Estupro de Vulnerável

Estudante foi estuprada no dia em que deu entrada no hospital, diz delegada

Jovem morreu no último dia 26 de maio. De acordo com a unidade, o óbito foi em decorrência de uma pneumonia hospitalar. Homem nega que tenha praticado os abusos e se manteve em silêncio durante oitiva


Joao Paulo Alexandre
Do Mais Goiás | Em: 29/05/2019 às 16:22:25

Técnico de enfermagem se manteve em silêncio durante depoimento (Foto: Divulgação/ PC)
Técnico de enfermagem se manteve em silêncio durante depoimento (Foto: Divulgação/ PC)

A estudante de 21 anos que morreu na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Goiânia Leste (HGL), no Setor Universitário, foi estuprada no dia em que deu entrada na unidade. É isso que destaca a delegada Paula Meotti, da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam). O suspeito do crime é o técnico de enfermagem Ildson Custódio Bastos, de 41 anos, que se apresentou de forma espontânea à delegacia, mas foi preso após expedição de prisão preventiva dada pelo juiz Alessandro Manso e Silva, da 7ª Vara Criminal.

Ildson preferiu ficar em silêncio durante o depoimento. De forma informal à esposa, o técnico contou que estava trocando a fralda da paciente. O advogado dele, Leonardo Silva Araújo, destacou que o homem nega veementemente o crime, que o mesmo não possui antecedentes criminais e que ele não se apresentou antes pois temia pela sua vida. “Ele alega que não praticou nada além daquilo que estudou como enfermagem. Nós não tivemos ainda acesso as filmagens e estamos no aguardo de cópias delas. Ele teve receio em se apresentar pois começaram a circular fotos deles em redes sociais e áudios em grupos pedindo para encontrá-lo. Sua apresentação hoje é até por questão de segurança”, conta.

O técnico de enfermagem trabalhava há um ano e cinco meses no hospital. De acordo com Paula, a estudante deu entrada na unidade no último dia 16 de maio com quadro de crises convulsivas, das quais a família relatou que a jovem sofria desde os 14 anos. Diante do seu quadro, ela precisou ser internada na UTI e, na madrugada desse primeiro dia internação, o técnico teria cometido os abusos.

“As imagens são claras. Ele se aproxima próximo ao leito da vítima, fecha a cortina do leito ao lado e coloca as mãos por debaixo do lençol, na região da genitália da vítima, e pratica atos libidinosos. Isso teria começado por volta das 2 horas da manhã e se estendido até após às 3 horas [da manhã]”, destaca Paula.

Vítima chegou a se contorcer e quase caiu no chão enquanto foi abusada (Foto: Divulgação/ PC)

A delegada conta que as imagens do circuito de segurança da unidade mostram que, quando o ato foi mais contundente, a estudante se contorce e quase cai do leito quando era abusada. Segundo Paula, como a paciente tinha oscilações de consciência, ela estava amarrada na cama, o que impossibilitava a reação da vítima.

Na manhã do dia seguinte, a jovem relatou o caso aos prantos a uma enfermeira. A profissional comunicou o fato a direção da unidade, que posteriormente localizou as imagens. Aos diretores da unidade, Ildson disse que os mesmos poderiam ver as imagens, pois não havia acontecido nada demais. “Essa certeza com o que ele falou nos preocupa e por isso estamos levantando informações para verificar a possibilidade dele já ter cometido abusos anteriormente a esse caso. Apesar disso, ainda não temos relatos nesse sentido”, ressalta Paula.

Por meio de nota, a empresa que terceiriza os serviços no HGL, Supreme Care, destacou que o servidor foi afastado das suas funções no dia 17/05 e, após registro do boletim de ocorrência no dia 21/05, o funcionário foi “demitido por justa causa”.  Além disso, o hospital afirma que foi dada a oportunidade do técnico de enfermagem ver a gravação, mas foi rejeitado pelo mesmo. Também destaca que a causa da morte da jovem ” não possui qualquer relação com os tristes fatos ocorridos”. Leia a nota completa na íntegra no final do texto. 

O hospital constatou que a jovem morreu em razão de “pneumonia hospitalar”. Paula destaca que aguarda o resultado do exame cadavérico. “Não é possível alegar que de forma material tenha contribuído com a morte da jovem, mas não sabemos também a até que ponto o abalo emocional possa ter influenciado ou contribuído para a piora de seu estado de saúde”,  ressalta Paula.

O inquérito segue em finalização e deve ser remetido para o Judiciário até nesta sexta-feira (31). Ildson foi autuado por estupro de vulnerável e, se condenado, poderá pegar de 8 a 15 anos de prisão.

Leia a nota completa da Supreme Care, responsável pela UTI do Goiânia Leste

No dia 17 de maio de 2019, os responsáveis pela UTI do Hospital Goiânia Leste receberam a denúncia de abuso sexual da paciente de 21 anos por meio de uma das técnicas de enfermagem da equipe. No mesmo momento, a direção tomou as primeiras medidas com o objetivo de proteger a paciente e investigar o ocorrido.

O técnico de enfermagem acusado pela paciente foi imediatamente suspenso e afastado da sua função. Um boletim de ocorrência com a denúncia foi registrado pelos responsáveis da UTI na Delegacia da Mulher, no dia 21/05/2019 e o funcionário foi demitido por justa causa nesse mesmo no dia. Posteriormente, também por iniciativa da empresa de UTI, o vídeo que mostra o suposto assédio do ex-funcionário, consistente num possível toque nas partes íntimas da paciente, também foi entregue à delegada responsável pelo caso.

Cada um dos 20 leitos geridos pela UTI possui câmera individualizada, que funciona e grava toda a movimentação da UTI, 24 horas por dia. Ao ex-funcionário foi dada a oportunidade de ver as imagens, o que foi recusado por ele.
Além de ter tomado as medidas necessárias sobre a denúncia, coube aos diretores da empresa de UTI comunicar aos pais da paciente sobre o fato e sobre as medidas já tomadas. Esclarece, por fim, que a causa da morte da paciente, em 26/05/2019, não possui qualquer relação com os tristes fatos ocorridos. A empresa está à disposição das autoridades para fornecer qualquer informação adicional que possa ajudar na investigação da denúncia.

A UTI do hospital é terceirizada
(Foto: Reprodução Internet)

*Fabrício Moretti é integrante do programa de estágio do convênio entre Ciee e Mais Goiás, sob orientação de Thaís Lobo