Estudo aponta problemas estruturais devido à umidade em pontes e viadutos de Goiânia

Assinado pelo Crea, em parceria com a PUC Goiás e Ipabe, resultado apontou quase 80% das estruturas sofrem com o problema que podem danificar, inclusive, a sustentação da construção

Com objetivo de oferecer um diagnóstico sobre as condições de pontes e viadutos de Goiânia, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Goiás (Crea-GO) aprestou um estudo em relação ao tema nesta terça-feira (12). No resultado, foi comprovado que quase 80% das construções viárias sofrem com algum problema relacionado a umidade. Além disso, outras ações prejudiciais à estrutura também foram encontradas durante os sete anos em que o estudo foi feito.

Para o relatório, o estudo contou com cerca de 50 profissionais na área da engenharia e foi também contou com a parceria da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás), Instituto Brasileiro de Avaliações e Períciais de Engenharia de Goiás (Ipabe-GO), além de consultores independentes.

De acordo com Ricardo Barbosa Ferreira, coordenador do estudo e professor da PUC Goiás, foram avaliadas 68 construções denominadas de Obras de Arte Especiais (OAE). Destas, 51 pontes e 17 viadutos foram inspecionados. Sobre o resultado, foi levado em consideração o Grau de Deterioração que se baseia em uma escala que varia de um a cinco.

O problema mais encontrado foram manchas de umidade, existentes em 53 construções. Logo em seguida vem a lixiviação – que são passagens de água pelo concreto e a degradação do material  – encontradas em 71% das estruturas.

Em terceiro lugar, os engenheiros encontraram corrosão de armadura em 62% das construções da capital. Ricardo aponta que esse é o resultado de maior preocupação, pois essa corrosão deteriora o aço de dentro do concreto e pode comprometer a estrutura da ponte e, consequentemente, a segurança das pessoas.

Outros problemas que foram encontrados são a falta de elementos funcionais – como guarda-corpo, guarda-rodas, sinalização – (57%), segregação – que são desagregações de concreto – (35%), fissuras (24%) e encontros danificados – entre a ponte e a via – (12%).

“Nenhuma construção civil convive bem com a passagem da água. Na nossa casa, por exemplo, se o telhado tiver vazando vira um caos. […] As pontes e viadutos também não.”, destaca Ricardo, que chama atenção da ponte que foi inaugurada recentemente na Rua 1018, sobre o Córrego Botafogo. Apesar de nova, a via já sofre os efeitos da falta de recursos que ajudem impedir a infiltração da água.

Apesar de contar com apenas dois anos, ponte sofre com alguns problemas estruturais (Foto: Divulgação/ Crea)

PONTOS Críticos

Com o levantamento, o estudo fez um ranking das construções que precisam urgentemente de ações por parte dos órgãos públicos responsáveis. Dez pontes, segundo o estudo, necessitam de atenção especial. A ponte da Avenida T-63, sobre o Córrego Cascavel, é que apresenta os problemas mais graves, tanto que sua nota foi 1,1. Apesar disso, o professor garante que não há necessidade de interdição imediata.

“Essa avaliação detalhada [para a interdição] precisa ser feita por meio de um estudo aprofundado. O que a gente chama atenção é que essa deterioração tem sido rápida. Em três anos, a gente viu que o quadro se acelerou muito gravemente e, em cada período chuvoso, isso pode se agrava ainda mais”, destaca.

À esquerda, a ponte em 2015. À direita, foto tirada no ano passado . (Fotos: Bontempo, Lopes, Carvalho e Bandeira)

Em seguida ficou a ponte que fica sobre o Córrego Água Branca, na Avenida das Pirâmides. A nota da estrutura foi de 1,4. Outras oito pontes foram avaliadas com notas que variam de 1,9 a 2,6. Entretanto, Ricardo explica que ações de curto prazo devem ser feitas para que não cheguem na situação das já citadas.

“A primeira providência que deve ser feita é de investimento baixo e que deveria ser feito a curto prazo de maneira generalizada. Quase 80% das pontes apresentam uma falha no sistema de drenagem e nos ensaios de termografia já ficou apontado que, onde tem umidade, tem problema grave”, ressalta.

As únicas construções que não foram avaliadas foram os viadutos da Avenida 85 devido a existência das placas de alumínio. Ricardo destaca que nenhuma construção no Brasil conta com o modelo adotado pela prefeitura, pois é necessário saber a ação do tempo na estrutura, o que se torna escondido com a instalação dos moldes.

DISPONIBILIZAÇÃO à Prefeitura, Estado e Concessionária

O presidente do Crea, Francisco Almeida, destaca que o estudo será disponibilizado aos órgãos competentes para que seja viabilizada alguma saída. Além disso, o Conselho conta com um sistema que apresenta a área georreferenciada contendo informações sobre as situações de todas as pontes que foram avaliadas pelo estudo.

“Os técnicos colaboraram sem nenhum recurso financeiro e querem contribuir com o desenvolvimento sustentável. O estudo está compilado e será disponibilizado ao prefeito, Seinfra, Governo Estadual e concessionária para achar soluções para que esses possíveis erros e acidentes não aconteçam”, afirma.

O QUE dizem os citados 

Procurada, a Prefeitura de Goiânia, por meio de nota, disse que “não vai se manifestar, pois não recebeu o relatório”. Já a Triunfo Concebra, concessionária da BR- 153, disse que “faz monitoramento constante e o viaduto especificado está dentro dos parâmetros funcionais e estruturais que as normas exigem”.