Luto

Em Itumbiara, Marconi presta homenagens às vítimas do atentado que matou Zé Gomes

O governador disse que há hoje em Itumbiara uma força tarefa com 14 delegados trabalhando em várias linhas de investigação, para que a elucidação dos crimes seja feita com rapidez




O governador Marconi Perillo esteve no início da tarde desta sexta-feira (30) em Itumbiara, para levar sua solidariedade às famílias de José Gomes da Rocha e cabo Vanilson João Pereira, assassinados durante uma carreata política na quarta-feira (28). Antecipando o seu regresso dos Estados Unidos em dois dias, onde esteve para incrementar os laços comerciais entre aquele País e o Estado de Goiás, o governador saiu de São Paulo direto para Itumbiara, sendo recebido por dezenas de lideranças políticas no aeroporto da cidade.

A comitiva seguiu direto para o Cemitério da Saudade onde foi sepultado o corpo de José Gomes. Marconi depositou flores no túmulo, confortou familiares do ex-candidato a prefeito e concentrou-se por alguns minutos em silenciosa oração. Repetiu o gesto no Cemitério Parque da Saudade, local em que está sepultado o policial Vanilson Pereira.

Tão logo desembarcou em Itumbiara, ele se reuniu com o delegado geral da Polícia Civil do Estado de Goiás, Álvaro Cássio dos Santos, para se inteirar das providências que já foram tomadas visando à elucidação dos crimes. Em entrevista coletiva à imprensa, Marconi resumiu as ações das policias civil, militar e federal no caso.  “Existe uma força tarefa formada por 14 delegados com envolvimento também da polícia federal. O delegado geral está aqui desde que o houve o incidente. Todos estão trabalhando em várias linhas de investigação. Creio que nos próximos três dias teremos a elucidação desse fato”, previu.

Após deixar o cemitério, ele se encontrou com os familiares de Zé Gomes e do cabo Vanilson, na Igreja Santa Rita de Cássia, onde fizeram orações e assistiram a uma missa em memória dos mortos.

O governador eximiu-se de opinar a respeito das motivações do crime: “Eu não vou precipitar no julgamento. Existe uma investigação que está sendo feita de forma isenta pelas polícias. Nós queremos é que a elucidação ocorra o mais depressa possível”.

Ele lamentou o fato de o atentado ter ocorrido, principalmente durante uma carreata: “É muito estranho que isso tenha ocorrido na única carreata que o Zé Gomes fez durante a campanha. Consideramos tudo muito estranho. Por isso estamos aqui para apoiar as investigações e, principalmente, para trazer a minha solidariedade, a solidariedade da minha família e do governo do Estado à família do Zé Gomes e do cabo Vanilson, ao povo de Itumbiara, ao prefeito Chico Bala, a todos os que sofrem neste momento a perda de um dos maiores líderes que nós tivemos no Estado e o maior líder da cidade de Itumbiara em todos os tempos”.

Amigo de Zé Gomes há muitas décadas, com o qual foi parceiro em várias disputas eleitorais, Marconi não economizou nos elogios ao companheiro. “Foi um prefeito admirável, que alavancou como ninguém a cidade de Itumbiara. Foi um gestor competentíssimo, além de ter sido um aliado extremamente leal e correto em todos os momentos. Por onde ele passou fez muito por Goiás e por Itumbiara. Foi quatro vezes deputado federal, deputado estadual, duas vezes prefeito. As pesquisas indicavam que ele teria uma vitória superior a 70%. Mas, infelizmente, esse ato inconsequente de um cidadão interrompeu sua trajetória”.

Mesmo estando no exterior no dia do crime, o governador disse ter acompanhado todos os passos do atentado. “Eu acompanhei detalhadamente todos os capítulos desta tragédia. Desde que houve o crime, fui informado com detalhes o tempo inteiro de tudo o que estava acontecendo e das providencias que estavam sendo tomadas”, afirmou.

O governador confessou que a tragédia poderia ter-lhe atingido também caso estivesse em Goiás. “Pela proximidade que sempre tive com o Zé Gomes, se eu estivesse em Goiás com certeza eu estaria participando desta carreata”, admitiu.

Marconi afiançou ainda que não irá interferir nos trabalhos da investigação para que o desfecho do caso se dê o mais rápido possível. “Eu sempre respeitei a autonomia da Polícia Civil para investigar e elucidar os casos. Não há de minha parte, até porque eu não sou policial, nenhuma interferência no trabalho da polícia para que haja mais rapidez na elucidação desse crime. Eu confio no trabalho das nossas Polícias Civil e Militar. Todos se lembram do serial killer de Goiânia. Muitos achavam que aqueles crimes não seriam elucidados. A Polícia Civil, porém, mostrou sua competência. Esclareceu tudo à população. E aqui em Itumbiara é isso que vai ser feito. O que não pode é eu interferir e pedir que as nossas polícias digam isso ou aquilo. Esse é um assunto muito sério”, declarou.

Admitiu que o crime teve muita repercussão, trazendo preocupação e indignação no Brasil e até em representações internacionais: “Esse crime chamou a atenção de todo o Brasil e teve repercussão até no exterior. Eu recebi a solidariedade de embaixadores numa clara demonstração de que esse crime comoveu todo o mundo”.

Marconi garantiu que tão logo sejam liberadas informações concretas,  a Polícia Civil irá se manifestar. “O importante – acrescentou – é que não haja qualquer tipo de falha técnica quando a informação for prestada, depois de elucidadas e checadas todas as informações. O que nós queremos é que as investigações sejam rigorosas e que a verdade seja trazida à tona”.

Ele adiantou que na quarta-feira (28) passada comunicou-se com todos os presidentes de poderes colocando o Estado à disposição da Polícia Federal para reforçar a segurança em todos os municípios, especialmente onde o clima eleitoral está mais tenso.

Hoje pela manhã o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu enviar efetivo da Força Nacional para garantir a tranquilidade das eleições em Itumbiara. “Será muito bem-vinda. O clima eleitoral em Itumbiara era muito tranquilo. Ninguém acreditava que pudesse acontecer uma coisa como essa. A campanha estava seguindo um ritmo normal”.

O governador ressaltou, porém, que a oposição exagerava nos ataques a Zé Gomes, por vez deixando indignadas as pessoas. “Eram ataques pessoais, principalmente em programas políticos. Ele chegou a comentar comigo que estava muito magoado com ataques rasteiros, mentirosos e levianos em relação à pessoa dele. Eu acho até que isso pode ter atiçado um pouco os ânimos da população e especialmente desse assassino. As pessoas muitas vezes não medem as palavras, não têm responsabilidade para acusar levianamente. Isso estava acontecendo aqui em Itumbiara. Estavam fazendo uma campanha muito baixa, sórdida contra o Zé Gomes”, disse o governador.

Ao final da entrevista, voltou a lamentar o ocorrido. “Todos sabem que isso foi uma tragédia. Quem poderia imaginar que alguém poderia atacar uma carreata e cometer esses crimes? Isso nunca aconteceu aqui. Eu participei de dezenas de carreatas em Itumbiara. A população de Itumbiara é de boa índole. Infelizmente, tivemos essa ocorrência. Por isso precisamos saber o que realmente aconteceu. Se foi a mando de alguém, se foi por outras razões. E é isso que a Polícia Civil vai fazer”.

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