REPRESENTATIVIDADE

Entre 22,5 mil candidatos em Goiás, seis são transexuais ou transgênero

“Quem se elege, o faz para representar um grupo", diz Jhôanne Pereira de Amorim, mulher trans e candidata à Câmara de Goiânia


Francisco Costa
Do Mais Goiás | Em: 28/09/2020 às 16:30:03

Paolla Bracho Nascimento, candidata ao cargo de vereador em Planaltina (Foto: Facebook)
Paolla Bracho Nascimento, candidata ao cargo de vereador em Planaltina (Foto: Facebook)

Em Goiás, 22.544 pessoas estão inscritas na Justiça Eleitoral para disputar uma das 2.456 cadeiras nos legislativos municipais. Entre eles, são seis postulantes que utilizaram nome social, que são aqueles pelos quais pessoas transexuais, travestis ou qualquer outro gênero preferem ser chamadas cotidianamente, em contraste com o nome oficialmente registrado, que não reflete sua identidade de gênero.

São eles: Jhôanne Pereira de Amorim (PV), em Goiânia; Payllety Ramona Jordana (DEM), em Ipameri; Soraya Mendes Kuty Rodrigues Santos (MDB), em Morrinhos; Darphinny Myrella Cirino e Silva (PP) e Uanderson Xavier Coelho (Cidadania), em Planaltina; e Paolla Bracho Ribeiro do Nascimento (PP), em São Miguel do Araguaia.

Jhôanne é mulher trans. Para ela, apesar de poucos candidatos utilizando o nome social, já é um começo. “Se fosse um, já seria um começo”, relata a candidata a vereadora pelo PV.

Segundo ela, é importante existir essa diversidade, pois a representatividade no meio político é muito importante. “Quem se elege, o faz para representar um grupo. Só que sabe quem vive, sabe o que o passa”, relata. Ela lembra, ainda, que o Brasil é o País que mais mata trans, por isso ter representantes é tão importante.

Vale reforçar que, em 2019, o Brasil teve 124 transexuais e travestis assassinados, segundo dados da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra). O resultado colocado o Brasil em 1º lugar no ranking mundial.

Assim, Jhôanne ainda faz questão de frisar que não se trata de opção, mas uma condição sexual. “Algo particular de cada um.”

Jhôanne (Foto: Reprodução)

PV

O presidente PV estadual e pré-candidato a prefeitura de Goiânia, Cristiano Cunha, disse que a sigla defende a diversidade. “Quando o presidente nacional [José Luiz de França Penna] soube [da Johânne], ele ficou muito contente com a diversidade, que é uma bandeira defendida.”

Segundo Cristiano, o partido também tentou uma candidatura indígena, mas foi em cima da hora e não possível. Ele diz que o José Luiz também estava feliz com a possibilidade.

PP

Paolla Bracho Nascimento, candidata em São Miguel (Foto: Facebook)

No PP, foram duas mulheres trans candidatas: Darphinny Myrella Cirino e Silva, em Planaltina; e Paolla Bracho Ribeiro do Nascimento, em São Miguel do Araguaia. Trata-se do partido com mais candidatos utilizando nome social.

Em nota, a sigla afirmou que se orgulha e apoia candidaturas que representam todos os setores da sociedade. “O partido se esforça para espelhar a diversidade de ideias, crenças e manifestações que fazem de Goiás um estado tão rico.”

Darphinny Myrella Cirino e Silva, candidata em Planaltina (Foto: Facebook)

E ainda: “O presidente do Progressistas, Alexandre Baldy, nossos deputados federais, senadores, prefeitos, vereadores e lideranças querem promover o respeito e a tolerância. E, ao incentivar estas candidaturas, ratificamos o nosso compromisso com a pluralidade.”

LGBTQI+

O candidato a vereador pelo PSOL, Fabrício Rosa, é representante da Rede Nacional de Operadores de Segurança Pública LGBTQI+ (que inclui agentes penitenciários, bombeiros, policiais e mais que se enquadram como lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e travestis, além de outros). Segundo ele, a conquista é muito importante para homens trans, mulheres trans e travestis.

Fabrício Rosa, candidato a vereador pelo PSol (Foto: Facebook)

“As pessoas confundem orientação sexual com identidade de gênero. Uma mulher trans pode ser lésbica, hétero, bissexual, assexuada, etc. Ser gay é uma orientação sexual e uma mulher trans não está em luta de sua orientação, mas de sua identidade de gênero”, explica.

Fabrício diz, ainda, que, tudo que circula em relação a identidade de gênero é importante para a comunidade. “O nome social é uma das primeiras importâncias, o nome pela qual ela (ou ele) vai ser chamada (o). Essa importância é para a comunidade ‘T’ (trans e travestis), não ‘LGB’ (lésbicas, gays e bissexuais discutem orientação sexual). Reconhecer o nome social é reconhecer como eles e elas se veem no mundo.”

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