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Especialistas recomendam cuidar da saúde para evitar ida a pronto-socorro nas viagens

Boias, coletes, filtro solar, check-up, máscaras, álcool e alimentação equilibrada ajudam a evitar problemas

Letalidade está em alta nas rodovias federais em dezembro, diz PRF
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Com a Covid-19 em alta, os cuidados com a saúde durante as viagens para celebrar a virada do ano ou passar as férias em cidades turísticas devem ser redobrados.

O ideal, segundo especialistas, seria adiar o passeio. “Não comemore 2020 para comemorar 2021. Isso é importante”, afirma o médico Geraldo Reple Sobrinho, presidente do Cosems (Conselho dos Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo) e membro do Centro de Contingência do Coronavírus, criado na gestão Doria (PSDB).

Um dos pontos a ser levado em consideração é que, geralmente, em municípios pequenos e com pouca infraestrutura os serviços de emergência das redes de saúde pública e privada não separam os pacientes com sintomas de Covid-19 daqueles que apresentam outros problemas e tornam-se locais com alto risco de infecção.

“Os grandes hospitais e prontos-socorros fazem triagem, mas não são em todos os locais. Se você estiver numa cidade pequena é todo mundo junto. Aguarde mais um pouquinho que a vacina está chegando”, diz Sobrinho.

Para Marcelo Sampaio, clínico geral e cardiologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, o problema está nas salas de espera porque não há protocolo para separação e fluxo de atendimento a pacientes com Covid-19.

“A gente não sabe quem é quem, porque as pessoas ainda não passaram pelo médico. É ali que vai ter gente tossindo e com febre, e como os hospitais ficam muito lotados nesta época do ano, o tempo de permanência nestes locais é muito grande, aumentando o risco de infecção”, explica Sampaio.

A visita ao serviço de emergência deverá ocorrer somente em extrema necessidade. “Há pessoas que entendem pronto-socorro como consultório e vão a estes locais para tratar doenças que deveriam ser acompanhadas em consulta. Nesta época do ano, antes de ir a um serviço de emergência, fale com o seu médico de confiança sobre a necessidade. Use a telemedicina. Se for realmente o caso, vá bem protegido, use máscara e dê preferência para aguardar o atendimento em área externa”, reforça Sampaio.

Além das máscaras e de álcool gel, respeito ao distanciamento social, lavar as mãos com água e sabão, e evitar aglomerações, a missão de redobrar os cuidados com a saúde exige ficar longe dos excessos e prevenir acidentes.

A primeira orientação é cautela com a quebra de rotina. Esta faz com que o organismo sofra um fenômeno de transição com mudanças de produção hormonal e de substâncias. Se abrupta, não fará bem e levará desconforto principalmente aos mais sensíveis.

“Nas férias, as pessoas passam a beber e comer de forma que não faziam antes, dormem mais tarde, têm uma qualidade de sono ruim e acordam fora do horário normal. Faça com que essa transição seja suave”, orienta Sampaio.

Atenção com a alimentação. O corpo tem um padrão alimentar baseado no dia a dia e por isso o tempo de digestão, metabolização e absorção dos nutrientes precisa ser respeitado.

“Cuidado com as comidas pesadas e exóticas. O mesmo vale para os temperos. Faça as coisas com restrição e sempre próximo do seu ritmo alimentar”, diz o médico.

Afaste do cardápio frituras e comidas prontas nas praias, parques, nos restaurantes e bares. Se possível, leve a comida e a bebida de casa. Prefira alimentos mais leves como frutas, legumes, verduras e grelhados, além de água, sucos naturais e água de coco. Consuma gelo de locais onde conhece a procedência.

Lave as mãos antes das refeições porque as intoxicações alimentares e viroses gastrointestinais –associadas à transmissão fecal-oral em praias e piscinas– são mais comuns no verão.

Fuja dos excessos também na prática esportiva. Não espere as férias para fazer a atividade física que deixou de lado o ano inteiro. A falta de preparo ocasiona lesões e fraturas; hipertensos e cardíacos podem desenvolver problemas mais sérios como infarto ou AVC.

Paulo Nardy Telles, pediatra pela Sociedade Brasileira de Pediatria, alerta para uma atenção especial às crianças.

Na piscina e no mar, elas devem estar acompanhadas e com boias e coletes, caso não saibam nadar.

Acidentes em parquinhos aumentam no verão, principalmente em escaladas, escorregadores e brinquedos altos. Ao andar de bicicleta, patins, skate e patinete, lembre-se dos equipamentos de proteção: capacete, joelheira e cotoveleira.

Crianças e adultos devem ter cuidado com picadas de inseto, principalmente se estiverem em áreas endêmicas, onde há maior risco de contrair dengue, zika, chikungunya e febre amarela, que são mais frequentes nesta época. Use repelente sobre o protetor solar.

Além da insolação e desidratação, o forte calor está associado a queimaduras. “O principal medo que nós temos da exposição solar, que dá o bronzeado e causa queimaduras, é o câncer de pele. Por isso, as campanhas de conscientização e prevenção são importantes. Quanto mais cedo as medidas de proteção forem instituídas, menor o dano acumulado da pele ao longo da vida às custas da radiação ultravioleta”, afirma Rodrigo Munhoz, diretor da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica e coordenador do Comitê de Tumores de Pele e Sarcomas.

Munhoz recomenda o uso de protetor solar de fator 30 ou mais –mínimo de 50 para crianças. Repasse toda vez que for para a água ou suar muito e/ou a cada três horas. O uso deve ser mais frequente entre 10h e 16h e se a pessoa tiver pele mais clara, incluindo partes do corpo como mãos, nuca e orelhas. Use chapéus e roupas com proteção UV.