Crise na Saúde

Enfermeiros do Hugo fazem nova assembleia e sinalizam paralisação pontual na unidade

Notificação será enviada à Os ainda nesta sexta-feira (19). Paralisação não se trata de uma greve geral, apenas uma diminuição nos atendimentos no ambulatório e na realização de cirurgias eletivas e exames


Joao Paulo Alexandre
Do Mais Goiás | Em: 19/10/2018 às 14:15:01

Profissionais se reuniram em frente ao hospital na noite desta sexta-feira (19) (Foto: Reprodução/Sindsaúde)
Profissionais se reuniram em frente ao hospital na noite desta sexta-feira (19) (Foto: Reprodução/Sindsaúde)

Cerca de 30 profissionais de enfermagem contratados pelo Instituto Gerir e que atuam no Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo) realizaram, na noite desta quinta-feira (18), uma nova assembleia geral para discutir os atrasos de salários e melhores condições de trabalho na unidade hospitalar. Essa é o segundo protesto realizado na mesma semana onde os profissionais denunciam que os pagamentos não estão sendo realizados no prazo legal de cinco dias úteis e a falta de insumos básicos para realização de atendimentos. O hospital vive uma fase difícil com falta de medicamentos e com a interdição pedida pelo Ministério do Trabalho.

Segundo a presidente do Sindicato dos Servidores da Saúde do Estado de Goiás (Sindsaúde), Flaviana Alves, ficou acertado que, se a Organização Social (OS) não efetuar o pagamento até na próxima segunda-feira (22), os profissionais realizarão paralisações pontuais, que serão iniciadas na próxima terça-feira (23).

Durante a paralisação, os enfermeiros e técnicos de enfermagem estarão no hospital, mas explicarão aos pacientes a situação e os atendimentos serão reduzidos nos ambulatórios e nas realizações de cirurgias eletivas e exames. A notificação da decisão será encaminhada ao Instituto Gerir nesta sexta-feira (19), obedecendo o prazo de 24 horas de antecedência. “Se caso a OS não obedecer o prazo, realizaremos uma nova notificação e, em até 72 horas, aderimos a greve. Com isso, apenas 30% dos profissionais realizarão atendimentos na unidade”, conta.

Flaviana aponta que a situação no hospital está “crítica’, com profissionais sobrecarregados e sem condições de trabalho, o que compromete os atendimentos aos pacientes da unidade de saúde. A presidente também pontuou que esses problemas são recorrentes em relação ao Instituto Gerir e que a situação pode se tornar ainda pior, caso a crise continue. “Hoje mesmo eu vim aqui na unidade e encontrei uma senhora que precisava de duas cirurgias e realizou apenas uma porque os anestesistas estão paralisados. Isso é desrespeito com a vida. Isso destaca uma ineficiência de gestão de ambas as partes, tanto do Estado quanto da OS”, destaca.

Enfermeiros

O presidente do Sindicato de Enfermagem do Estado de Goiás (Sienf-Go), Alciome Gonçalves, relata que a situação demostra um “completo descaso com a sociedade e o trabalhador”. Ele aponta que alguns profissionais já passam por dificuldades e outros têm ido à pé até o hospital para não faltar o serviço.

“Isso mostra uma desorganização da Organização Social e do Estado diante dessses profissionais. Essa situação não abrange apenas a classe de enfermagem, mas sim todos os profissionais. Somente os técnicos de enfermagem e enfermeiros consistem no montante de 65% a 70% da mão de obra do hospital”, conta.

Além disso, Alciome relata que já foram recebidas mais de 20 reclamações sobre assédio moral e que a situação crítica dos enfermeiros também acontece no Hospital de Urgências de Trindade (Hutrin), que é gerido pelo Instituto Gerir. “A gente busca entender como que outros profissionais não tem problemas de salários atrasados em outras unidades que são geridos por outras OS. A gente entende o transtorno que uma paralisação geral pode trazer a população, mas como trabalhadores exigimos os nossos diretos”, relata.

Valores 

Diante da colocação, o Mais Goiás verificou o Portal da Transparência e notamos que Organizações Sociais como a Agir, que está a frente do Hospital de Urgências Governador Otávio Lage (Hugol), está com um valor a ser repassado pelo estado maior do que o Instituto Gerir.

Segundo o portal, O estado deve R$ 44.410.041,21, dos meses de julho, agosto e setembro para a Agir. Já para o Instituto Gerir, o governo estadual tem que repassar o montante de R$ 35.567.464,77, referente aos meses de junho e setembro.

Respostas

O Instituto Gerir, por meio de nota, destacou que ainda não foram notificados sobre a decisão da classe da enfermagem. Em relação aos repasses, eles informaram que as informações sobre o assunto são repassadas pela Secretaria Estadual de Saúde (SES).

A SES, por sua vez, informou que os repasses são feitos de acordo com cronograma da Secretaria da Fazenda (SEFAZ).