Política

Em seminário do PSDB, Marconi demonstra preocupação com a crise

Marconi disse que, mesmo com os ajustes já feitos no governo de Goiás, será preciso ajustar ainda mais





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O governador Marconi Perillo participou, nesta quinta-feira (17/09), do Seminário “Caminhos para o Brasil”, promovido pelo diretório nacional do PSDB e pelo Instituto Teotônio Vilela (ITV). Com o objetivo de debater a crise econômica, o presidente nacional da legenda, senador Aécio Neves, reuniu importantes economistas, parlamentares e demais lideranças políticas no encontro que foi realizado em uma das salas de reuniões das comissões do Senado.

Além do senador Aécio Neves e do presidente do ITV, o suplente de Senador José Aníbal, discorreram sobre o momento e sugeriram caminhos para vencer a crise os economistas Armínio Fraga e Gustavo Franco, os ex-presidentes do Banco Central, o pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas Samuel Pessoa e o técnico de planejamento e pesquisa do IPEA Mansueto Almeida.

“O PSDB acerta em convidar quatro grandes economistas brasileiros, lúcidos e preparados para examinar o momento atual do País, apresentar um diagnóstico e principalmente lançar um olhar para o futuro do ponto de vista do desenvolvimento e do crescimento”, comentou o governador durante entrevista coletiva à imprensa.

Marconi disse que são grandes as incertezas sobre o presente e o futuro da economia do País. “Nós – salientou – precisamos que o governo consiga empreender reformas e mudanças profundas para que o Brasil volte a ter um círculo virtuoso de desenvolvimento e crescimento”.

Todos os dados e as estatísticas que foram apresentados no seminário, segundo o governador, demonstram que o crescimento do Brasil nos últimos anos foi muito menor  do que o registrado em outros países de importância econômica equivalente. “O nosso crescimento – disse – está muito aquém do crescimento de outros países da América Latina, por exemplo”.

Marconi comentou ainda que, apesar das reformas e dos cortes que foram feitos na administração estadual, as dificuldades são muito grandes. “Faltam recursos para investimentos”.

Sobre a volta da CPFM, imposto sobre movimentações financeiras que o governo Federal, lembrou que sempre foi contra o aumento de impostos, posição que defendeu como senador. “Eu e meu partido sempre fomos contra o aumento da carga tributária. É evidente que, à medida que haja a possibilidade de compartilhamento desta receita entre estados e municípios, haverá um envolvimento maior dos governadores e dos prefeitos e uma disposição renovada de debater o assunto no Congresso Nacional”, declarou.

Único governador a falar no seminário, Marconi Perillo ocupou a tribuna respaldado pelo senador e presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, como o administrador que se antecipou à crise e promoveu os maiores ajustes para adequar a máquina pública à realidade atual. “Com isso – salientou Aécio – Goiás saiu na frente e manteve os investimentos. Goiás é um estado que, apesar da crise, cresce”.

Em seu discurso, Marconi demonstrou preocupação e algum ceticismo em relação ao futuro próximo da economia brasileira. “Vivo um momento de perplexidade. Parece-me que nós estamos vivendo em outro mundo, um mundo de fantasia, porque temos certeza de que tudo o que está sendo proposto vai chegar à Câmara dos Deputados e não vai a lugar nenhum. O presidente da Câmara tem dito claramente que lá não passa nada. Enquanto isso o governo vai apresentando projetos e propostas que nós sabemos que não vão passar”.

Ele afirmou já ter feito os cortes necessários e que analisa outros ajustes. “Nós só temos dez secretarias em Goiás. Eliminei mais de dez mil cargos no ano passado já prevendo a crise. Agora estamos enviando à Assembleia Legislativa o projeto que cria a Lei de Responsabilidade Fiscal Estadual, algo que merece ser analisado por outros governantes. Vamos limitar ainda mais os gastos públicos”, informou, ao defender que o PSDB encampe um movimento para criar uma Lei de Responsabilidade Fiscal que “limite os gastos da União. Essa é uma anomalia na LRF. Ela tem que envolver a União”.

O governador endossou a posição de Armínio Fraga que defendeu, em sua palestra, mudanças na estabilidade do emprego dos funcionários públicos. “Salvo uma ou outra carreira de Estado, não é mais possível continuar com o regime estatutário de contratação de servidores”, declarou.

Ele falou também sobre a gestão da saúde pública nos governos do PSDB. “Em estados como Goiás, São Paulo e Minas, as OSs estão cumprindo bem o seu papel. Os hospitais se livraram da burocracia da Lei 8.666 e, consequentemente, de contratar pessoal pela lei estatutária. Agora, quem trabalha, fica”.

No discurso, voltou a dizer que os estados estão em dificuldade para realizar novos investimentos e, como agravante, lembrou que o governo Federal cortou o crédito. “O Governo Federal não tem mais como agradar os governadores. A cada dia que passa eu percebo os governadores mais impacientes porque não conseguem mais nenhum centavo da União”.

Por fim, o governador disse que o que mais o preocupa é a falta de perspectiva para o futuro: “O que mais me preocupa é que eu não vejo saída diante desta situação. Tenho lido muito sobre o que está acontecendo e não tenho visto possibilidade de nós avançarmos em nada que possa representar fôlego para o governo federal e consequentemente para os governos estaduais”.