sobre os armamentos usados pela polícia para reprimir as manifestações.

Na semana passada, o governador do Missouri, Jay Nixon, declarou Estado de emergência na área e convocou 400 militares da Guarda Nacional em antecipação a protestos caso não houvesse acusações formais no caso. Ele também havia pedido moderação antes do anúncio.

Michael Brown, 18 anos, morreu no dia 9 de agosto atingido com seis tiros disparados por Darren Wilson, 28, em plena luz do dia em uma rua de Ferguson, cidade de cerca de 21.000 habitantes do subúrbio de Saint Louis.

A polêmica morte reavivou as tensões raciais e provocou manifestações que muitas vezes terminaram em distúrbios. Quase 70% da população de Ferguson é negra, mas as autoridades políticas e policiais são majoritariamente brancas.