Educação

Estudantes ocupam o Lyceu; são três escolas ocupadas em três dias

Jovens são contrários à proposta do governo estadual de entregar a administração de algumas unidades de ensino para as Organizações Sociais





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Um dos colégios mais importantes de Goiânia, o Lyceu, foi ocupado na manhã desta sexta-feira (11/12) por estudantes contrários à proposta do governo estadual de entregar a administração de algumas unidades de ensino para as Organizações Sociais (OSs). Agora, já são três escolas ocupadas em três dias.

A primeira ocupação em Goiás ocorreu na quarta-feira (9/12), no colégio José Carlos de Almeida, no Setor Central. Nesta quinta (10), foi a vez do Colégio Robinho Martins Azevedo, no Jardim Nova Esperança.

Uma página do Facebook, intitulada “Secundarisas em Luta-GO”, tem postado novidades sobre as ocupações e servido como porta-voz ao movimento, que se declara autônomo e independente a qualquer organização e entidade. Segundo os autores da página, o combate às OSs se deve ao fato de que esse modelo de administração precarizaria as condições de trabalho dos professores, “pois aumenta a produtividade sem necessariamente aumentar o salário”, além de gerar instabilidade, já que o regime seria por CLT, e não mais por concurso público.

Além disso, os estudantes reclamam da possibilidade de remanejamento dos alunos para outras escolas e de cobranças de mensalidade, assim como ocorre nos colégios militares. Eles criticam também o aumento da quantidade de alunos em sala, reduzindo o investimento para cada um e prejudicando o aprendizado.

Em nota, a assessoria do governo afirmou que todos os que estão ocupando o Colégio Estadual Robinho Martins Azevedo, especificamente, “são ligados a partidos políticos de esquerda e a universidades que tentam manipular a opinião pública”. Segundo o texto, há sindicalistas e representantes de sindicatos “infiltrados” na unidade.

O MAIS GOIÁS entrou em contato com integrantes do movimento para comentarem as acusações, mas, até o momento, não houve resposta.

Pelas fotos e textos postadas na página do Facebook, os estudantes demonstram estar dedicando seu tempo à manutenção da própria escola e a atividades como oficinas e dança. No entanto, a página alerta que “por questões de segurança só tão entrando secundaristas, pessoas conhecidas e apoiadores que consigam se identificar” [SIC].

O movimento em Goiás se espelha naquele ocorrido no Estado de São Paulo, quando 196 escolas foram ocupadas contra a proposta de “reorganização” escolar, que previa o fechamento de mais de 90 escolas e afetaria mais de 300 mil alunos. As ocupações começaram em 9 de novembro e forçaram o governador Geraldo Alckimin a revogar a medida, o que foi oficializado no ultimo sábado (5).

Visita da OAB-GO

As Comissões de Segurança Pública e Política Criminal e dos Direitos da Criança e do Adolescente da OAB-GO visitaram na manhã desta quarta-feira (10) o Colégio Estadual Professor José Carlos de Almeida, que está ocupado por estudantes e professores que protestam contra o projeto do Governo de Goiás de terceirizar, com Organizações Sociais, a administração das escolas públicas.

O intuito da visita da OAB-GO é foi de defender o direito dos alunos de se manifestar, como explicou o presidente da Comissão de Segurança Pública e Política Criminal, Jorge Paulo Carneiro Passos. “A historia do Brasil mostra que as manifestações populares costumam ser fortemente repreendidas pelo Estado, por isso, colocamos a OAB-GO à disposição para intermediar as conversas com os poderes estatais. Estaremos vigilantes em relação a qualquer problema que estes jovens possam ter, como violência ou violação do direito a liberdade de expressão”, disse Jorge Paulo.

Segundo o presidente da Comissão de Direito da Criança e do Adolescente, André Vinícius Dias Carneiro, o direito dos jovens à educação deve ser preservado, conforme estabelece o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a manifestação de ser respeitada. “A ocupação é legítima, mas, estamos preocupados com a integridade física deles, que correm o perigo de uma repressão mais forte”, afirma André.