Fraude nas provas

Estudantes e professores protestam contra a suspensão do curso de medicina na PUC-GO

Em nota, universidade acusou alunos de conivência com a fraude e reiterou que suspensão continua

Cidades



Cerca de duzentos estudantes e professores do curso de Medicina da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Goiás protestaram na manhã desta sexta-feira (10) em frente à Reitoria da instituição. Os manifestantes reivindicam a realização do vestibular para o curso de medicina, que foi suspenso pela universidade na semana passada.

O vestibular de medicina deveria ser realizado no dia 25 de junho, mas a PUC-GO acabou divulgando um comunicado no dia 1º, onde informava sobre a suspensão da prova. A universidade justificou que a medida é em decorrência das investigações da tentativa de fraude praticada no processo seletivo do dia 7 de novembro de 2015, que ainda estão inconclusas.

A justificativa, contudo, não convenceu os alunos e professores da instituição, que foram pegos de surpresa com a notícia. “Recebemos essa notícia com muita surpresa e através da imprensa, o que demonstra que a reitoria não se preocupou em dialogar com os alunos e professores. Nós parabenizamos a PUC pela investigação, mas suspender o vestibular de medicina por causa disso? Não há nexo, não é justificativa plausível”, disse o professor, Robson Azevedo, que também é pai de um aluno do curso de medicina da instituição.
Protesto
Para os estudantes e alunos presentes no protesto, a suspensão do vestibular para investigação do caso não isenta o processo de eventuais fraudes. Eles ainda acusam o curso de ser discriminado em relação a outros. “As informações são de que os alunos fizeram provas em vários cursos, então todo o processo seletivo da PUC está comprometido, não é só o de medicina. Nós entendemos que essa é uma ação arbitrária”, ressaltou Azevedo.

Prejuízos

Os manifestantes também alegam que a suspensão do vestibular poderá causar prejuízos na estrutura pedagógica do curso, além de impactar no atendimento à comunidade, que é realizado pelos alunos em diversos hospitais e instituições conveniadas em Goiânia e no interior. “O curso é por módulos, ele tem uma sequência, com determinado número de professores por módulos, então professores podem ser demitidos. É impossível realocar todos os professores”, garantiu o presidente da Associação dos Professores da PPUC-GO, Joseleno Santos.

Suspensão continua

Em nota divulgada ontem, a PUC-GO reiterou que não vai admitir novos alunos no curso de Medicina “enquanto as responsabilidades de todos os envolvidos na tentativa de fraude não forem apuradas e punidas por meio do processo administrativo disciplinar em andamento”.

Sobre a manifestação contrária de alunos e professores do curso, a instituição disse, em nota, que causa “estranheza” e acusou alunos de conivência com o crime.
“Causa-nos muita estranheza observar que muitos desses que agora se manifestam contra a decisão da PUC, durante seis meses, estiveram sentados calados ao lado de colegas supostamente envolvidos na autoria ou que se beneficiaram de fraude e de práticas de corrupção.”

A universidade ainda afirma que “há fortes indícios de vários outros estudantes envolvidos na prática de corrupção, pois teriam contratado a quadrilha para conseguirem aprovação no vestibular” e de que pelo menos um pai de estudante de Medicina da PUC liderava a associação criminosa. “Alguns pais certamente participaram da tentativa de fraude comprando a aprovação de seus filhos”, destacou, em nota.

Em relação ao possível corte de professores, a PUC-GO disse que já lidou com diversas situações semelhantes e que tem equipes especializadas para “fazer remanejamentos, reformular matrizes curriculares e encaminhar as melhores soluções para as questões que se apresentam no cotidiano da gestão acadêmica”.