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Em depoimento, noiva de Luis Carlos diz que o suspeito morreu negando o assassinato de Ana Clara

Em quase sete horas de interrogatório, realizado desde a manhã desta segunda (6), Maria Sônia Pereira da Luz negou participação no crime ou que soubesse que o noivo seria o autor

Cidades

Thiago Burigato
Do Mais Goiás | Em: 07/03/2017 às 09:31:51

Conforme o depoimento prestado, Maria Sônia chegou a buscar o suspeito no campus Samambaia da UFG sem saber que ele estava sendo procurado (Foto: Reprodução)
Conforme o depoimento prestado, Maria Sônia chegou a buscar o suspeito no campus Samambaia da UFG sem saber que ele estava sendo procurado (Foto: Reprodução)

O vendedor Luis Carlos Costa Gonçalves morreu negando que tivesse matado a menina Ana Clara Pires Camargo, de sete anos. Foi isso que afirmou a noiva dele, Maria Sônia Pereira da Luz, em depoimento prestado ao delegado Kleyton Manoel Dias, do Grupo Antissequestro (GAS) da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic).

Após quase sete horas de interrogatório, realizado desde a manhã desta segunda (6), ela não forneceu informações que desvendassem detalhes do crime. “Ela não deu muito direcionamento. Pelo contrário, disse que não sabia de nada e que o namorado morreu negando o assassinato”, afirma o delegado.

De acordo com ele, depois que Luis se tornou procurado, Maria Sônia chegou a buscar o suspeito no campus Samambaia da Universidade Federal de Goiás (UFG). De lá, ela o levou para a casa de um irmão no Setor Lorena Park, em Goiânia, e só mais tarde, naquele mesmo dia, soube por uma amiga que ele era o principal suspeito do crime.

O delegado confirma que vai continuar apurando a participação da noiva no crime, mas ressalta que ainda não existem indícios nesse sentido. “Vamos trabalhar para apurar se existe essa possibilidade, mas por enquanto não há nada que mostre o contrário do que ela relatou”, pontua.

Kleyton prefere não cogitar um prazo para o fim do inquérito, já que “várias outras” pessoas ainda devem ser ouvidas sobre o caso. O delegado pretende ir a fundo para apurar se houve a participação de outra pessoa no crime e, em caso afirmativo, quem seria esse cúmplice.

“A investigação tornou-se complexa com a morte do Luis Carlos. Primeiro, foi descobrir quem era o autor [do crime]. Quando descobriu, perdeu a maior testemunha, que era o próprio. Agora precisamos juntar muitas peças do quebra-cabeças”, declara.

O caso

Ana Clara Pires Camargo, de sete anos, teve o corpo encontrado cinco dias depois de o desaparecimento ser denunciado pela família. A menina sumiu pouco depois de sair de casa, no Setor Antônio Carlos Pires, na Capital. As polícias Militar e Civil, além de Bombeiros e a população, fizeram buscas durante todos os dias seguintes, na tentativa de encontrá-la.

Na manhã do dia 22 de fevereiro, os policiais da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic), chefiados pelo delegado Waldemir Pereira, o Branco, confirmaram ter localizado o corpo, que estava com marcas de incineração e de uso de ácido. Ele foi encontrado por uma equipe da Polícia Militar que passava pela região rural de Santo Antônio de Goiás, nas proximidades da Embrapa.

Próximo ao corpo estava um veículo, em nome de Luis Carlos Costa Gonçalves, de 35 anos, que se tornou o principal suspeito do crime. Na tarde do mesmo dia ele foi abordado pela PM quando transitava em um veículo modelo SUV de cor escura pelo Setor Lorena Park.

Conforme o tenente-coronel Ricardo Mendes, o suspeito investiu contra os militares e acabou morto. “Ele reagiu à ordem policial e os militares tiveram de intervir. O papel da Polícia era prender ele e levar para que pudesse responder às autoridades pelo crime que cometeu.”