Economia

Em Goiás, empreendedorismo cresce no pós-crise

Só nos dois primeiros meses de 2017 foram abertas 3.073 novas empresas no Estado, o que revela aumento na busca pelo empreendedorismo


Thiago Burigato

Do Mais Goiás | Em: 01/04/2017 às 09:55:35


Para a Juceg, duas situações podem ser apontadas como explicação para tal cenário: a expectativa de uma recuperação econômica em curso e uma reação de muitos trabalhadores frente ao desemprego (Foto: Reprodução)
Para a Juceg, duas situações podem ser apontadas como explicação para tal cenário: a expectativa de uma recuperação econômica em curso e uma reação de muitos trabalhadores frente ao desemprego (Foto: Reprodução)

Dados da Junta Comercial do Estado de Goiás (Juceg) demonstram que após período de demissões em massa, muita gente que se viu sem emprego buscou saída no empreendedorismo. Só nos dois primeiros meses de 2017 foram abertas 3.073 novas empresas em Goiás, aponta o órgão.

De acordo as estatísticas divulgadas, só nos primeiros dois meses de 2017, janeiro e fevereiro, foram registradas uma média de 3.073 novas inscrições empresariais, contra 2.516 em 2016. Esse é o maior índice de abertura de empresa dos últimos três anos em Goiás.

Para a Juceg, duas situações podem ser apontadas como explicação para tal cenário: a expectativa de uma recuperação econômica em curso e uma reação de muitos trabalhadores frente ao desemprego, que buscaram no empreendedorismo uma forma de driblar a crise econômica.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o quarto trimestre de 2016 fechou com uma taxa média de desocupação de 12%, o que representa 12,3 milhões de pessoas desempregadas no País. A taxa do Centro-Oeste também permaneceu acima da média do Brasil, representando 13,2% de pessoas sem emprego. Grande parte deste contingente partiu para o empreendedorismo.

Esse fenômeno favorece, mesmo no ambiente de crise, o crescimento de alguns setores. A franquia de alimentação saudável da Fast Açaí é um bom exemplo de empresa que segue em expansão, muito em função dessa força empreendedora de muitos brasileiros. Só no ano de 2016, foram 40 novas lojas inauguradas, em 2017 já somam quatro.

Desafios

O franqueado da Fast Açaí, Emiliano Amaral, 35 anos, é um dos milhões de brasileiros que preferiu empreender, mesmo diante de um cenário econômico complicado, ao invés de se acomodar. Já atuando como empresário, procurou um novo negócio para investir, desta vez no ramo alimentício, que segundo ele, é um setor mais assertivo. “Abri minha loja em fevereiro deste ano, antes eu trabalhava no segmento de fotografias e marketing e tive uma queda de faturamento significativa o que me levou a buscar uma segunda opção”, conta. Hoje, Emiliano continua prestando serviço como consultor de marketing, porém sua renda principal vem da franquia de alimentação saudável.

Emiliano explica que a forte queda de ganhos em sua outra empresa foi o que o motivou a procurar uma outra opção de renda, num setor que tivesse mais retorno. Mas o empresário admite que em boa parte o negócio anterior não deu certo por falta empenho. Ele diz que na época aceitou a crise.

O especialista em administração de empresas e governança corporativa, Marcelo Camorim, explica que de fato, a empresa que estando ou não em fase de crise, não tem seu dono à frente o tempo todo tem sérias chances de não ir à diante. “Hoje o mais importante para uma empresa dar certo, não é foco ou planejamento estratégico, mas sim a disposição que esse empresário tem para o trabalho! A empresa tem que ter a essência e a presença constante do dono”, esclarece.

Marcelo diz que com a crise essas empresas que precisam demitir se viram em uma sinuca de bico: conseguir trabalhar mais, porém com menos colaboradores. Mas ele destaca que elas conseguiram e hoje otimizam seus processos e muitas dessas vagas de trabalhos, possivelmente, não voltaram ser ofertadas. Por isso, para ele, o empreendedorismo pode continuar sendo a grande chance daqueles que não conseguiram voltar para o mercado de trabalho, mesmo com uma retomada da economia. “As empresas aprenderam que é possível fazer com menos, então só irão contratar novamente quando houver um crescimento real”, avalia o especialista