Em Goiânia, servidores protestam contra reforma do governo federal

“Eles prometem equilíbrio fiscal e fim de privilégios, mas o judiciário, os parlamentares e os militares ficaram de fora", disse o presidente do SINT-IFESgo

Sindicatos fazem carreata em Goiânia contra Reforma Administrativa
Sindicatos fazem carreata em Goiânia contra Reforma Administrativa

Cerca de 50 veículos realizaram um carreata, no centro de Goiânia, na manhã desta quarta-feira (30), contra a proposta de reforma administrativa do governo federal. O evento, que começou às 9h e saiu do Paço Municipal até a Praça Cívica, foi organizado pelo Fórum Goiano em defesa da soberania, da democracia e dos direitos.

A atividade fez parte de uma manifestação nacional de servidores públicos federais, estaduais e municipais e ocorreu em vários municípios pelo País. A reforma, vale destacar, foi enviada pelo governo federal ao Congresso Nacional no começo de setembro. O texto impacta servidores do Legislativo, Judiciário e Executivo, mas exclui algumas categorias específicas como juízes, membros do Ministério Público, militares e parlamentares, ou seja, o alto escalão do funcionalismo.

Já na Câmara Federal, esta reforma ainda depende da instalação da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para tramitar e da criação de uma comissão especial. Por se tratar de proposta de emenda à Constituição (PEC), a matéria tem quórum e andamento mais rígido.

O sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos das Instituições Federais de Ensino Superior (SINT-IFESgo) participou do evento. O presidente Fernando Mota disse que a reforma promete uma coisa e entrega outra.

“Eles prometem equilíbrio fiscal e fim de privilégios, mas o judiciário, os parlamentares e os militares ficaram de fora. São eles que recebem os maiores benefícios. Eles querem economizar às custas dos trabalhadores da saúde, da educação, da seguridade social e de tantos outros setores essenciais”, relatou.

Emenda

A inclusão destes, inclusive, foi alvo de emenda do deputado federal goiano José Nelto (Podemos). Entre outras coisas, a proposta permite a demissão de futuros servidores. No dia 17 deste mês, ele justificou ao Mais Goiás que o alto escalão do funcionalismo público não poderia ficar fora da Reforma.

“Quero que sejam incluídos parlamentares de todos os três níveis da Federação; membros do Poder Judiciário (juízes, desembargadores e ministros); membros do Ministério Público (promotores e procuradores); bem como os outros detentores de mandato eletivo e agentes políticos, a exemplo dos Ministros de Estado e Secretários. Também devem ser abarcados os ocupantes de postos da carreira militar”, disse o deputado.

De volta a Fernando Mota, presidente do SINT-IFESgo, ele também ressaltou a importância de “resistir” à reforma. “O ato de hoje [quarta] foi importante e continuaremos lutando contra a aprovação de mais esse ataque de Bolsonaro aos trabalhadores do serviço público”, promete.

Qualidade do serviço público

Segundo Fernando, a PEC também representa risco para a qualidade do serviço público. Segundo ele, um servidor com estabilidade não tem medo de negar “rachadinha” (quando há divisão do salário) ou de enfrentar a corrupção e os desmandos de poderosos.

“Um bom exemplo disso foi aquele caso do desembargador que foi multado por andar sem máscara em Santos. Se o guarda que o abordou não tivesse estabilidade, dificilmente aplicaria a multa. A estabilidade do servidor público é fundamental para que o serviço seja prestado de maneira correta”,  finaliza.

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